A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

#Verificamos: Sem provas, denúncia de ‘fraude’ nas eleições de 2018 foi analisada e rechaçada pelo TSE

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.out.2020 | 18h18 |

Circula pelas redes sociais que um advogado e um engenheiro protocolaram uma denúncia de fraude das eleições de 2018, mostrando que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria vencido no primeiro turno. Segundo o post compartilhado no Facebook, essa denúncia não teria sido contestada até o momento. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Fraude nas urnas! Advogado e engenheiro protocolaram denúncias de fraude nas eleições de 2018. Análises matemáticas tiradas de dados oficiais do TSE indicam vitória de Bolsonaro no 1º torno. Os dados são robustos e ainda não foram contestados”
Texto em imagem compartilhada no Facebook que, até às 19h do dia 7 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado quase 600 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A acusação de fraude no primeiro turno das eleições de 2018 apresentada pelo advogado Ricardo Freire e pelo engenheiro Vicente Paulo de Lima foi analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contudo, os autores não apresentaram nenhuma prova ou indício concreto de que houve fraude. No documento eles fazem apenas suposições com base em dados veiculados pelo canal de televisão GloboNews no dia da votação.

Por causa disso, o tribunal decidiu não acatar a acusação. “Informo que todos os fatos relatados foram objeto de análise pela Secretaria de Tecnologia da Informação deste Tribunal e rechaçados”, disse o órgão. No documento, o tribunal apontou que os dados veiculados inicialmente não condiziam com a apuração em tempo real e que “as divergências percentuais apontadas na inicial são fruto de uma coleta de dados equivocada, causada pela falha da empresa contratada pelo TSE para distribuição dos dados.”

A tese da acusação é de que seria “matematicamente difícil” o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (então PSL) ter obtido apenas 46% dos votos no primeiro turno. Para justificar, o advogado e engenheiro citam os resultados mostrados pela GloboNews, da Rede Globo, no dia da votação. Na ocasião, a emissora estava mostrando, em tempo real, a apuração nas urnas nos estados brasileiros. 

Segundo a acusação, Minas Gerais e São Paulo apareciam como “0% apurados” na primeira divulgação parcial dos dados de votação para presidente (que só começam depois que a votação é encerrada em todo o país, duas horas depois do encerramento da votação no Sudeste). Bolsonaro aparecia com 49,02%. Sendo assim, a tendência seria de que seu percentual de votos aumentasse, e não diminuísse, visto que ele fez mais de 50% dos votos nesses dois estados. 

Contudo, nenhum desses dados foi fornecido pelo TSE, e sim retirados da transmissão ao vivo da GloboNews. Segundo o TSE, houve problemas técnicos durante a divulgação oficial dos resultados, por causa da sobrecarga do sistema. Sendo assim, “nem a Rede Globo, nem qualquer outra agência de notícias possuía dados com total coerência em tempo real”, segundo documento do próprio tribunal

Em ofício, o TSE explicou que “a divulgação da evolução dos resultados não tem qualquer impacto no resultado final”. Explicou, também, que houve dificuldades técnicas nos estados de São Paulo e Minas Gerais no dia da votação, o que explica a maioria das supostas discrepâncias apontadas. “A dificuldade de acesso aos dados da Justiça Eleitoral foi reclamada por diversas agências de notícias, entre elas a Rede Globo e outras. Em documento remetido pela Rede Globo ao TSE, é possível observar que a emissora registra, às 18h43, que os dados referentes a São Paulo e Minas Gerais foram digitados manualmente”, diz o texto. 

O TSE explicou também que ocorrência da falha técnica está relacionada com a empresa contratada para divulgação dos resultados das eleições. A infraestrutura da empresa não conseguiu suportar a quantidade de acessos realizados na plataforma, o que resultou em “instabilidades severas”.

Essa informação também foi verificada pelo Estadão Verifica e o Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo