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Manaus: Amazonino distorce dados sobre transporte e extração de madeira

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.nov.2020 | 10h00 |

O candidato à prefeitura de Manaus Amazonino Mendes (Podemos) ocupa a terceira posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 14 de outubro de 2020. Ele, assim como outros concorrentes, concedeu uma entrevista à rádio BandNews Difusora FM sobre suas propostas. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Zé Ricardo (PT), Ricardo Nicolau (PSD) e David Almeida (Avante) ― quarto, terceiro e segundo em intenções de voto na mesma pesquisa ― também tiveram falas analisadas, e o resultado dessas verificações foi publicado nos dias 27 de outubro, 29 de outubro e 3 de novembro, respectivamente.

Confira o grau de veracidade do que disse Amazonino:

“Nós chegamos a colocar 1,2 mil ônibus novos em Manaus [de 2009 a 2012]”
Amazonino Mendes (Podemos), candidato a prefeito de Manaus, em entrevista à Rádio BandNews Difusora em 9 de outubro de 2020

EXAGERADO

Manaus recebeu, entre os anos de 2009 e 2012, 881 ônibus novos, e não 1,2 mil. Os dados são referentes à última passagem do candidato pela prefeitura de Manaus e foram divulgados pela própria gestão municipal.

Na época, a prefeitura lançou um edital exigindo a entrada de 858 ônibus novos, o que representaria a renovação de 50% da frota na capital, que contava com 1,7 mil coletivos. 

Procurada, a assessoria disse, por WhatsApp, que o candidato também incluiu no cálculo os ônibus seminovos que foram colocados na frota do transporte coletivo da capital.


“Não se aumentou um metro sequer de extração de madeira [em 1988 e 1989, quando foram distribuídas motosserras à população]”
Amazonino Mendes (Podemos), candidato a prefeito de Manaus, em entrevista à Rádio BandNews Difusora em 9 de outubro de 2020

INSUSTENTÁVEL

Não há dados públicos que especifiquem a extração de madeira no Amazonas nos anos de 1988 e 1989. O Deter, levantamento de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mede a exploração madeireira a partir de 2004.

Em 1988, Amazonino Mendes, que era governador, distribuiu 2 mil motosserras no interior do estado. Em 1997, Amazonino defendeu a ação como um “ato de dignidade” com o caboclo.

Dados do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), monitoramento do Inpe que indica a perda de floresta na Amzônia Legal desde 1988, mostram, que o estado registrou queda nos índices anuais de desmatamento na década de 1980. Em 1988 e 1989 eram 17.860 quilômetros quadrados ao ano, enquanto em 1989 e 1990 eram 13.810 quilômetros quadrados anuais. Isso não corresponde, no entanto, à “extração de madeira”, como menciona o candidato.

Procurada, a assessoria pontuou que , na verdade, o candidato quis dizer que os caboclos, para os quais as motosserras foram entregues, não são responsáveis pelo desmatamento na Amazônia, mas sim os grileiros e madeireiros ilegais.


“Quando fui senador trouxe a realização para dar assento no Conselho da Suframa aos prefeitos das capitais do Norte do Brasil”
Amazonino Mendes (Podemos), candidato a prefeito de Manaus, em entrevista à Rádio BandNews Difusora em 9 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Amazonino Mendes, enquanto senador, foi autor da emenda à lei complementar 68/1991, assegurando a participação de prefeitos de Manaus, Boa Vista, Rio Branco e Porto Velho no Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O projeto de lei foi proposto pelo governo federal em maio de 1990 e previa apenas a participação de governadores do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. A redação da legislação não inclui os outros três estados da região Norte, nem as respectivas capitais.

O Conselho de Administração da Suframa foi reestruturado em 2010, revogando a legislação anterior. O órgão deliberativo é responsável pela análise e aprovação de diretrizes, normas, projetos, convênios e novas empresas no modelo Zona Franca de Manaus.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhastApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte e Natália Leal

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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