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#Verificamos: É falso que Trump disse que, se houver interferência europeia no Brasil, ‘tomará o lado de Jair Bolsonaro’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.set.2020 | 15h48 |

Circula nas redes sociais uma frase atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele diz que conversou com Jair Bolsonaro (sem partido) “hoje pela manhã” e, caso haja uma interferência europeia no Brasil, não poupará esforços para ficar ao lado do presidente brasileiro. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Conversei com meu amigo Jair Bolsonaro hoje pela manhã. Confirmei meu apoio a nossos irmãos brasileiros. Qualquer interferência do velho continente ao Brasil não pouparei esforços em tomar lado a Jair Bolsonaro e seu povo”
Frase atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em post publicado no Facebook, que, até as 14h de 30 de setembro de 2020 tinha 323 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Essa frase não aparece em nenhuma entrevista, rede social ou discurso recente feito por Donald Trump. A referência mais próxima ao texto, em português e inglês, é uma publicação feita em sua conta pessoal no Twitter em agosto de 2019. Na mensagem, o presidente americano diz que conversou com Bolsonaro e reafirma que os dos países têm uma “relação mais forte do que nunca”. Também diz que os Estados Unidos estão prontos para auxiliar no combate às queimadas na Amazônia. Contudo, em nenhum momento Trump fala de “interferência do velho continente” no Brasil.

O tuíte foi citado por Bolsonaro, que confirmou a conversa entre os líderes em sua conta pessoal na rede social. A afirmação de Trump surgiu após o presidente da França, Emmanuel Macron, chamar as queimadas da Amazônia de “crise internacional” e convocar os membros do G7 para discutir o tema, também por meio de uma publicação no Twitter. Bolsonaro reagiu à postura de Macron, chamando-a de “mentalidade colonialista descabida”.

Em outras oportunidades, Trump reforçou a amizade com Bolsonaro, ainda que tenha considerado negativa a forma com que o Brasil lidou com a pandemia da Covid-19 e ameaçado criar barreiras tarifárias para produtos brasileiros.

Na terça-feira (29), o problemas queimadas na Amazônia foi discutido no debate eleitoral dos candidatos à presidência dos Estados Unidos. O responsável por levantar o tema foi o democrata Joe Biden. Trump, que tenta se reeleger, não citou sua relação com Bolsonaro nessa discussão.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Maurício Moraes

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