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Vacinas e pedágio na Ilha: erros de Glória Heloiza na sabatina Folha/UOL

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2020 | 19h16 |

Nesta terça-feira (27), a candidata Glória Heloiza (PSC) foi a segunda entrevistada da série de sabatinas da Folha de S.Paulo e do UOL. Durante a entrevista, ela comentou sobre a polêmica do pedágio na Ilha do Governador, falou sobre a pandemia de Covid-19 e também sobre sua relação política com o governador afastado Wilson Witzel (PSC). A Lupa checou algumas das declarações da candidata, que foi procurada para comentar, mas não respondeu até a publicação. Confira:

“Se (…) algumas doenças foram erradicadas e voltaram não é por conta só da vacina. É por falta de atenção básica primária”
Glória Heloiza (PSC), candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 27 de outubro de 2020

FALSO

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, a vacinação é determinante no processo de erradicação de doenças como a varíola, o sarampo e a poliomelite e continua sendo fundamental no controle de doenças já consideradas erradicadas. Reportagem da BBC mostrou que o primeiro surto de sarampo no Brasil desde o ano 2000 aconteceu entre 2013 e 2015, logo após o registro de queda brusca das taxas de vacinação para a doença nos estados do Ceará e Pernambuco.

A falta de vacinação adequada pode inclusive causar o ressurgimento de doenças em países com sistemas públicos de saúde bem estruturados. No caso do sarampo, na última década, surtos foram registrados no Reino Unido e na França. 

Pesquisadoras da Fundação dizem, ainda, que a vacinação não beneficia somente quem recebeu a dose. “Diminuindo a circulação dos vírus e bactérias que causam as doenças, beneficia a população como um todo”, apontam. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também informa que a cobertura vacinal de ao menos 95% da população pode garantir a eliminação de doenças como a caxumba e a rubéola. Alguns tipos de poliomielite e o sarampo foram erradicados com vacinas. A OMS afirma, ainda, que doenças erradicadas localmente podem voltar a aparecer se o agente infeccioso for reintroduzido.

Em nota, a assessoria da candidata respondeu que ele quis dizer que muitas vacinas não chegam nos pontos de atendimento aos cariocas. Ela citou como exemplo um episódio no qual a vacina de H1N1 não foi disponibilizada em postos de saúde da Zona Oeste do Rio.


“Ele [Marcelo Crivella] não explicou é quando é que ele vai voltar a cobrar essa tarifa [da linha amarela]”

Glória Heloiza (PSC), candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 27 de outubro de 2020

FALSO

No dia 19 de outubro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, explicou que pretende não cobrar o pedágio da linha amarela “até o final da pandemia” e que, se eleito, a tarifa voltará a ser cobrada no próximo ano. “Nossa proposta para a linha amarela é manter o pedágio no ano que vem a R$ 4,30, que é o mesmo que se cobra na Ponte Rio-Niterói, que tem o mesmo tamanho e o mesmo fluxo de automóveis”, disse Crivella.

A disputa entre a prefeitura do Rio e a Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, começou no ano passado. Em setembro de 2019, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que o município poderia assumir a gestão da Linha Amarela. Em sua decisão, o presidente do STJ, Humberto Martins, disse que impedir a prefeitura de encampar a via expressa “causa lesão à ordem pública e administrativa do Município.”

No dia 25 de outubro de 2019, o prefeito Crivella anunciou o rompimento do contrato com a empresa e disse que o preço da tarifa era abusivo. Com essa medida, o pedágio deixou de ser cobrado e agentes da prefeitura retiraram as cancelas do local. A Lamsa disse que a ação “descumpriu decisões judiciais” e mobilizou profissionais para restaurarem as cancelas. 

No dia 28 de outubro de 2019 a Justiça concedeu uma liminar para que a Lamsa voltasse a cobrar o pedágio da linha amarela. Mas a prefeitura não desistiu da ação e, nos dias seguintes, Crivella encaminhou um projeto de lei para que a prefeitura voltasse a assumir a linha amarela. A proposta foi aprovada pelos vereadores. Mas, em novembro, a Justiça suspendeu a lei, e a Lamsa voltou a controlar o pedágio

Em nota, a assessoria da candidata respondeu que, mesmo dizendo que voltará a cobrar até o fim da pandemia, “ele continua não explicando quando vai voltar a cobrar”. “Como ainda não há previsão de quando a vacina contra a Covid-19 estará disponível para a população, ele continua não estabelecendo a data para dar início à cobrança”, diz.

Atualização às 20h do dia 27 de outubro de 2020: Checagem atualizada para incluir resposta da candidata.


“Quando a gente fala da necessidade de armar a guarda municipal a gente quer deixar claro que isso é um direito que já foi conquistado em lei”
Glória Heloiza (PSC), candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O Estatuto do Desarmamento (lei 10.826/2003) prevê que guardas municipais de cidades com mais de 500 mil habitantes possam andar armados. Porém, isso precisa estar previsto na Lei Orgânica do município em questão. Atualmente, a legislação do município do Rio não permite que esses agentes façam uso de armas de fogo. A norma atual permite apenas que eles façam uso de arma não-letal.  

Na semana passada, a Lupa publicou uma reportagem mostrando que um terço dos candidatos do Rio propõem, em seus programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizar o uso de arma de fogo pela Guarda Municipal carioca. Embora os prefeitos possam propor alterações na Lei Orgânica, peça de legislação semelhante às constituições dos estado e da União, cabe somente aos vereadores votá-las e promulgá-las.


“A minha filiação ocorreu ali na segunda quinzena de março”
Glória Heloiza (PSC), candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO

A ex-juíza assinou a filiação ao Partido Social Cristão (PSC) no dia 16 de março de 2020. Essa informação consta no Sistema de Filiação Partidária, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

Editado por: Chico Marés

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
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FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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