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Tatto exagera sobre filiados do PT e vale-alimentação escolar na pandemia em sabatina Folha/UOL

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.out.2020 | 15h51 |

Candidato a prefeito de São Paulo, Jilmar Tatto (PT) defendeu as gestões anteriores do seu partido na capital paulista durante a sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, nesta sexta-feira (30). Ele falou sobre suas ações como secretário dos Transportes nas gestões de Marta Suplicy e Fernando Haddad, e também criticou as medidas do prefeito Bruno Covas (PSDB) e o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia da Covid-19. A Lupa checou algumas das falas do candidato. Ele foi procurado para comentar, mas não respondeu até a publicação do texto. Veja, a seguir, o resultado:

“As crianças ficaram quatro meses sem receber o voucher de alimentação [durante a pandemia]”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

EXAGERADO

O vale-alimentação, ou Cartão Merenda, começou a ser distribuído para estudantes da rede municipal em 2 de abril, ou seja, algumas semanas depois do início da pandemia. Inicialmente, porém, ele era destinado apenas a alunos de famílias em situação de extrema pobreza e cadastradas no Bolsa Família. Até junho, primeira fase do programa, foram distribuídos 600 mil cartões, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação.  

A partir de 30 de julho, pouco mais de quatro meses depois do início da pandemia, o vale-alimentação foi ampliado para todos os alunos do ensino fundamental, infantil e creches do município. Apenas uma parcela das crianças, portanto, ficou sem o Cartão Merenda nesse período. 

Os valores pagos são R$ 55 para alunos do ensino fundamental, R$ 63 para alunos das escolas de educação infantil e R$ 101 para crianças matriculadas em creches.


“O PT tem mais de 2 milhões de filiados. Aqui na cidade de São Paulo, são 180 mil filiados”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

EXAGERADO

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT tinha 1.535.994 pessoas filiadas ao partido em setembro (dado mais recente disponível), ou seja, quase 500 mil a menos que o mencionado pelo candidato. Esse total é 23% menor do que o dado citado por Tatto na sabatina. O MDB é o partido com maior número de filiações no país, com 2.163.450 integrantes. 

O número de filiados na cidade de São Paulo também foi exagerado por Tatto. Em setembro, 129 mil pessoas na capital paulista faziam parte do Partido dos Trabalhadores, segundo o TSE. O número real é 28,3% inferior ao usado pelo candidato. 


“Do ponto de vista histórico, você falar de pesquisa, erraram muito na cidade de São Paulo em relação ao PT. Erraram […] em relação a Marta [Suplicy]”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

EXAGERADO

O resultado das últimas pesquisas Ibope e Datafolha antes dos pleitos de 1998, 2000, 2004 e 2008 – anos em que Marta Suplicy disputou cargos no Executivo pelo PT – coincidiu com as urnas. Em 2008, porém, os levantamentos que foram feitos na véspera do primeiro turno indicavam Marta numericamente à frente de Gilberto Kassab (então no DEM), então prefeito de São Paulo. Entretanto, Kassab foi para o segundo turno com 33,6% dos votos válidos, enquanto a petista teve 32,7%.

Marta disputou o governo do estado de São em 1998 pelo PT. A candidata tinha, segundo a última pesquisa Datafolha antes do pleito, 15% das intenções de voto, empatada tecnicamente com Francisco Rossi (PDT), com 18%, e Mário Covas (PSDB), com 17%. Os dados mostravam ainda Paulo Maluf (PPB) em primeiro lugar, com 31%. O resultado da boca de urna do Ibope dava empate técnico entre os candidatos Marta e Covas, cada um com 20% dos votos, contra 33% de Maluf. 

Segundo o resultado oficial das urnas, Maluf, com 32,2% dos votos válidos, e Covas, com 22,9%, foram ao segundo turno. Marta acabou ficando em terceiro lugar, muito próximo de Covas, com 22,5% dos votos válidos, como indicou o Ibope. 

