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Foto: Kelly Fuzaro/Band
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Prefeitura SP: checamos o que os candidatos disseram no primeiro debate de 2020

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.out.2020 | 02h21 |

Esta publicação foi corrigida às 10h05 do dia 13 de novembro de 2020. Veja abaixo.

Os candidatos à prefeitura de São Paulo participaram na noite desta quinta-feira (1º) do primeiro debate das eleições 2020, na Band. Foram convidados os candidatos Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriota), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Filipe Sabará (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB). O debate foi realizado sem plateia por causa da pandemia de Covid-19. A Lupa verificou algumas das declarações dos participantes. Confira:

“Assim que o Doria e o Bruno Covas assumiram a prefeitura de São Paulo, usaram violência contra as pessoas [na Cracolândia]”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Uma das promessas de João Doria (PSDB) e de seu vice, Bruno Covas (PSDB), quando eleitos para a Prefeitura de São Paulo, era eliminar a Cracolândia. No primeiro semestre de 2017, foram feitas operações em conjunto com as polícias Civil e Militar na região central da cidade com o objetivo de retirar os usuários de drogas e traficantes que circulavam pela área. Na primeira ação desse tipo, que ocorreu em 21 de maio daquele ano, foram usadas bombas e feitas prisões.

Os usuários passaram a viver em ruas e praças próximas. Imóveis da região também foram lacrados na época. As ações, no entanto, não deram resultado. Meses mais tarde, os usuários retornaram à área, e o cenário, três anos depois, permanece inalterado.


“No segundo turno ganhamos a eleição aqui na Capital com quase 1 milhão de votos de diferença”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Márcio França (PSB) perdeu o segundo turno das eleições para o Governo do Estado de São Paulo por uma diferença de 741.610 votos, mas foi mais votado na capital. No município, ele recebeu 3.393.092 votos, contra 2.447.309 de João Doria, uma diferença de 945.783 votos.


“A taxa de juros está super baixa, taxa recorde”
Filipe Sabará (Novo), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020.

VERDADEIRO

Segundo o Banco Central, a meta da taxa Selic está em 2% ao ano, valor que foi definido na última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), em 16 de setembro de 2020. Trata-se do valor mais baixo desde 1996, quando a taxa foi criada.


“[O PT deixou] um grande rombo de R$ 7 bilhões em 2017”
Bruno Covas (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

Ao terminar o mandato, a gestão de Fernando Haddad (PT) deixou R$ 5,3 bilhões no caixa da prefeitura da São Paulo, de acordo com o Relatório Anual de Fiscalização de 2016, elaborado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). “(…) As disponibilidades financeiras da Prefeitura em 31.dez.16 eram suficientes para saldar as obrigações de curto prazo. Se todas essas obrigações fossem pagas, restaria um saldo da ordem de R$ 3 bilhões”, informa o documento.

De acordo com o relatório do TCM, do total disponível, R$ 3,6 bilhões eram recursos vinculados e R$ 1,4 bilhão correspondiam a obrigações financeiras de curto prazo. Isso significa que havia R$ 305 milhões em recursos que poderiam ser usados pela futura gestão para pagar qualquer tipo de despesa. Versões dessa afirmação já foram checadas pela Lupa em outras duas ocasiões, quando foram ditas por Haddad, Doria e pelo próprio Covas

Atualização às 19h55 do dia 2 de outubro de 2020: por e-mail, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo disse que Covas se referia a diferenças nas previsões de receita e despesa para o ano de 2017 que constavam no orçamento. Segundo a prefeitura, a receita foi superestimada em R$ 5 bilhões e a despesa foi subestimada em R$ 2,5 bilhões.


“[São Paulo] É a capital mundial do desemprego, mais de três milhões de pessoas”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNADC/T) do primeiro trimestre de 2020, última com dados disponíveis por município, 937 mil pessoas estavam desocupadas na capital paulista. O número citado por Boulos se refere à população desocupada no estado de São Paulo (3,1 milhões).


