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Goiânia: Elias Vaz exagera dados sobre saúde da mulher

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2020 | 17h26 |

O candidato à prefeitura de Goiânia Elias Vaz (PSB) ocupa a quarta posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 21 de outubro de 2020. Em sua campanha, tem participado de entrevistas e divulgado propostas em suas redes sociais. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Delegada Adriana Accorsi (PT), Vanderlan Cardoso (PSD) e Maguito Vilela (MDB) — terceiro, segundo e primeiro em intenções de voto na mesma pesquisa — também tiveram falas analisadas, e o resultado dessas verificações será publicado nos dias 29 de outubro, 3 de novembro e 5 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Elias Vaz:

“De 2014 a 2019, segundo o Caged, nós tivemos 16 mil pessoas que foram para o desemprego na cidade de Goiânia”
Elias Vaz (PSB), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina na Fieg no dia 28 de setembro de 2020

VERDADEIRO

Entre janeiro de 2014 e dezembro de 2019, o saldo entre empregos e desempregos foi de -16.248, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).


“(…) quase 80% das mulheres não fazem [exame] de câncer de mama e 85% não fazem da prevenção do câncer de colo de útero.”
Elias Vaz (PSB), candidato a prefeito de Goiânia, em entrevista à TV Goiânia no dia 20 de outubro de 2020

EXAGERADO

Foram feitos 39.254 exames preventivos do câncer de colo uterino (Papanicolau) pelo SUS em 2019 em Goiânia, ou seja, taxa de 26,6%. Com isso, o índice de mulheres que não fazem o exame de prevenção ao câncer de colo de útero é de 73,4%, menor do que os 85% apresentados pelo candidato.

O cálculo é feito levando em consideração que Goiânia tem 442.247 mulheres entre 25 e 64 anos, segundo estimativa da prefeitura. Esse número é, então, dividido por três porque, apesar de o Ministério da Saúde orientar que toda mulher que tem ou teve vida sexual faça o Papanicolau, após dois exames, ele deve ser feito a cada três anos.

Foram realizadas 16.799 mamografias pelo SUS em 2019 em Goiânia, o que representa 23,2% da população em questão. Isso significa que 76,8% não fazem o exame de câncer de mama, próximo ao dado apresentado pelo candidato. O cálculo leva em conta a estimativa populacional da prefeitura de Goiânia (página 11) por faixa etária, que mostra que a capital possui 145.094 mulheres entre 50 e 69 anos. Divide-se a população pela metade, conforme orientação do Ministério da Saúde de que o exame seja feito a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos.

A assessoria de imprensa do candidato informou que o cálculo sobre os exames de prevenção ao câncer de colo de útero foram feitos levando em consideração a faixa etária dos 40 a 69 anos (portaria nº 1.101 do Ministério da Saúde). No entanto, essa portaria foi substituída pela nº 1.631, que determina faixa etária entre 50 e 69 anos.


“Hoje, ele [sistema primário de Saúde] atinge menos de 60% da população”
Elias Vaz (PSB), candidato a prefeito de Goiânia, em entrevista à TV Goiânia no dia 20 de outubro de 2020

VERDADEIRO

O Ministério da Saúde aponta que aproximadamente 872,7 mil pessoas têm cobertura de atenção básica de saúde em Goiânia, o que representava 57,56% da população do município em 2019.


“Se a gente pegar os dados do período do 9º ano, de 2017, da Prova Brasil, (…) a gente vai ver que, quem completa o 9º ano, tem 36% que tem aprendizagem adequada da língua portuguesa e apenas 15% têm aprendizagem adequada de matemática.”
Elias Vaz (PSB), candidato a prefeito de Goiânia, em entrevista à TV Goiânia no dia 20 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Informações compiladas no portal QEdu, iniciativa da Fundação Lemann, apontam que a proporção de alunos da rede municipal que aprenderam o adequado de leitura e interpretação de textos até o 9º ano é de 34%. No caso de matemática, 12%. Os valores são próximos àqueles informados pelo candidato.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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