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#Verificamos: É montagem ‘conversa’ entre Ciro Gomes e membros de facções criminosas

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.out.2020 | 20h15 |

Circula nas redes sociais uma suposta conversa entre o que seria um membro de uma facção criminosa e o vice-presidente do PDT, Ciro Gomes. No diálogo, Ciro teria citado Bolsonaro e, em um dos trechos, concordado com o argumento de uma pessoa indicada como “líder da facção”. Por projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“[Ciro Gomes] A ‘bucha’ é outra, mas pro mal também. Porra, estão torturando alguém e o responsável sou eu.
[Líder da Facção] Eu aprendi que eu tenho que ver o que eu vou fazer pelo comando e não o que o comando vai fazer por mim.
[Ciro Gomes]Esse argumento eu entendo”
Trecho de conversa atribuída a Ciro Gomes publicada no Facebook que, até as 20h do dia 07 de outubro, foi compartilhada por 82 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo é uma montagem que juntou conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) entre membros de facções criminosas com trechos de uma entrevista concedida por Ciro Gomes ao humorista Maurício Meirelles, de 2019.  A edição dá a impressão de que o vice-presidente do PDT estaria conversando com o Comando Vermelho, o que não é verdade. 

Os áudios dos criminosos foram divulgados no âmbito da Operação Cravada, que prendeu lideranças do núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), em julho de 2019. Os diálogos que aparecem na peça de desinformação foram originalmente gravados em uma reunião entre 11 membros da facção. Na conversa, um integrante chamado de “Facínora” diz: “o que eu não posso mano, é ficar parado sabendo aí, que tem aí, 700 a 800 mil de compromisso e ajudas a serem pagas aí”. Em outros momentos, também afirma: “eu aprendi que tem que ver o que eu vou fazer pelo comando e não o que que o comando vai fazer por mim”. 

Estas falas foram recortadas e sobrepostas a declarações de Ciro em uma participação no programa Desencontro, de Mauricio Meirelles, de setembro de 2019. Entre os trechos do vídeo original, ele diz, no minuto 2’45: “A bucha é outra, mas pro mal também”, para comparar a dificuldade de ser governador do Ceará e presidente do Brasil. 

Em outro momento, quando fala sobre problemas que enfrentava no governo, conta que acordava de madrugada e pensava “p***, estão torturando alguém e o responsável sou eu.” 

Pelo Whatsapp, a assessoria de imprensa de Ciro Gomes confirmou que a conversa é falsa e que o vídeo foi editado usando trechos da entrevista publicada no dia 16 de setembro de 2019.

Esta afirmação também foi checada por Boatos.org.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Chico Marés

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