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#Verificamos: É falso que urnas eletrônicas do DF foram violadas nas eleições de 2018

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.out.2020 | 15h05 |

Voltou a circular nas redes sociais um vídeo que mostra dois policiais militares do Distrito Federal relatando a existência de fraude em urnas utilizadas no primeiro turno das eleições de 2018. Segundo os policiais, as urnas já teriam votos registrados antes do início da votação. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Estou aqui na sede da Polícia Federal, fui acionado por um representante do TSE, responsável pela verificação das urnas, coleta de dados e envio. Ele informou que quando foi confirmar a chave dele, deu erro, a urna que deveria estar zerada já veio com suspeita de votos impressos. Informou ao responsável do TRE, e esse responsável passou para ele que ele deveria fazer da forma que tava e enviar. Ele se negou, fez contato com outros colegas do TI, esse problema é no DF, segundo informações que ele repassou é no Brasil inteiro”
Vídeo publicado no Facebook que, até as 14h do dia 20 de outubro de 2020, tinha mais de 320 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em outubro de 2018, logo após a publicação do vídeo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu uma nota afirmando que a alegação era falsa. De acordo com apuração do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), o que houve, na verdade, foi um “desconhecimento técnico” do colaborador contratado.

O TRE-DF explicou que tanto o boletim de urna (contabilização dos votos inseridos na urna) quanto a zerésima (documento que demonstra que a urna não apresenta votos computados no início da votação) daquela seção eleitoral foram emitidos sem qualquer alteração. Segundo a apuração, houve apenas uma atualização do sistema, da qual o mesário eleitoral havia sido devidamente informado, mas não acreditou na informação.

O tribunal Informou ainda que os policiais que gravaram o vídeo em frente à sede da Polícia Federal (PF) em Brasília estavam ali para acompanhar o depoimento do homem que denunciou o suposto mau funcionamento da urna eletrônica. “No entanto, a PF informou que, após colhidos os depoimentos, não houve comprovação de fraude”, diz a nota do TSE.

Punição a PMs

O Ministério Público do Distrito Federal se manifestou favoravel à abertura de procedimento criminal contra os policiais militares. Para o promotor de Justiça Thiago Pierobom, os militares não seguiram o protocolo de atuação e “assumiram o risco de contribuir para a pertubação da normalidade dos trabalhos eleitorais”.

Na nota publicada em janeiro de 2019, o MP explica que o procedimento correto seria comunicar os fatos imediatamente ao juiz eleitoral e ter autorização do superior hierárquico para divulgar informações pendentes de investigação. O inquérito foi baseado no artigo 296 do código eleitoral, que prevê como crime “promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais”. A pena prevista é de dois meses detenção e pagamento de multa.

Em maio de 2019, o MP informou que os dois policiais militares aceitaram um acordo de transação penal. Ficou acertado que cada um teria de pagar um salário-mínimo (na época, de R$ 998) à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace).

Informação similar foi checada por Comprova e Fato ou Fake.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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