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Orlando Silva exagera ao falar sobre a pandemia em SP na sabatina Folha/UOL

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.out.2020 | 16h52 |

O candidato à prefeitura de São Paulo Orlando Silva (PCdoB) foi o terceiro entrevistado na série de sabatinas Folha/UOL. Na entrevista, o candidato, que foi ministro dos Esportes e atualmente é deputado federal, falou sobre os efeitos da pandemia na capital paulista e projetos para combater o racismo em âmbito municipal. A Lupa checou algumas das frases ditas pelo candidato. Silva foi procurado para comentar, mas não respondeu até a publicação. Confira a análise:

“Houve uma redução de casos em São Paulo, o que levou a prefeitura a suspender o funcionamento dos hospitais de campanha”

Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 22 de outubro de 2020

EXAGERADO

O Hospital de Campanha de Pacaembu, um dos dois hospitais abertos pela prefeitura de São Paulo durante a pandemia, foi fechado em 29 de junho. Nessa data, o número de internações e óbitos registrado estava em queda, mas o número de casos tinha crescido em relação à semana anterior. 

Segundo o boletim epidemiológico da Prefeitura de São Paulo, em 29 de junho, havia uma queda de 6% em relação à semana anterior no número de internações, considerando a média dos últimos sete dias, e uma redução de 5,8% no número de óbitos por Covid-19. Entretanto, em relação ao número de novos casos, houve um aumento de 21,5% no município. Esse hospital tinha sido aberto em 6 de abril.

A outra estrutura temporária criada pela prefeitura é o Hospital Municipal de Campanha do Anhembi, que encerrou suas atividades no dia 8 de setembro. O boletim epidemiológico do dia informava que havia uma redução de 26,6% no número de óbitos por Covid-19, na média de sete dias, e uma diminuição média de 45,6% no número de casos, considerando o mesmo período. 


“O que você não pode fazer é entrar na casa da pessoa e impor com que ela aceite a vacinação [da Covid-19], isso não existe”

Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 22 de outubro de 2020

EXAGERADO

De fato, a legislação não prevê a invasão de um domicílio para que alguém tome uma vacina. Entretanto, ela permite que o imunizante seja obrigatório. O artigo terceiro da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), determina que as autoridades poderão adotar, no âmbito de suas competências, a obrigatoriedade de vacinação contra a Covid-19. A lei se originou do Projeto de Lei nº 23, de 2020, de iniciativa do governo federal. 

Vale salientar que a portaria do Ministério da Saúde nº 597, de 8 de abril de 2004, afirma que o indivíduo que não cumprir o calendário e não tomar todas as vacinas obrigatórias, não poderá se matricular em creches e em instituições de ensino, efetuar o alistamento militar ou receber benefícios sociais do governo. 

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) diz ainda que as crianças são obrigadas a serem vacinadas quando há recomendação das autoridades sanitárias. 


“O prefeito de São Paulo precisa enfrentar o desemprego. Hoje, os dados oficiais apontam uma taxa de pouco mais de 15% [de desempregados]”

Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 22 de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), vinculada ao governo de São Paulo, a taxa de desocupação na capital paulista estava em 15,3% no segundo trimestre de 2020. Esse é o dado mais recente sobre o assunto.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/T), que geralmente apresenta esse dado para as capitais brasileiras, foi publicada sem essas informações no segundo trimestre – estão disponíveis apenas dados de desocupação para estados e para o país. Na edição anterior, do primeiro trimestre, a taxa na capital paulista estava em 13,2%.


“(…) Caiu o número de pessoas vacinadas [em São Paulo]'”

Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 22 de outubro de 2020

VERDADEIRO

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou, em setembro, que a cobertura de vacinas que são obrigatórias na infância caiu durante a pandemia do novo coronavírus. Sete das oito vacinas aplicadas em crianças com até 2 anos tiveram redução na cobertura.

A queda de vacinação registrada na cidade segue o que ocorre no estado e no país. No estado de São Paulo, houve redução de 15% na cobertura vacinal neste ano, segundo a Diretoria Estadual de Imunização da Secretaria da Saúde. 

No Brasil, a tendência de queda no número de vacinas aplicadas em bebês e crianças é anterior à pandemia. Segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz, e publicado no periódico Journal of Infectious Diseases, o número de doses de vacinas aplicadas já estava em queda nos anos de 2018 e 2019.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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