“O TCM impediu que isso [compra de 500 mil tablets para serem distribuídos para os estudantes da rede municipal] acontecesse porque você não disse de que forma as crianças iam acessar a internet”
Celso Russomanno (Republicanos), a prefeito  de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

EXAGERADO

Na última terça-feira (29), o Tribunal de Contas Municipal de São Paulo (TCM-SP) determinou a suspensão do Pregão Eletrônico para a compra de 460 mil tablets, que seriam distribuídos para os alunos da rede pública. No entanto, a decisão do TCM-SP não justifica a medida pelo fato de a prefeitura não ter especificado como será o acesso a internet. 

No processo, são elencadas 19 irregularidades impeditivas no edital do pregão. Entre os motivos apontados estão: inexistência de documento que embase o número de estudantes beneficiados com a política; ausência de prazo para a entrega dos equipamentos; e não há exigência, por parte da Prefeitura, de que a empresa vencedora do concurso ofereça assistência técnica para todo o perímetro da cidade de São Paulo. O documento não cita “ausência de acesso à internet” como um dos motivos.


“[A gestão Haddad] Deixou 60 mil crianças aguardando vaga em creche”
Bruno Covas (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Os dados sobre demanda escolar da Secretaria Municipal de Educação mostram que, em dezembro de 2016 – último mês do mandato de Fernando Haddad (PT) –, havia 65.040 crianças à espera de uma vaga em creches municipais. O número é próximo do que foi citado pelo prefeito Bruno Covas. Mas em dezembro de 2012, antes da gestão Haddad, 93.814 crianças estavam na fila.

O número caiu nos últimos três anos, na gestão de Doria e Covas. Em dezembro de 2017, a fila estava em 44.092, em 2018, 19.697, e 9.870 em 2019.


“Quando fui secretário aqui em São Paulo, implementei o programa Trabalho Novo, que gerou mais de 2 mil empregos para a população de rua”
Filipe Sabará (Novo), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Segundo o portal da Prefeitura de São Paulo, o programa Trabalho Novo empregou, até janeiro de 2019, mais de 2 mil pessoas em situação de rua. Mas a meta estabelecida no início do governo Doria, do qual Sabará era secretário de Assistência Social e Desenvolvimento até 2019, era criar 20 mil vagas de trabalho para pessoas em situação de rua apenas no primeiro ano de governo

Essas vagas seriam criadas a partir de acordos com a iniciativa privada, como o firmado com uma rede de fast food em março de 2017. Em 2018, já na gestão Covas, o Trabalho Novo virou decreto municipal (decreto Nº 58.330/2018), mantendo o objetivo de promover a empregabilidade da população em situação de rua por meio de parcerias com empresas privadas. 

Atualização feita às 10h25min de 2 de outubro de 2020: para fins de contexto, a Lupa acrescentou a informação sobre a meta definida pelo governo Doria para o programa Trabalho Novo. Assim, a classificação anterior da frase dita por Sabará – “Verdadeiro” – foi atualizada “Verdadeiro, mas”.

(Texto anterior: Segundo o portal da Prefeitura de São Paulo, o programa Trabalho Novo empregou, até janeiro de 2019, mais de 2 mil pessoas em situação de rua. Criado pelo decreto Nº 58.330/2018, de 20 de julho de 2018, a proposta tinha por objetivo promover a empregabilidade da população em situação de rua por meio de parcerias com empresas privadas.)


“Nós acabamos mesmo com a ‘bolsa crack’ do PT”
Bruno Covas (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020.

VERDADEIRO, MAS

Em 2017, o então prefeito João Doria (PSDB) encerrou o programa Braços Abertos, o qual chamava de forma pejorativa de “bolsa crack”, criado pela gestão Haddad (PT). O programa previa, entre outras coisas, o pagamento de R$ 15 por dia para usuários que exercessem atividades de zeladoria na região. Na época, o projeto foi substituído pelo programa Redenção, que não oferecia esse pagamento.

