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Antônio Carlos (PCO) erra ao falar da esquerda e de seu próprio partido

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.out.2020 | 14h29 |

O candidato a prefeito de São Paulo Antônio Carlos (PCO) criticou a postura de setores da esquerda, que pregam a formação de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo em parceria com o UOL. Ele é contrário a alianças com setores que classifica como golpistas, por apoiarem o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Na entrevista, ele também criticou a cláusula de barreira, a violência policial e a crise econômica causada pela pandemia, entre outros temas. A Lupa checou algumas das frases ditas pelo candidato durante a sabatina.  Veja, a seguir, o resultado:

“O Boulos (…) dizia, tem declarações na imprensa, de que a pior coisa que se podia fazer era apoiar a Dilma, atacando abertamente”

Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020.

FALSO

Ao contrário do que afirma o candidato, não há registro na imprensa de que Guilherme Boulos (PSOL) tenha dito que apoiar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) seria “a pior coisa a se fazer” durante o processo de impeachment. O candidato não se manifestou de forma favorável à saída da presidente . Pelo contrário: em 6 de maio de 2016, apenas seis dias antes do afastamento da presidente, ele participou de um evento do programa Minha Casa Minha Vida, com a presença de Dilma. Na ocasião, ele declarou que “nem com muito desinfetante vão limpar o golpe que está ocorrendo neste país”.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato enviou uma entrevista de Boulos ao site Opera Mundi em outubro de 2015, na qual o candidato do PSOL fazia críticas às políticas do governo Dilma antes da abertura do processo de impeachment. Boulos chega a dizer que “Defender as políticas deste governo é optar pelo abraço dos afogados, a desmoralização total da esquerda”, mas não usa as palavras mencionadas por Antônio Carlos.


“O PCO é o terceiro partido com maior número de candidatos nas capitais brasileiras: 20 candidatos”
Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

FALSO

O PCO tem candidaturas confirmadas em 15 capitais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio De Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI). É o quarto partido com mais candidatos nas capitais do país. As informações são do TSE. O partido com maior número de concorrentes entre as capitais é o PSOL, com representantes em 23 capitais. O PT está em segundo, com 21 candidatos. O PSTU aparece como terceiro, com 17 concorrentes. 

Procurada, a assessoria do candidato disse que, além das capitais citadas, o partido está registrando candidaturas em outras cinco por ação na Justiça.


“Nosso partido, [PCO] que é um dos que mais crescem no país (…)”
Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

EXAGERADO

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, entre setembro de 2016 e setembro de 2020, o PCO foi apenas o 10º partido em crescimento do número de filiados no país. A legenda passou de 2.931 integrantes para 4.352, o que indica um aumento de 48,5% nesse período. Ao todo, 17 partidos cresceram entre as duas eleições municipais, enquanto 19 perderam membros.

As maiores variações foram registradas pelo Novo, que foi de 3.545 filiados para 42.158, ou seja, subiu 1.089,2%; Patriota, que passou de 69.948 para 331.668, equivalente a um aumento de 374,2%; e Podemos, cujo número de integrantes subiu de 159.833 para 409.074, um acréscimo de 155,9%.

Atualmente, o PCO é o segundo partido ativo com menos filiados no Brasil, segundo o TSE. Apenas o Unidade Popular, criado em 2020, tem menos filiações: 1.116. 

A assessoria de Antônio Carlos afirmou que ele se referia a um levantamento de 2016 a 2020, em valores percentuais.


“6,3 mil mortes [por intervenção policial no ano passado] […]. 40% desses casos estão em São Paulo e no Rio de Janeiro”

Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

VERDADEIRO

No domingo (18), o Fórum de Segurança Pública divulgou o 14º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, que mostra que, em 2019, foram mortas 6.357 pessoas em decorrência de intervenção policial (página 55). Rio de Janeiro e São Paulo somam 2.677 entre essas mortes, representando 42,1% do total. 


“Em 10 anos [a polícia] matou mais 50 mil pessoas no país”

Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

EXAGERADO

De acordo com os últimos dados disponíveis do Anuário de Segurança Pública, de 2008 a 2018, foram registradas 33.604 mortes em decorrência de intervenção policial e em confronto com a polícia. As informações são dos anuários de 2019 e 2013

Procurado, o candidato não comentou.


“10 partidos, como o PCO, foram excluídos pela reforma eleitoral de 2017 do horário eleitoral gratuito”

Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

A Emenda Constitucional 97, aprovada pelo Congresso em 2017, criou a chamada cláusula de desempenho. Por essa regra, partidos que não atingiram uma determinada quantidade de votos nas eleições de 2018 deixaram de ter acesso ao horário eleitoral gratuito. 10 partidos não atingiram essa cláusula: PMN, PTC, DC, Rede, PCB, PCO, PMB, PRTB, PSTU e UP.

A emenda estabeleceu as seguintes regras: para ter acesso ao horário eleitoral, os partidos precisavam atingir ao menos 1,5% dos votos válidos nas eleições de 2018 para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação (nove unidades), com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma. As regras vão se tornando mais rígidas, com exigências gradativas até 2030.

O candidato citou o “caráter antidemocrático” da medida, mas a emenda foi aprovada pelo Congresso e não impede a existência e organização de partidos políticos, apenas estabelece critérios mais rígidos para o acesso a recursos públicos.


“Ciro Gomes se alia ao DEM […] apoiando o candidato do Antônio Carlos Magalhães [Neto] na Bahia”

Antônio Carlos Silva (PCO), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 19 de outubro de 2020

VERDADEIRO

O Partido Trabalhista Brasileiro (PDT), partido de Ciro Gomes, está apoiando Bruno Reis (DEM), vice-prefeito de Salvador e candidato do atual prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM). Ana Paula Matos, ex-secretária municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) da gestão ACM Neto, foi indicada pelo PDT como vice na chapa. Ciro participou de forma remota, inclusive, da convenção que homologou a aliança.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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