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#Verificamos: É falso que vacina chinesa matou mais de 2 mil voluntários

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.out.2020 | 21h41 |

Circula pelas redes sociais um texto sobre a Coronavac, vacina em desenvolvimento contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O texto afirma que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), vai obrigar os paulistas a tomarem uma vacina que “matou mais de 2 mil pessoas” e que “altera o DNA”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Na Inglaterra um jovem está tetraplégico [por causa da Coronavac]”
Texto compartilhado no Facebook que, até às 15h do dia 21 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado mais de 300 pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não houve a realização de testes da Coronavac na Inglaterra. As duas primeiras fases de testes foram realizadas na China, enquanto a terceira está sendo realizada no Brasil, na Indonésia e na Turquia, além da própria China. Segundo o Instituto Butantan, até o momento, não houve efeito adversos graves em voluntários que receberam a vacina

Na Inglaterra, testes de outra vacina, que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford com o laboratório Astrazeneca, foram interrompidos após um voluntário apresentar sintomas de mielite transversa, um tipo de inflamação na espinha dorsal. Contudo, após análise do caso, os pesquisadores concluíram que os sintomas não estavam ligados à vacina, e os testes foram retomados. Não há registro de que o paciente tenha ficado tetraplégico.


“Na China dizem que houve 2.034 mortes de cobaias por efeitos adversos [da Coronavac]”
Texto compartilhado no Facebook que, até às 15h do dia 21 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado mais de 300 pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A vacina Coronavac não causou a morte de 2.034 pessoas por “efeitos adversos”. Os resultados dos testes da primeira e segunda fase ainda não foram publicados em revistas científicas, mas algumas informações foram disponibilizadas no site da empresa. Segundo a companhia, não houve efeitos adversos graves em 743 voluntários dessas duas fases.

Em setembro, a Sinovac, responsável pelo desenvolvimento da vacina, anunciou resultados de testes da terceira fase, realizados com 50 mil voluntários na China. 5% dos voluntários apresentaram efeitos colaterais, mas em quase todos os casos foram dores no local de aplicação, febre baixa e fadiga. Em 0,03% dos casos, efeitos adversos mais graves foram registrados, como febre alta. Não houve registro de mortes ou sequelas permanentes.


“Essa será a primeira vacina da historia da humanidade a mexer com o nosso DNA”

Texto compartilhado no Facebook que, até às 15h do dia 21 de outubro de 2020, tinha sido compartilhado mais de 300 pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A vacina Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac, está sendo desenvolvida a partir do vírus inativado, uma técnica tradicional de imunização. 

Em seu site, o Instituto Butantan detalha um pouco esse procedimento. Na produção da vacina, o vírus é inativado (“morto”) em laboratório por meio de um produto químico. Com a vacinação, o sistema imunológico da pessoa vacinada começa a reagir, produzindo mecanismos de defesa para o corpo. 

O Butantan explica que um conjunto de células é armazenada no corpo e, quando a pessoa é exposta pela segunda vez, o organismo consegue liberar os anticorpos necessários para combater o patógeno. Essa é uma das técnicas mais antigas da produção de vacinas, e é usada em imunizantes amplamente utilizados contra HPV, poliomielite, tétano, hepatite A e B, por exemplo.

Além disso, não existe nenhuma vacina no mundo que altera o DNA das pessoas. O que existem são imunizações desenvolvidas a partir do material genético do vírus ou bactéria que causam a doença, e que não tem qualquer efeito sobre genes humanos. Essa técnica está sendo utilizada no desenvolvimento de algumas vacinas contra Covid-19, mas não pela Sinovac.

A Lupa já verificou outros posts que afirmam que as vacinas contra o novo coronavírus interferem no material genético (veja exemplos aqui, aqui e aqui).

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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