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#Verificamos: É falso que nanorrobôs serão introduzidos em vacinas da Covid-19 para alterar DNA humano

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.out.2020 | 18h58 |

Circula nas redes sociais a informação de que nanorrobôs serão introduzidos nas vacinas da Covid-19 para alterar o DNA e o cromossoma humano. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Nanorobôs na vacina do Covid-19, para alterar o DNA do ser humano”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 15h do dia 20 de outubro de 2020, tinha mais de 110 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Vacinas sobre plataformas de DNA não alteram o código genético de células humanas. Tampouco existem imunizantes com nanorrobôs tanto entre os que estão em estudo clínico para a Covid-19 como entre os que já estão em uso para outras doenças.

As vacinas que usam a tecnologia de DNA funcionam da seguinte maneira: uma parte dos genes de um determinado patógeno é inserida em plasmídios, molécula de ácido nucléico presente em bactérias. Esses plasmídios, então, são injetados no corpo humano e entram nas células, onde passam a produzir partes do agente causador da doença. Isso gera uma resposta imunológica do organismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que essa tecnologia garante que, quando o hospedeiro for confrontado com esse agente infeccioso, o sistema imunológico poderá adequadamente neutralizá-lo antes que cause qualquer efeito prejudicial. Segundo a entidade, das 44 vacinas candidatas na fase de ensaios clínicos, ou seja, sendo testadas em humanos, apenas quatro utilizam o DNA como base. Entretanto, dos 10 imunizantes que estão na fase 3 de testes clínicos – última etapa das análises –, nenhuma usa o DNA na sua formulação.

Sobre a questão dos nanorrobôs, o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que não existem imunizantes com nanorrobôs introduzidos entre os que estão em estudo clínico para a Covid-19 nem entre os que já estão em uso para outras doenças. “Apesar de a tecnologia ter progredido muito com o objetivo de se conseguir tratamento e diagnósticos, não existe essa colocação de um nanorrobô em uma vacina para a população ser observada ou controlada”, afirma.

O que existem, na verdade, são vacinas em desenvolvimento baseadas em nanotecnologia, a exemplo da que está sendo estudada pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), da Universidade de São Paulo (USP). Entretanto, estão relacionadas às proteínas e não com nanorrobôs. Neste caso, proteínas do vírus são montadas em nanopartículas, estruturas muito pequenas, que se parecem com o vírus, e que podem levar a uma resposta imune mais forte. “São estruturas muito pequenas e que podem ser de vários tipos, como polímeros, lipídios e proteínas. Essa estrutura mimetiza as características do vírus e pode ser desenvolvida com diferentes propósitos, como, por exemplo, proteger uma proteína ou aumentar o tempo de circulação de uma proteína”, explica a pesquisadora Mariana Favaro, pós-doutoranda do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB, em entrevista ao Jornal da USP.


“Não foi ‘plojetada’ para matar o vírus e sim alterar o cromossoma humano”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 15h do dia 20 de outubro de 2020, tinha mais de 110 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há a possibilidade de a vacina alterar o cromossoma humano, que é uma estrutura altamente organizada de uma célula, que contém o material genético de um organismo, explica o médico Juarez Cunha, da SBIm.

O especialista explica ainda que a função da vacina, em geral, é melhorar a proteção individual e coletiva. No caso das vacinas que usam os vírus inativados, eles são inseridos no corpo para estimular o sistema imune do organismo. Após a vacinação, o corpo passa a produzir anticorpos e fica imune ao patógeno, sem ter passado pela infecção real. Este é o caso da CoronaVac, imunizante produzido pela farmacêutica chinesa Sinovac. “No contato com o vírus selvagem, os anticorpos vão estar prontos para combater aquele que seria o causador da doença”, afirma o médico.

No caso das vacinas de DNA, como dito anteriormente, uma molécula geneticamente modificada produz uma determinada parte do microorganismo, o que estimula a produção de defesas contra o vírus, por exemplo.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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