A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Tem certeza que deseja sair da sua conta?

Em sabatina Folha/UOL, Benedita erra dados sobre pobreza e desemprego durante governos petistas

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.nov.2020 | 19h40 |

Nesta quarta-feira (04), a candidata Benedita da Silva (PT) foi a sexta entrevistada da série de sabatinas da Folha de S.Paulo e do UOL. Durante o programa, ela falou sobre as pesquisas de intenção de voto e defendeu o legado dos governos petistas. A Lupa checou algumas das declarações da candidata, que foi contatada mas, até a publicação desta reportagem, não respondeu às perguntas. Veja como foi:

“Nós tivemos mais de 36 milhões de pessoas que saíram da miséria absoluta, que não comiam”
Benedita da Silva, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 04 de novembro de 2020 

FALSO

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil tinha 23,9 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza em 2002, último ano antes dos governos petistas. Após um aumento em 2003, esse número passou a cair ano a ano até 2014, quando 8,2 milhões de pessoas estavam nessa situação. Ou seja, a redução foi de 15,7 milhões, e não de 36 milhões – menos da metade da variação citada pela candidata.

Por esse conceito de “extrema pobreza”, são considerados os indivíduos com renda insuficiente para consumir uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias para suprir uma pessoa de forma adequada, com base em recomendações da FAO e da OMS. 

Atualização feita às 16h20 do dia 5 de novembro: a assessoria de imprensa de Benedita disse, em nota, que a candidata se baseou em um dado citado pela então presidente Dilma Rousseff em 2013. A referência feita por Dilma, contudo, não é ao número de pessoas que foram tiradas da pobreza, mas sim a pessoas que estavam cadastradas em programas de transferência de renda naquele momento.


“Foram mais de 25 milhões de empregos de carteira assinada [durante o governo PT]”
Benedita da Silva, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 04 de novembro de 2020 

EXAGERADO

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que, entre janeiro de 2003 e abril de 2016, o saldo de empregos não chegou a 25 milhões.

Segundo o Caged, que considera somente vagas de emprego com carteira de trabalho assinada, entre 2003 e abril de 2016, foram criados 14,1 milhões de emprego. No final de 2014, o saldo estava em 16 milhões, mas as perdas de postos de trabalho no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) reduziram esse número.

Já a Rais mostra que houve um aumento de 19,4 milhões de vagas de empregos formais no Brasil de 2002 a 2016. No final de 2002, quando Lula venceu as eleições presidenciais, o país contava com 28,7 milhões vagas formais. Já em 2015, último ano completo de Dilma no poder, eram 48,1 milhões. Ao contrário do Caged, a Rais inclui também empregos públicos.

Atualização feita às 16h20 do dia 5 de novembro: a assessoria de imprensa de Benedita informou, em nota, que a candidata levou em consideração os números de 2013 da Rais, onde a diferença entre o número total de pessoas empregadas, entre 2002, era de 19,4 milhões. Contudo, a candidata disse “mais de 25 milhões” de carteiras assinadas. Pela metodologia da Lupa, classificamos essa informação como “exagerada”.


Nós estamos num empate [em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto]”
Benedita da Silva, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 04 de novembro de 2020 

VERDADEIRO, MAS

Considerando as últimas pesquisas registradas de intenção de voto feitas pelos institutos Paraná Pesquisas, Ibope e Datafolha, e publicadas nas últimas duas semanas, Benedita aparece em empate técnico com Marcelo Crivella (Republicanos) e Martha Rocha (PDT). Contudo, Benedita aparece atrás, numericamente, de seus dois adversários.

A maior diferença, de cerca de 6 pontos percentuais, aparece no levantamento do Paraná Pesquisas, publicado nesta terça-feira (3). Benedita aparece com 8,2% das intenções de voto, contra 14,1% de Crivella e 14% de Martha. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Na pesquisa Ibope, de 30 de outubro, Crivella e Martha aparecem com 14%, contra 9% de Benedita, ou seja, a diferença está dentro da margem de erro, de 3 pontos. Já a pesquisa Datafolha é um pouco mais antiga, divulgada no dia 23 de outubro, e mostra uma diferença menor: Crivella e Martha com 13% e Benedita com 10%. 

O empate técnico ocorre quando a diferença de percentual de intenção de votos entre os candidatos está dentro da margem de erro da pesquisa. Considerando que Benedita tem 10% das intenções na pesquisa de intenção de voto do Datafolha, por exemplo, e a margem é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, isso significa que a intenção de voto real da candidata pode estar entre 7% e 13%. 


“Nunca fui para outro partido (somente PT)”
Benedita da Silva, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 04 de novembro de 2020 

VERDADEIRO

Benedita da Silva participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, e é filiada desde 1981, segundo o Sistema de Filiação Partidária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 1982, aos 40 anos, foi eleita vereadora do Rio de Janeiro e, posteriormente, foi deputada federal, senadora, vice-governadora do Estado – assumindo o cargo de governadora em 2002, após Anthony Garotinho (então no PSB) renunciar para disputar a presidência da República. 

Editado por: Chico Marés

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo