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Lupa na Ciência: Novo coronavírus pode sobreviver por até 9 horas na pele, indica estudo

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.out.2020 | 12h00 |

O que você precisa saber?

 

  • Um estudo avaliou, pela primeira vez, o tempo que o novo coronavírus permanece ativo na pele humana. Segundo a pesquisa, ele pode ficar vivo por até 9 horas
  • Esse é um período muito maior quando comparado com a Influenza A, um dos vírus responsáveis pela gripe sazonal, que se mantém ativo por cerca de 2 horas na pele
  • A pesquisa indicou, ainda, que quando o vírus está misturado com muco (aquele que é expelido quando uma pessoa tosse ou espirra), esse tempo de permanência é ainda maior, e pode chegar a 11 horas
  • A nova descoberta reforça a importância de que as medidas de higiene como lavagem constante das mãos e uso de álcool gel sejam mantidas para evitar novas ondas de contágio 
  • Os pesquisadores avaliaram que ambos os vírus são desativados em cerca de 15 segundos quando em contato com álcool em gel 80%

O novo coronavírus pode permanecer ativo (ou seja, com potencial de infecção) na pele humana por muito mais tempo do que os vírus da gripe comum, de acordo com estudo publicado na última semana no periódico Clinical Infectious Diseases. A pesquisa, feita por um grupo de especialistas da Universidade Distrital de Medicina de Kyoto, no Japão, apontou que, enquanto o SARS-CoV-2 sobrevive por até 9 horas na superfície do corpo, uma cepa do vírus influenza A (um dos responsáveis pela gripe sazonal) permaneceu viável na pele humana somente por cerca de 2 horas. Felizmente, ambos os vírus foram rapidamente inativados com o uso de álcool gel com pelo menos 80% de etanol. De acordo com os autores do estudo, a descoberta reforça que há um grande risco de infecção pelo contato entre pessoas não só pela proximidade com alguém contaminado, mas também pelo contato, dada a longa permanência na pele, e se soma às evidências de que a correta higiene das mãos é fundamental para frear a pandemia. 

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores isolaram amostras de pele humana obtidas a partir da autópsia de cadáveres aproximadamente um dia após a morte dos pacientes e criaram modelos que simulam, com precisão, o que ocorreria em uma situação normal, ou seja, em uma pessoa viva. Eles então colocaram amostras do SARS-CoV-2 e do vírus da Influenza nesses modelos para medir quanto tempo o vírus permanecia ativo. O grupo também aferiu a estabilidade de ambos vírus quando misturados em secreções mucosas, como as que expelimos quando tossimos ou espirramos. 

O estudo, que é inédito, indicou que o vírus pode permanecer ativo por cerca de 9,04 horas, comparado com 1,82 horas do Influenza A. Quando as amostras eram misturadas com muco, o tempo em que o patógeno se manteve estável subiu para até 11h no caso do novo coronavírus. Em uma terceira etapa da pesquisa, as amostras de pele contaminadas foram submetidas a um desinfetante para as mãos com etanol a 80%, e constatou-se que ambos os vírus foram inativados em cerca de 15 segundos. 

“Esses achados apoiam a hipótese de que a higiene adequada das mãos é importante para a prevenção da disseminação da SARS-CoV-2. Assim, este estudo pode contribuir para o desenvolvimento de melhores estratégias de controle no contexto da Covid-19, visando prevenir a ocorrência de uma segunda ou terceira onda desta pandemia”, observaram os autores. Eles reconhecem que a pesquisa tem algumas limitações, como por exemplo o fato de não ter sido levado em consideração se a quantidade de partículas virais que sobreviveram na pele após algumas horas eram suficientes para contaminar outra pessoa por contato.  Além disso, só foi usada uma cepa do novo coronavírus para o estudo, enquanto existem diversas variantes dele no ambiente. Mesmo assim, os pesquisadores apontam que o estudo traz evidências importantes sobre os cuidados que devem ser adotados para evitar novos surtos da doença. 

A recomendação sobre a higienização constante das mãos já vem sendo feita desde o início da pandemia. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, por exemplo, recomenda o uso de produtos para desinfetar as mãos à base de álcool com porcentagens de 60% a 95%, além da lavagem frequente das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Essa orientação se soma às outras medidas que devem seguir sendo cumpridas para evitar novas ondas de contágios, como o distanciamento social e o uso de máscaras. 

Superfícies

A mesma avaliação foi feita em superfícies de cobre, de aço inoxidável e de papelão. No caso das três superfícies avaliadas, a conclusão foi semelhante à de estudos anteriores, que indicam que o novo coronavírus tem uma duração de até quatro horas em superfícies de cobre, 24 horas em papelão e similares, e 72 horas em aço inoxidável. Todas foram, em sua maioria, até oito vezes maiores que as do Influenza A. 

Fontes:

Clinical Infectious Diseases. Artigos disponível em:
https://academic.oup.com/cid/advance-article/doi/10.1093/cid/ciaa1517/5917611

New England Journal of Medicine. Artigo disponível em:
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2004973

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em:
https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/26/7/20-0885_article

Nota: o projeto Lupa na Ciência é uma iniciativa da Agência Lupa contra  a desinformação em torno do novo coronavírus e da Covid-19 e conta com o apoio do Google News Initiative. Para saber mais, clique aqui.

Editado por: Chico Marés

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