Em 2000, para as eleições municipais de São Paulo, a última pesquisa Datafolha para o 1º turno mostrava Marta Suplicy com 39% das intenções de votos válidos, Maluf (PP) com 16% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 15%. A pesquisa boca de urna do Ibope, naquele ano, indicou Marta Suplicy com 40%, e empate entre Maluf e Alckmin, cada um com 16%. O resultado oficial das urnas foi similar: a petista obteve 38,1% dos votos válidos, enquanto Maluf teve 17,3%; o tucano ficou bem próximo, com 17,2%. 

Para o 2º turno das eleições, o último levantamento do Datafolha colocava Marta Suplicy eleita prefeita com 61% dos votos válidos e Maluf, 39%. Segundo o resultado oficial das urnas, A petista ganhou o pleito com 58,5% dos votos válidos. Dentro da margem de erro, de dois pontos, o resultado foi similar. 

Nas eleições de 2004, quando Marta disputou a reeleição à Prefeitura de São Paulo, a última pesquisa Datafolha dizia que 40% dos eleitores da capital paulista votariam em José Serra (PSDB) e 37% votariam pela reeleição da petista, considerando somente os votos válidos. A margem de erro era de dois pontos. O Ibope apontava empate numérico entre a petista e o tucano, cada um com 40%. O resultado das urnas foi próximo ao do Datafolha: Serra, com 43,5% dos votos válidos e Marta, 35,8%. 

No segundo turno, segundo o Datafolha, Serra teria 54% das intenções de votos válidos, enquanto Marta, 46%. Mesmo resultado do Ibope. A decisão das urnas foi parecida: o tucano atingiu 54,8% dos votos válidos e a petista, 45,1%. 

Na última eleição a um cargo do executivo que Marta disputou pelo PT, em 2008, de acordo com o último levantamento do Datafolha, realizado na véspera da eleição do primeiro turno, a petista teria 36% dos votos válidos e Kassab ficaria em segundo lugar, com 30%. O Ibope também indicava segundo turno entre Marta e Kassab em São Paulo. A petista tinha 38% das intenções de votos válidos enquanto Kassab, 30%. O resultado das eleições mostrou o contrário: Kassab com 33,6% dos votos válidos e Marta, 32,7%. 

Para o segundo turno, Kassab seria reeleito, segundo o Datafolha, com 60% dos votos válidos, enquanto Marta, 40%. O levantamento feito pelo Ibope também apontou os mesmos números. Os resultados oficiais das urnas foram parecidos: Kassab (60,7% dos votos válidos); Marta (39,2%). 


“Os moradores de rua, você tem aí 25 mil, 30 mil pessoas (…)”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

VERDADEIRO

O último Censo da População em Situação de Rua, feito em 2019 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, contabilizou  24.344 pessoas nessa situação na cidade de São Paulo, um aumento de 53% em relação a 2015, quando o número era de 15.905.


“São Paulo hoje deve estar com 6 mortes [no trânsito] por 100 mil habitantes”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

VERDADEIRO

O Relatório Anual de Acidentes de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de 2019 indica que a taxa de mortes no trânsito da capital paulista no ano passado foi de 6,44 óbitos por 100 mil habitantes. Os dados indicaram queda em relação a 2018, quando a taxa estava em 6,95 mortes por 100 mil habitantes. 


“A prefeitura [de São Paulo], nesse momento, tem R$ 19,6 bilhões em caixa”

Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 30 de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com a demonstração de fluxo de caixa de setembro deste ano, disponível no site da Secretaria Municipal da Fazenda, o município de São Paulo tinha R$ 19.695.846.864,82 em dispobilidade bruta de caixa no mês de setembro. Esse valor é total, ou seja, inclui tanto recursos livres quanto recursos vinculados.

Editado por: Chico Marés, Natália Leal e Maurício Moraes

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