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Foto: Silvio de Andrade
Foto: Silvio de Andrade

#Verificamos: Não há indícios de que incêndios no Pantanal foram causados pelo MST

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.out.2020 | 18h39 |

Circula nas redes sociais uma publicação que associa o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e João Pedro Stédile, membro da direção nacional da entidade, aos incêndios no Pantanal. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A polícia federal está investigando os incêndios criminosos que estão acontecendo no Pantanal, segundo superintendente da PF, há fortes indícios de que o MST e ONGs ligadas ao terrorista João Pedro Stédile estejam agindo ilegalmente, devemos ressaltar que Stédile já fez graves ameaças no sentido de “incendiar o Brasil” caso Bolsonaro vencesse as eleições.

O líder do MST vive  atualmente na Venezuela onde tem o seu grupo terrorista à serviço do ditador Nicolás Maduro”
Texto compartilhado no Facebook que, até as 17h30 do dia 2 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado por 5,7 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A Polícia Federal disse que “não se manifesta sobre eventuais investigações em andamento” e que ações e operações são divulgadas oficialmente no site da corporação. “Qualquer informação que circule nas redes sociais que não tenha partido dos nossos canais oficiais de comunicação é de total responsabilidade de quem a divulgou”, diz a nota da PF.

Não foi localizada no site da PF nenhuma informação que relacione investigação sobre as queimadas no Pantanal ao MST ou a João Pedro Stédile. A última nota divulgada pela instituição a respeito da apuração da responsabilidade criminal sobre incêndios na região pantaneira foi sobre a Operação Matáá, realizada no dia 14 de setembro pela superintendência de Mato Grosso do Sul. Na ocasião, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Corumbá e Campo Grande. Os nomes dos investigados não são citados na nota da PF.

A assessoria de imprensa do MST disse, em mensagem no WhatsApp, que não é a primeira vez que a acusação contra o movimento é divulgada, mesmo sem provas. Também negou que Stélide mora na Venezuela, e informou que ele vive com a família no Brasil.

O texto compartilhado também faz referência a uma declaração falsa atribuída a Stédile, no qual ele ameaça “incendiar o Brasil” contra o presidente Jair Bolsonaro. Esse conteúdo já foi verificado pela Lupa

Nota:  ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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