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Goiânia: Maguito Vilela exagera dados de atenção básica à Saúde

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.nov.2020 | 15h16 |

O candidato a prefeito de Goiânia Maguito Vilela (MDB) é o primeiro colocado na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope no dia 21 de outubro de 2020. Maguito, que já foi governador de Goiás em 1994, está afastado da campanha após testar positivo para Covid-19. Ele foi internado no dia 22 em Goiânia, e transferido dias depois para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está atualmente. Antes disso, ele participou de entrevistas, sabatinas e debates. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020. 

Elias Vaz (PSB), Adriana Accorsi (PT) e Vanderlan Cardoso (PSD)— quarto, terceira e segundo em intenções de voto na mesma pesquisa — tiveram falas checadas e publicadas em 27 de outubro, 29 de outubro e 3 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Maguito Vilela (MDB):

“Eu sei que o prefeito Iris Rezende (…) reformou todas as escolas do município”
Maguito Vilela (MDB), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina da Fecomércio em 11 de setembro de 2020 (ainda pré-candidato)

VERDADEIRO

A Secretaria Municipal de Educação (SME) garante que todas as 179 escolas do município foram reformadas por meio do programa permanente de manutenção dos prédios escolares, intitulado “Programa Escola Viva”. Ele foi instituído pela portaria nº 172, de 4 de julho de 2017, e é realizado por meio da transferência de recursos “para manutenção periódica da estrutura elétrica, hidráulica, reparos em calhas, telhados e muros, além da pintura dos prédios das instituições educacionais”, informa a pasta.


“(…) não tivemos escândalo nenhum aqui na área da Saúde”
Maguito Vilela (MDB), candidato a prefeito de Goiânia, em sabatina da Fecomércio em 11 de setembro de 2020 (ainda pré-candidato)

FALSO

Em 2018, a Câmara dos Vereadores de Goiânia aprovou o relatório de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apurava suspeitas de fraude na área da Saúde. Na época, os vereadores chegaram a pedir o indiciamento da secretária de Saúde, Fátima Mrué. Dentre as principais irregularidades que os parlamentares alegaram ter identificado ao longo da CEI, que teve início em 2017, está a seleção de pacientes para leitos de UTI. Falou-se, também, no nome do atual prefeito Iris Rezende no relatório, mas ele foi tirado.

Na época, o assunto foi amplamente debatido. A própria secretária chegou a dizer que, em um mês, cerca de 80 pacientes foram rejeitados por hospitais sem justificativas plausíveis.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Temos mais de 100 equipes [de Saúde da Família] que o Iris [Rezende, atual prefeito] criou para poder dar cobertura em toda a cidade”
Maguito Vilela (MDB), candidato a prefeito de Goiânia, em entrevista à Band TV Goiânia em 13 de outubro de 2020

EXAGERADO

Informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontam que no início da atual gestão do prefeito Iris Rezende (MDB), eram 186 equipes de atenção básica, com 128 médicos – ou seja, 128 equipes completas. Atualmente, são 193 equipes completas, o que representa 64 a mais, e não 100, como dito pelo candidato.

A assessoria do candidato justificou que ao falar o dado, Maguito incluiu na soma 44 equipes de atenção primária criadas na gestão.


“Aqui em Aparecida [de Goiânia], eu peguei a cidade com 6 mil CNPJs ativos e deixei com 36 mil CNPJs ativos”
Maguito Vilela (MDB), candidato a prefeito de Goiânia, em transmissão ao vivo pelo Facebook em 15 de outubro de 2020

VERDADEIRO

O número de CNPJs ativos em 2008 em Aparecida de Goiânia, que integra a região metropolitana da capital, era de 6.460, número informado pelo candidato. Em 2016, no entanto, ano que deixou a prefeitura, eram 34,4 mil CNPJs ativos, segundo dados da Assessoria de Comunicação do município, e não 36 mil.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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