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São Luís: Rubens Junior se contradiz ao afirmar que nunca mudou de partido

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.nov.2020 | 10h00 |

O candidato à prefeitura de São Luís Rubens Junior (PCdoB) ocupa a quarta posição na pesquisa de intenção de voto do Ibope divulgada no dia 23 de outubro. Assim como outros concorrentes, ele participou do debate promovido pelo jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro. Em colaboração com o projeto Sem Migué, a Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Neto Evangelista (DEM), Duarte Junior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos) ― terceiro, segundo e primeiro em intenções de voto na mesma pesquisa ― também tiveram falas analisadas, e os resultados dessas verificações serão publicados nos dias 5, 11 e 13 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Rubens Junior:

“Eu não mudo de partido, eu não mudo de apoiador, eu não mudo de aliado”
Rubens Junior (PCdoB), candidato à prefeitura de São Luís, em debate realizado pelo jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

FALSO

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato já esteve em três partidos diferentes. A primeira filiação foi ao Partido Social Cristão (PSC), em 25 de agosto de 2003. A segunda, ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em 30 de setembro de 2005. Ele se filiou ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 28 de setembro de 2009 permanecendo filiado até hoje.

Rubens Junior concorreu, inclusive, ao cargo de deputado estadual pelo PRTB nas eleições de 2006. Na época, foi eleito com 34.837 votos nominais numa coligação formada por PRTB, PHS e PRP partidos que apoiaram a candidatura de Roseana Sarney (na época filiada ao PFL) ao governo. Hoje, Rubens Junior faz parte do grupo político do governador Flávio Dino (PCdoB), a quem o grupo Sarney faz oposição.

Procurado, Rubens Junior respondeu, por meio de nota da assessoria,  que é um dos poucos candidatos que não mudaram de partido para participar da disputa. Disse também que é o que está há mais tempo no mesmo partido. A nota diz ainda que o candidato foi um dos parlamentares da base de apoio do ex-governador Jackson Lago e que, após a sua cassação em 2009, passou a ser líder da oposição ao governo Roseana Sarney na Assembleia Legislativa.

No entanto, o candidato já mudou de partido, apoiador e aliado. Nas eleições de 2006, o candidato esteve no grupo que apoiou a Roseana Sarney, tendo inclusive recebido doação de campanha do Comitê Financeiro Único do então PFL no valor de R$ 4 mil.


“O Maranhão, com Flávio Dino, já é um dos estados que mais criou emprego este ano no Brasil”
Rubens Junior (PCdoB), candidato à prefeitura de São Luís, em debate realizado pelo jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

VERDADEIRO, MAS

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Maranhão é o quarto estado que mais criou empregos entre os meses de janeiro e setembro de 2020. O indicador é utilizado pelo Ministério do Trabalho para acompanhar a admissão e dispensa de trabalhadores com carteira assinada.

No acumulado do ano, houve um total de 114.405 admissões e 101.372 desligamentos, o que deixa um saldo de 13.033 postos de trabalho 2,71% a mais desde o início do ano. No saldo de empregos formais, o estado fica atrás apenas de Pará (22.050), Mato Grosso (17.479) e Goiás (14.868).

Contudo, as estatísticas se referem apenas aos empregos com carteira assinada. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, no segundo trimestre de 2020, o Maranhão registrou queda de 5% na taxa de ocupação com relação ao mesmo período de 2019. Essa estatística considera trabalhadores formais e informais.


Nós ampliamos o programa Cheque Minha Casa”
Rubens Junior (PCdoB), candidato à prefeitura de São Luís, em debate realizado pelo jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

FALSO

O programa foi criado em 2016 com o objetivo de apoiar famílias de baixa renda na reforma, ampliação ou melhoria de suas residências. Nele, o governo dá a cada beneficiário R$ 5 mil para a compra de materiais de construção. A primeira edição ocorreu em 2017. Na ocasião, o edital de chamamento público ofertou o auxílio a 4 mil famílias nos municípios da Grande Ilha: São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

A abrangência do programa foi ampliada em 2018, quando uma medida provisória editada pelo governo permitiu que o auxílio fosse concedido a famílias atingidas pelas fortes chuvas que causaram estragos em Trizidela do Vale, Pedreiras e outras cidades que decretaram estado de calamidade pública ou situação de emergência.

Em 2019, foi lançada uma nova chamada que ampliou a abrangência para todos os municípios da Região Metropolitana de São Luís, e não apenas os da Grande Ilha. Mas o valor do benefício permaneceu em R$ 5 mil a um total de 4 mil famílias. O edital foi lançado em 1º de janeiro de 2019, quando a Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid) ― pasta responsável pelo Cheque Minha Casa ― ainda era comandada por Flávia Alexandrina. Rubens Junior só assumiu o comando da Secid em 25 de fevereiro de 2019, portanto é falso que ele tenha ampliado o programa.

Em nota, a assessoria do candidato informou que o programa foi ampliado com a inserção de assessoria técnica intensiva, com a territorialização ao nível submunicipal e inclusão de novos beneficiários a partir do banco cadastral disponível. Entretanto, tanto a orientação técnica quanto o cadastro de novos beneficiários já estavam previstos no edital lançado antes do candidato ser empossado como secretário de Cidades.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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