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São Paulo: Márcio França erra ao falar sobre aumento no número de alunos na Univesp

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2020 | 16h00 |

O candidato à prefeitura de São Paulo Márcio França (PSB) ocupa a quarta posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Datafolha em 23 de outubro de 2020. Em sua campanha, tem participado de entrevistas e divulgado propostas em suas redes sociais. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Guilherme Boulos, Celso Russomanno e Bruno Covas — terceiro, segundo e primeiro em intenções de voto na mesma pesquisa — também tiveram falas analisadas, e o resultado dessas verificações será publicado nos dias 29 de outubro, 3 de novembro e 5 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse  Márcio França:

“Eu queria lembrar que quando eu fui governador de São Paulo (…), a Universidade Virtual do Estado de São Paulo tinha 3 mil alunos. Nós passamos para 50 mil alunos em oito meses”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pelo El País, em parceria com o My News, em 14 de outubro de 2020

FALSO

Em 2017, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) tinha 19 mil alunos. Márcio França assumiu o governo do estado em abril de 2018. Naquele ano, a Univesp realizou dois vestibulares, que ofereceram 42 mil vagas e resultaram em cerca de 38 mil matrículas na graduação. No entanto, o vestibular do primeiro semestre, que ofertou 20.350 vagas, aconteceu em janeiro, quando França ainda era vice-governador.

Procurada pela Lupa, a assessoria de comunicação do candidato informou que a declaração se refere ao período em que França ainda não era governador. “A UNIVESP era vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, pasta que França ocupou de 2015 a 2018, até ser empossado governador”.


“Nós estamos com 30 mil pessoas morando nas ruas da cidade”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pelo El País, em parceria com o My News, em 14 de outubro de 2020

EXAGERADO

São Paulo tinha 24.334 pessoas em situação de rua, segundo o Censo da População em Situação de Rua de São Paulo de 2019. O número soma as 12.651 pessoas encontradas nas ruas da cidade e as 11.693 que estavam em Centros de Acolhimento Municipal. O número citado por França supera o real em 23,2%.

Para a assessoria de imprensa do candidato, o censo é uma estimativa e não expressa a realidade. “Márcio considera que esse levantamento pegou, portanto, apenas uma parcela da população e não reflete, por exemplo, a situação de pessoas que vivem debaixo de viadutos ou que foram alvo de despejos e desocupações especialmente durante a grave crise econômica acentuada pela pandemia.”


“O atual governo prometeu uma quantidade de quilômetros a mais de corredores de ônibus e cumpriu menos de 5%, acho que 6% do que ele tinha prometido, e depois fizeram uma redução [na meta]”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pelo El País, em parceria com o My News, em 14 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Depois de eleito prefeito de São Paulo, em 2016, João Doria (PSDB) prometeu construir 72 quilômetros de corredores de ônibus. O compromisso está registrado no Programa de Metas da Cidade de São Paulo 2017-2020

Em abril de 2019, quando Bruno Covas (PSDB) assumiu o cargo, a prefeitura lançou uma revisão do Programa de Metas. No novo documento, a meta de novos corredores foi reduzida para 9,4 quilômetros. Em quatro anos de mandato, o governo entregou 4,78 quilômetros de novos corredores de ônibus, cerca de 6,6% da primeira meta.

Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que a meta foi revisada por conta da redução dos recursos federais previstos. “A meta inicial de 72 km de novos corredores foi reduzida para 9,4 km e complementada com a requalificação de 116 km de faixas exclusivas e corredores, além de novas vias segregadas para ônibus. (…) Considerando-se o início da gestão, foram entregues 6,6 km de novos corredores: Berrini, com 3,7 km; Ponte Baixa, com 0,8 km, e o primeiro corredor à esquerda da zona leste, o Itaquera-Líder, com 2,1 km de vias exclusivas para os ônibus na Av. Líder”.

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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