Porém, em 2019, o programa foi reformulado, e Covas voltou a oferecer uma bolsa de trabalho para usuários, no valor de R$ 698 mensais. Ao contrário do programa anterior, só tem acesso a esses pagamentos quem está em fase final de tratamento contra a dependência química.


“[Celso Russomanno] Votou contra a Lei da Ficha Limpa”
Joice Hasselmann (PSL), candidata a prefeita de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

Em 2010, Russomanno, na época deputado federal pelo PP, votou a favor da Lei da Ficha Limpa. Ele foi um dos 388 deputados que aprovaram o PLP Nº 168/1993, que depois foi transformado na Lei Complementar 135/2010.

O único deputado a votar contra foi Marcelo Melo (PMDB-GO), que alegou ter se equivocado ao digitar o voto. Dos 513 deputados que tinham mandato naquele ano, 390 participaram da sessão que aprovou o texto-base do projeto Ficha Limpa. A lei impede que políticos que tenham sido condenados por alguns crimes possam se candidatar a algum cargo por um período de oito anos.


“[Tínhamos] 11 mil crianças aguardando fila na pré-escola [em 2016]”
Bruno Covas (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020.

FALSO

Em dezembro de 2016, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo registrava 1,2 mil crianças na fila para conseguir uma vaga na pré-escola, não 11 mil como mencionado pelo atual prefeito. 

Atualização às 19h55 do dia 2 de outubro de 2020: por e-mail, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo disse que Covas se referia à fila no início do ano de 2017. Os dados são publicados a cada três meses. Em março de 2017, a fila estava em 4.352 crianças, número consideravelmente menor ao citado pelo candidato.


“Zeramos essa fila [de pré-escola] aqui na cidade no nosso primeiro ano de gestão”
Bruno Covas (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020.

VERDADEIRO

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, não havia fila para vagas na pré-escola em dezembro de 2017. Também não havia fila no final dos anos de 2018 e 2019.


“No dia 10 de abril de 2018, você [Márcio França] disse que a polícia não tem que se envolver nisso [violência contra a mulher]”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Em um discurso no Palácio dos Bandeirantes, após uma reunião de secretários de Segurança Pública de todo o país, o então governador de São Paulo, Márcio França (PSB), declarou: “Aqui em São Paulo [capital], por exemplo, quase 70% das ocorrências noturnas são desinteligência. Quando um casal está brigando, não necessariamente precisaria ter um PM ou dois PMs com viatura, revólver. A gente vai encontrar um formato para ajudar nessa solução.”


“Mais de 100 mil comerciários foram demitidos [na cidade de São Paulo]”
Andrea Matarazzo (PSD), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

O número citado por Matarazzo se refere ao estado de São Paulo, e não ao município. Segundo um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entre janeiro e julho deste ano, o comércio varejista em São Paulo perdeu 114.359 empregos formais. Destas vagas perdidas, 42.645 foram na capital.


“Quase R$ 100 milhões no [projeto de reforma do viaduto do] Anhangabaú”
Andrea Matarazzo (PSD), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

O custo total da reforma do viaduto do Anhangabaú foi de R$ 94 milhões, valor próximo ao citado por Matarazzo. O contrato original da obra previa um gasto de cerca de R$ 80 milhões.


“Doria falou que as crianças pobres não tinham hábito alimentar”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

A afirmação foi feita pelo governador João Doria (PSDB) em 2011, quando ele ainda não era prefeito de São Paulo e apresentava O Aprendiz, reality show de negócios exibido na Record. No vídeo, o empresário perguntou a um dos concorrentes: “Você acha que gente pobre, gente humilde, gente miserável, que lamentavelmente está nas ruas de São Paulo, vai ter hábito alimentar?”. No episódio, os participantes tinham a tarefa de preparar e distribuir de refeições para moradores de ruas da capital paulista. 

O vídeo viralizou nas redes sociais em 2017, quando Doria era prefeito de São Paulo. Foi compartilhado em meio à polêmica do lançamento do programa “Alimento para Todos” proposto por sua gestão. 


