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#Verificamos: Vídeo que mostra jovens ‘armados’ agradecendo comunidade em Salvador é bastidor de filme de ficção

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.nov.2020 | 18h26 |

Circula pelas redes sociais um vídeo em que um homem, seguido por um grupo de pessoas, aparece andando pelo bairro de Calabetão, em Salvador (BA), com supostas armas e coletes à prova de balas. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Depois de 16 anos de PT a Bahia está se equiparando ao Rio de Janeiro. Repasse o vídeo para chegar os nossos agradecimentos a Jaques Wagner e Rui Costa. O trabalho de fortalecimento do crime está uma maravilha”

Frase que acompanha vídeo publicado no WhatsApp

FALSO

A gravação que está sendo compartilhada no WhatsApp não mostra criminosos reais, mas sim atores que participaram de um vídeo ficcional sobre violência nas comunidades, gravada na comunidade do Calabetão, em Salvador. As armas mostradas no vídeo não são de verdade. 

O vídeo foi gravado por Erico Silva, diretor geral do Portal Engomadeira/Portal da Realidade, que publicou diversos vídeos curtos de ficção feitos com o objetivo de conscientizar jovens sobre os perigos do envolvimento na criminalidade e no uso de drogas. De acordo com ele, “a comunidade tem uma participação especial na produção gravada lá” e cem moradores do Calabetão se dispuseram a participar do vídeo como atores amadores e parceiros. 

Por WhatsApp, Silva disse à Lupa que gravou o vídeo como agradecimento à comunidade. “Em forma de gratidão, peguei meu celular e filmei eu mesmo andando pela comunidade com meus atores e moradores locais na rua, agradecendo pelo reconhecimento que a comunidade tem pelo projeto (…) e enviei [o vídeo de agradecimento] para um dos moradores. Ele colocou no status [do Facebook] e alguém baixou esse vídeo e compartilhou de forma irregular. Acabaram politizando o vídeo e dizendo que a Bahia chegou neste nível por causa do PT”, relatou. Ele diz, ainda, que outros vídeos de ficção gravados na comunidade estão sendo compartilhados nas redes sociais associando os integrantes do projeto ao crime organizado em Salvador.

O programa Ronda, da TV Aratu, afiliada ao SBT na Bahia, fez uma reportagem mostrando que as armas nos vídeos são de papelão, produzidas pelo próprio projeto, ou de brinquedo. Os coletes são réplicas usadas em vídeos de conscientização sobre conflitos entre facções criminosas e policiais.

Silva também gravou um vídeo para o canal do Portal Engomadeira no YouTube esclarecendo o objetivo do projeto e desmentindo a suposta associação dos integrantes com o crime organizado. 

Não é a primeira vez que vídeos ficcionais são compartilhados nas redes como se fossem verdadeiros. Em agosto, a gravação de um filme no Rio de Janeiro, que mostrava um conflito entre traficantes e policiais, circulou como se fosse real. A Lupa verificou esse conteúdo.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751

Editado por: Chico Marés

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