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#Verificamos: É falso que máscara aumenta taxa de dióxido de carbono no cérebro e altera a ‘flora oral’

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.out.2020 | 19h41 |

Circula pelas redes sociais um vídeo em que um homem que se apresenta como médico associa o uso de máscaras a uma série de complicações, como aumento da taxa de CO2 no cérebro, alteração da flora bucal, desenvolvimento de disbiose intestinal. No vídeo, ele diz ainda que Covid-19 é o mesmo que gripe. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Ela [a máscara] aumenta em 3% a taxa de CO2 cerebral”
Trecho de vídeo que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Um estudo da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, publicado no jornal científico Annals of the American Thoracic Society, comprovou que não há retenção de CO2 causada pelo uso da máscara.

De acordo com uma nota de Michael Campos, co-autor do estudo, publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS na sigla em inglês), a motivação para a pesquisa veio após suposições de que usar máscaras colocava vidas em risco. Até então não havia dados disponíveis sobre os efeitos das máscaras cirúrgicas nas trocas gasosas.

Segundo orientações do Ministério da Saúde para o uso de máscaras, se usadas conforme orientação, elas não causam problemas de saúde. O mesmo foi constatado pela OMS.


“A máscara altera a flora oral, criando uma disbiose intestinal”
Trecho de vídeo que circula nas redes sociais

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há nenhum estudo ou resultado clínico publicado que mencione a alteração da microbiologia oral devido ao uso de máscaras. Também não há comprovação da relação com o desenvolvimento de disbiose intestinal. O que há, na verdade, é um estudo da Universidade de Tóquio, publicado no Journal of Clinical Trials e na plataforma Longdom Publishing, que indica casos de disbiose intestinal, o desequilíbrio da flora bacteriana, associada a infecção por Covid-19, e não ao uso de máscaras. 


“[Covid-19] é a mesma coisa que gripe”
Trecho de vídeo que circula nas redes sociais

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A Covid-19 tem sintomas, taxa de transmissão, período de incubação e taxa de letalidade diferentes da gripe comum. 

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a velocidade de transmissão é uma diferença relevante entre os dois vírus. A gripe tem um período de incubação (tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas) mais curto e um intervalo serial (tempo transcorrido entre casos sucessivos) também mais curto do que o vírus causador da Covid-19. 

Também há diferenças nos sintomas. Segundo a Opas, os dados atuais para Covid-19 sugerem que 80% das infecções são leves ou assintomáticas, 15% são graves e requerem hospitalização e 5% são críticas, exigindo ventilação. Essas porcentagens de infecções graves e críticas são mais altas que as da gripe. Segundo dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças, dos Estados Unidos, cerca de 1% dos casos de gripe exigem hospitalização.

Dados atuais indicam que a taxa de letalidade da Covid-19 está entre 3% e 4%, embora pesquisas recentes mostrem que, por causa da subnotificação de casos, esse número deve ser consideravelmente menor. Estudos mostram que essa taxa pode estar em até 0,2%, na melhor das hipóteses, e 1%, na pior. Para a gripe, essa taxa é de algo entre 0,02% e 0,04%.

Por fim, há casos registrados de sequelas causadas pela Covid-19, incluindo fadiga crônica e anomalias no coração. Isso não acontece com a gripe.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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