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#Verificamos: É falso cartaz que oferece recompensa a quem denunciar suposto chefe de assentamento do MST por estupro no Maranhão

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.out.2020 | 20h01 |

Circula pelas redes sociais a imagem de um cartaz que oferece recompensa para quem denunciar um homem acusado de ter “invadido uma fazenda e estuprado mãe e filha” no município de Bacabal, no interior do Maranhão. Segundo a publicação, que mostra foto do suspeito, ele era chefe de um “assentamento sem terra”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Gente, esse velho era chefe de um assentamento sem terra. No 21 de agosto de 2020, ele invadiu uma fazenda e estuprou uma mulher 30 anos e sua filha de 10 anos no município de Bacabal-MA na zona rural. Vamos tornar esse vagabundo famoso e assim ser preso.”
Texto de post publicado no Facebook que, até as 14h30 do dia 16 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado 6,8 mil vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não foi registrado nenhum caso de estupro de mãe e filha nos últimos meses em Bacabal, município localizado a 240 quilômetros de São Luiz, no Maranhão. A Polícia Civil do estado informou que não recebeu qualquer denúncia formal a respeito do caso mencionado.

Em nota via WhatsApp, a assessoria de imprensa da corporação também explicou que não costuma utilizar cartazes de “procura-se” nas suas investigações. De acordo com a delegada responsável pela Delegacia Especial da Mulher (DEM) de Bacabal, o crime citado na publicação jamais foi noticiado.

O número indicado no cartaz é da sede da Polícia Civil do Maranhão, localizada na capital. Nenhum caso similar ao reportado no post era do conhecimento dos agentes que estavam no local na tarde de sexta-feira.

Além disso, não há nenhum assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na região. Em nota enviada por WhatsApp, a assessoria de imprensa do MST informou que o movimento desconhece o homem que aparece na foto. Também disse que a coordenação do Maranhão não conhece qualquer pessoa com o nome João Alves na direção estadual.

Por meio de pesquisa reversa de imagens no Google, não foi possível localizar a origem ou fotos semelhantes ao do homem que aparece na denúncia. A busca no TinEye, outra ferramenta de pesquisa reversa, também não identificou nenhuma outra imagem que combinasse com a da pessoa do cartaz.

Nota: ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌

Editado por: Chico Marés

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