“Esse ano são R$ 3,1 bilhões [de subsídio para empresas de transporte coletivo] e ano que vem será ainda maior”
Joice Hasselmann (PSL), candidata a prefeita de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

O subsídio previsto pela prefeitura de São Paulo na Lei Orçamentária Anual (LOA) para o transporte coletivo em 2020 era de R$ 2,25 bilhões. Contudo, com a redução no número de passageiros, a prefeitura estima gastar cerca de R$ 3,1 bilhões. Em setembro, um relatório do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM) projetou um valor ainda maior: R$ 4 bilhões.

Atualização às 18h50 do dia 2 de outubro: A assessoria de comunicação da prefeitura de São Paulo comunicou que a estimativa da prefeitura segue em R$ 3,1 bilhões. Portanto, o valor citado pela candidata é correto. Por causa disso, a Lupa mudou a etiqueta de “subestimado” para “verdadeiro”. 

Texto antigo: m setembro, um relatório do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM) projetava que o gasto real será de R$ 4 bilhões. O valor citado por Joice chegou a ser mencionado em relatório do TCM, porém está desatualizado.


“Quase 40% do nosso esgoto não é tratado”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com dados de 2018 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 64,7% do esgoto de São Paulo é tratado. Os 35,3% restantes representam cerca de 247 mil m³ de esgoto sem tratamento.


“A prefeitura [de SP] tem um orçamento de R$ 69 bilhões”
Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

O orçamento da prefeitura de São Paulo (página 13) para 2020, é de R$ 68,9 bilhões, um aumento de 13,91% em relação a 2019, quando foi de R$ 60,5 bilhões.


“Somos [os negros] metade da população [de São Paulo]”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

EXAGERADO

Segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito em 2010, de um total de 11.253.503 habitantes da cidade de São Paulo, aproximadamente 37% (4,1 milhões de pessoas) pertenciam à população autodeclarada negra. O IBGE considera negros pessoas que se declaram pretos ou pardos.


“(…) mulheres negras, que são 20% da população de São Paulo”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

As mulheres negras correspondem a 18,98% da população da cidade de São Paulo, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. A população da capital paulista é de 11.253.503 pessoas, conforme o levantamento. Deste total, 1.763.943 se declaram mulheres pardas e 372.081, pretas. Portanto, o total de mulheres negras na cidade é de 2.136.024.


“Fui ministro do Lula e, em oito anos de mandato, teve 10 milhões de empregos criados”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostra postos no setor privado, foram criados 11.271.503 empregos durante o governo Lula, entre 2003 e 2010.


“A renegociação da dívida de uma cidade tem que ser aprovada pelo Senado, não é a Presidência que toma essa decisão”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

A renegociação ou suspensão de pagamentos de empréstimos de municípios, estados e Distrito Federal com a União, bancos públicos e organismos internacionais passa pelo Senado, como aconteceu em junho deste ano. Na ocasião, o Senado aprovou o projeto de resolução que disciplina a suspensão ou renegociação de pagamentos de empréstimos ou dívidas dos estados, dos municípios e do Distrito Federal com a União, bancos públicos e organismos internacionais em função da pandemia.


“As enchentes são decorrentes das mudanças climáticas”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

EXAGERADO

As enchentes em São Paulo têm sido agravadas pelas mudanças climáticas, mas não são um problema recente na cidade. O relatório “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo”, coordenado pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CST/INPE) e publicado em 2010, explica que os problemas de drenagem “sempre” estiveram atrelados à ocupação dos fundos de vale e à má qualidade ambiental dos espaços urbanos. A eliminação de áreas verdes, impermeabilização do solo, favelização de terrenos de baixada descartados pela especulação imobiliária e a formação de áreas de risco ao longo de cursos d’água agravaram esse problema. “As enchentes continuarão a ocorrer em razão do crescimento urbano da região e da dinâmica natural das cheias e das grandes intervenções nos cursos d’água”, diz. O estudo prevê que a situação deve piorar com a elevação da temperatura.

