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Vitória: Lorenzo Pazolini erra ao falar sobre segurança pública

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.out.2020 | 20h46 |

O candidato do Republicanos à prefeitura de Vitória, Lorenzo Pazolini, ocupa a segunda posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 13 de outubro de 2020. Sua principal plataforma de campanha é a segurança pública, e a Lupa checou algumas declarações do candidato sobre o tema. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

João Coser (PT) e Fabrício Gandini (Cidadania) — empatados em primeiro em intenções de voto na mesma pesquisa — também tiveram falas analisadas, e o resultado dessas verificações será publicado no dia 6 de novembro. As falas de Neuza de Oliveira (PSDB), terceira colocada na disputa, também foram analisadas e publicadas no dia 27 de outubro.

Confira o grau de veracidade do que disse Lorenzo Pazolini:

“Hoje Vitória tem 20 homicídios por 100 mil habitantes”
Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato à prefeitura de Vitória, em entrevista ao Record News, em 20 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 (tabela 44, na página 144), a taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes no município de Vitória foi de 20,2 em 2019 (dado mais recente do levantamento). O cálculo é baseado no número de vítimas, conforme a Secretaria de Segurança e Defesa Social (Sesp), e na estimativa populacional do IBGE para 2019.


“Vale ressaltar que os nossos índices de homicídio, hoje, estão em ascensão”
Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato à prefeitura de Vitória, em entrevista ao Gazeta Online, em 19 de outubro de 2020

FALSO

Houve uma queda em relação às taxas de assassinatos na capital. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 (tabela 44, na página 144), o número de homicídios por 100 mil habitantes em 2019 foi ligeiramente menor do que no ano anterior, chegando a 20,2 ― em 2018 o número era de 21,2.

Segundo o Atlas da Violência, o município de Vitória teve 80,55 homicídios dolosos por 100 mil habitantes em 1999, maior índice da série histórica iniciada em 1996. Houve redução na década seguinte, caindo de 66,23, em 2006, para 53,10, em 2009. Os dois menores índices foram os registrados em 2015 (25,01 por 100 mil) e 2016 (17,24 por 100 mil), último ano com dados disponíveis.

Procurada, a assessoria do candidato informou, pelo WhatsApp, que, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Vitória registrou, em agosto e setembro do ano passado, quatro e seis homicídios respectivamente (no total, dez homicídios). Em agosto e setembro deste ano foram cinco e nove homicídios respectivamente (no total, 14 homicídios), o que significa um aumento em relação ao ano anterior.


“Infelizmente, Vitória está passando por um dos períodos mais violentos de sua história recente”
Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato à prefeitura de Vitória, no programa eleitoral de 09 de outubro de 2020

FALSO

Oito dos onze indicadores de criminalidade monitorados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social de Vitória tiveram redução em 2020, comparando-se janeiro a setembro deste ano com o mesmo período de 2019. Caíram as lesões corporais seguidas de morte, três tipos de roubos e quatro tipos de furtos na cidade. Nesses dois anos, não foi registrado nenhum latrocínio. Houve crescimento apenas na taxa de homicídios dolosos e nos roubos em transportes coletivos. 

Segundo o banco de dados de crimes letais da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), o município de Vitória registrou 15,3 crimes violentos letais intencionais por 100 mil habitantes (soma dos homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios) entre os meses de janeiro e setembro de 2020. Comparando-se o mesmo intervalo de tempo, a taxa deste ano é menor que as de 2014 (29,3 por 100 mil), 2015 (15,7 por 100 mil), 2017 (19 por 100 mil) e 2018 (17,3 por 100 mil), levando-se em conta os dados disponíveis a partir de 2014. 

A análise dos dados de crimes patrimoniais da Sesp mostra que Vitória teve números menores de furtos entre janeiro e setembro de 2020, quando comparados a 2019. Por exemplo, o número de furtos em transportes coletivos caiu de 98 por 100 mil habitantes para 36,6 por 100 mil habitantes – uma redução de 62,6%.

O número de roubos ocorridos no município também diminuiu em 2020. Comparando-se os dados divulgados pela Sesp, dos meses de janeiro a setembro de 2018 a 2020, nota-se uma queda nos casos de roubo de pessoas em vias públicas, comércios e residências. Em relação ao primeiro ponto, em 2018 a taxa foi de 983,9 roubos por 100 mil habitantes. Em 2019, o índice ficou em 1.010 por 100 mil e, em 2020, caiu para 531,1 por 100 mil. 

A taxa de homicídios dolosos passou de 13,8 por 100 mil habitantes, em 2019, para 14,5 por 100 mil habitantes, em 2020. Ainda assim, outros quatro anos tiveram taxas maiores desse tipo de crime (2014, 2015, 2017 e 2018). Já os roubos em transportes coletivos foram de 66 por 100 mil, no ano passado, para 114,3 por 100 mil este ano.

Procurada, a assessoria do candidato informou, pelo WhatsApp, que “os dados são claros, há um aumento no número de homicídios”. Ressaltou que recentes eventos ocorridos na capital, como a execução de quatro jovens e um veículo fuzilado à luz do dia, remetem ao passado violento da cidade.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Maurício Moraes

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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