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Goiânia: Vanderlan se contradiz sobre áudio a respeito do senador Chico Rodrigues

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.nov.2020 | 10h00 |

O candidato a prefeito de Goiânia Vanderlan Cardoso (PSD) ocupa a segunda posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope no dia 21 de outubro de 2020. Ele tem participado de entrevistas, debates e sabatinas, momentos em que fala sobre o cenário da capital e suas propostas. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Maguito Vilela (MDB), primeiro colocado na disputa, também teve falas analisadas, e o resultado dessa verificação será publicado no dia 5 de novembro. Elias Vaz (PSB) e Adriana Accorsi (PT) — quarto e terceira em intenções de voto na mesma pesquisa — tiveram falas checadas e publicadas em 27 e 29 de outubro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Vanderlan Cardoso (PSD):

“Cerca de 6 mil pessoas estão estudando nas Escolas de Jovens e Adultos aqui em Goiânia”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato a prefeito de Goiânia, em entrevista à TV Goiânia no dia 19 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Considerando apenas as Escolas de Jovens e Adultos (EJA) geridas pelo município, são 5.352 alunos, segundo dados do Inep do Censo Escolar 2020. Contabilizando, no entanto, as unidades de dependência estadual que estão em Goiânia, o número salta para 10.592.


“De forma alguma [considero que o que disse no áudio foi uma defesa ao senador Chico Rodrigues]”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina do Mais Goiás com Band News no dia 22 de outubro de 2020

CONTRADITÓRIO

O candidato foi alvo de polêmica nas últimas semanas depois que o site O Antagonista publicou um áudio enviado pelo parlamentar em um grupo de senadores. Nele, Vanderlan defende o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que foi pego em uma operação da Polícia Federal em sua residência com R$ 33,1 mil na cueca (página 6). No áudio, o candidato afirma: “Meus amigos senadores, senadoras, esse episódio aí nós não podemos aceitar de forma alguma. Conheço o Chico Rodrigues há mais de 30 anos, quando cheguei em Roraima nos anos 80. Não tem nada que desabone a conduta do senador Chico Rodrigues. Não podemos, em hipótese alguma, aceitar essa interferência. Uma decisão absurda de um ministro do Supremo que não sei por que tomou essa decisão tão autoritária”.

Vanderlan continua: “Espero que o nosso presidente Davi (Alcolumbre) e creio que ele não vai aceitar em hipótese alguma que Chico Rodrigues, o nosso amigo, companheiro de todas as horas, não tenha nem direito à defesa, nem a se explicar. É o que eu espero e espero que todos os nobres senadores e senadoras dê esse apoio num momento tão difícil como esse e que ele tenha chance de dizer porque disso aconteceu. Todas as suas declarações de imposto de renda consta que ele sempre disse que tem recurso, não somente o que foi encontrado, mas muito mais do que isso. Espero realmente que o Davi tome aí providências e dê o amparo legal ao nosso amigo e companheiro Chico Rodrigues”.

Apesar de ser claro no áudio a defesa ao colega, na sabatina, Vanderlan negou que tenha defendido Chico. “É uma polêmica que foi criada por ser momento de eleição. Pegou-se uma fala em um contexto em que é uma discussão no grupo dos senadores e senadoras do Senado Federal em que nós estávamos discutindo (…) se era função do STF afastar um senador da República ou mesmo cassar um senador. (…) Hora nenhuma nem eu e nenhum senador ou senadora defendeu o ato que foi praticado por ele”, afirmou.

No último dia 29, uma semana depois da sabatina, o candidato publicou nas redes sociais um vídeo admitindo a veracidade do áudio e dizendo que errou. “Esse áudio, infelizmente, é verdadeiro. Fui eu que falei aquilo. Cheguei tarde em casa, peguei o celular e vi uma discussão no grupo dos senadores. Tentei falar uma coisa de uma forma que não causasse constrangimento dentro do grupo. Acabei sendo extremamente infeliz no que disse”, afirma.

O senador continua, dizendo que não irá justificar o que disse, “porque não dá”. “Falei bobagem. Logo que terminei o áudio, notei que tinha falado algo que não condizia com aquilo que eu sentia e deletei. Não já era tarde. Alguém já tinha encaminhado; já se preparado para fazer uso político de uma fala infeliz minha. Eu errei. Meu erro foi dizer uma bobagem mal pensada em um áudio”, garante.


“[Senador Canedo] Era um dos [municípios] mais violentos desse país”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina do Mais Goiás com Band News no dia 22 de outubro de 2020

FALSO

Em 2004, quando Cardoso concorreu pela primeira vez à prefeitura de Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia, a cidade tinha uma taxa de 24,97 homicídios a cada 100 mil habitantes e ocupava a 1.051ª posição no ranking de municípios elaborado pelo Ipea no Atlas da Violência.

Cardoso foi prefeito da cidade de 2005 a 2012. No primeiro ano do mandato, Senador Canedo registrou 25,21 homicídios por 100 mil habitantes, ocupando a 2.443ª posição no ranking. No último ano dele à frente da cidade, a taxa subiu para 72,89 homicídios por 100 mil habitantes.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Marco legal de saneamento foi mais de 20 anos de discussão, e nós aprovamos”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina do Mais Goiás com Band News no dia 22 de outubro de 2020

FALSO

O Senado aprovou o marco legal do saneamento básico em junho deste ano, após aprovação na Câmara em dezembro de 2019. O projeto de lei estava sendo discutido desde 2018, no mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). Ele chegou a apresentar duas medidas provisórias sobre o tema, 884/2018 e 868/2018, que não foram votadas e, por isso, perderam a validade.

A nova lei alterou a 11.445, de 2007, (13 anos atrás), até então considerada o marco regulatório de saneamento básico. O novo marco, sancionado em julho deste ano, prevê a meta de universalização do saneamento até 2033, com 99% da população com acesso à água tratada e 90% a tratamento e coleta de esgoto.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Sobre os CMEIs, tem um déficit hoje aí em torno de 6 mil vagas”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina da TBC no dia 27 de outubro de 2020

EXAGERADO

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia informou que o último levantamento realizado antes da pandemia do novo coronavírus mostrava 5 mil alunos na lista de espera por uma vaga. A pasta afirmou que “em razão da abertura de vagas com as salas modulares e entrega de novos centros municipais de educação infantil (CMEIs), ainda não há o número atualizado da lista de espera”.

A secretaria informou que “tem até 2024 para atender 50% da demanda na Educação Infantil”, conforme meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que também estabelece que seria preciso universalizar a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos até 2016 (página 9 do documento).

Procurado, o candidato não respondeu.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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