Em entrevista à BBC, o professor Anderson Kazuo Nakano, do Instituto das Cidades da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que cidades como São Paulo tiveram um crescimento desordenado, o que desequilibra o curso normal das águas que correm para grandes rios como o Tietê. 

Ao R7, Angélica Benatti, diretora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, diz ainda que a capital paulista cresceu com processos que envolvem a impermeabilização do solo. Este processo acontece em razão do asfaltamento, calçamento de ruas e calçadas, da própria construção de edificações, por exemplo. 

Um artigo do professor Janes Jorge, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), publicado em 2011, explica como grandes obras de engenharia ao longo dos rios Tietê e Pinheiros alteraram a bacia hidrográfica, “dando início a uma outra fase na história das enchentes na região de São Paulo”. O estudo, que analisa historicamente as enchentes em São Paulo, entre 1890 e 1940, mostra que “a explosão demográfica, a especulação imobiliária e o desejo de segregação por parte das camadas privilegiadas locais” deram início à incontrolável expansão da mancha urbana. A população mais pobre, diz, “relegou-se a periferia distante ou as terras baixas junto aos rios e córregos, numerosos na cidade”. 


“Somos o único partido que não utiliza dinheiro público de fato em todo o brasil para fazer campanha”
Filipe Sabará (Novo), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

O Novo não é o único partido a abrir mão dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para financiar as campanhas de seus candidatos a prefeito e vereador em todo o país em 2020. O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) também fez isso. O Partido Novo comunicou a decisão no dia 1º junho. Já o PRTB optou por não utilizar o fundo no dia 16 de junho.

O FEFC é um fundo público destinado ao financiamento das campanhas eleitorais e está previsto na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o total de recursos distribuídos em 2020 é de R$ 2 bilhões. As verbas do FEFC que não forem utilizadas nas campanhas eleitorais serão devolvidas ao Tesouro Nacional.


“Eu sou o único candidato [no debate] que recusou o fundo eleitoral para fazer propaganda”
Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

FALSO

O candidato Filipe Sabará (Novo) também não usa o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para propaganda ou qualquer atividade de campanha eleitoral. O Partido Novo abriu mão dos valores em 1º de junho.

Arthur do Val declarou que não vai usar os recursos do fundo, financiando sua campanha com doações privadas. Até o momento, a promessa foi cumprida. 


“18 mil crianças não têm vaga na creche”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

SUBESTIMADO

Há uma demanda de 22.732 vagas em creches de São Paulo, de acordo com os dados de junho, os mais recentes divulgados pela Secretaria Municipal de Educação (SME). As creches recebem crianças de 0 a 3 anos.


“O Supremo Tribunal  Federal me inocentou de uma coisa que você vem e traz de volta para cá [o uso de dinheiro público para contratação de uma funcionária de gabinete para prestar serviço privado]”
Celso Russomanno (Republicanos), a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Em 9 de agosto de 2016, a 2ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu Russomanno, por três votos a dois, da acusação de peculato, na modalidade desvio. Com isso, foi rejeitada a acusação do Ministério Público Federal (MPF) de que ele teria utilizado os serviços de uma secretária parlamentar paga pela Câmara dos Deputados para atuar em sua produtora de vídeo (Night and Day Promoções Ltda.) entre os anos de 1997 e 2001.


“Fiz na cidade de São Paulo a redução de velocidade [nas principais vias], que diminuiu em 35% o número de acidentes nessa cidade”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate da Band em 1º de outubro de 2020

EXAGERADO

O Relatório Anual de Acidentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de 2016 indica que, no ano de 2016, houve 16.052 acidentes de trânsito com vítimas em São Paulo. Em 2015, ano em que a redução de velocidade foi implementada, o número havia sido de 20.260, o que indica uma redução de 20,7% – inferior, portanto, aos 35% citados por Tatto. A redução dos limites de velocidade na cidade de São Paulo foi iniciada em julho de 2015.

Editado por: Chico Marés, Marcela Duarte, Maurício Moraes e Natália Leal

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