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Na sabatina Folha/UOL, Covas erra dado sobre vagas em creches de São Paulo

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.nov.2020 | 14h13 |

Candidato à reeleição, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi o entrevistado desta quinta-feira (5) da série de sabatinas realizadas pela Folha de S.Paulo com o portal UOL. Na entrevista, o prefeito defendeu as medidas tomadas pela atual gestão contra a Covid-19 e respondeu algumas das críticas feitas por adversários durante a campanha. A Lupa verificou algumas das declarações do candidato, confira:

“Essa gestão criou 85 mil vagas em creches (…)”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

AINDA É CEDO PARA DIZER

Segundo o Relatório 2019-2020 do Programa de Metas 2017/2020, a prefeitura projeta ter, até o final de 2020, 85 mil vagas a mais em creches na cidade em relação a 2016, último ano da gestão de Fernando Haddad (PT). Contudo, até o momento, essa previsão ainda não se concretizou. 

73.333 vagas abertas em creches foram abertas do início de 2017 a setembro de 2020, de acordo com dados disponíveis no site da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Em dezembro de 2016, havia 284.178 crianças matriculadas em creches. Já em setembro deste ano, 357.512.


“(…) Recorde na história da cidade de São Paulo [número de vagas em creches criadas]”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

FALSO

Em seu segundo mandato como prefeito, Gilberto Kassab (PSD) criou mais vagas em creches que a gestão atual. Portanto, mesmo considerando o crescimento projetado pela prefeitura para os próximos meses, não é possível afirmar que o aumento durante os últimos quatro anos representa um “recorde” na história de São Paulo. 

No final de 2008, as creches municipais tinham 109.717 vagas. Já em dezembro de 2012, eram 214.094 – ou seja, foram mais de 104 mil vagas abertas no município. Esse número é maior do que as 85 mil novas vagas que a prefeitura prevê disponibilizar em dezembro de 2020 em seu Plano de Metas.

Atualização às 17h51 do dia 5 de novembro de 2020: Em nota, a assessoria do candidato diz que “nunca na história” houve tantas crianças matriculadas em creche, e que, por isso, o aumento no número de creches seria “recorde”.


“Nós tivemos sim um aumento do isolamento social na cidade de São Paulo, na semana que o rodízio foi aplicado no mês de maio”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Entre os dias 11 e 17 de maio, a prefeitura de São Paulo adotou um rodízio emergencial para tentar diminuir a circulação de pessoas e ajudar a aumentar a taxa de isolamento social da cidade para conter a disseminação da Covid-19. A medida, segundo a gestão municipal, retirou 1,5 milhão de veículos das ruas da cidade por dia.

Entretanto, a própria prefeitura de São Paulo diz que a taxa de isolamento social apresentou “apenas pequena melhora”, de 46% no dia 8 de maio para 48% no dia 15 de maio. “Os índices, abaixo de 50%, ainda eram insuficientes diante da gravidade da pandemia, o que levou a cidade de São Paulo a retomar o rodízio tradicional, que havia sido suspenso no dia 17 de março”.


“O inquérito sorológico mostra que não há qualquer diferença na proporção da população que utiliza transporte público com a que não utiliza, em relação a infectados [com Covid-19] na cidade de São Paulo”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Na última das cinco fases dos Inquéritos Sorológicos publicados pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, divulgada em setembro, a diferença na proporção de infectados entre pessoas que usam e que não usam transporte coletivo é pouco significativa. Contudo, nas fases iniciais do estudo, essa diferença era maior.

Na primeira fase do estudo, com dados coletados até 6 de julho, a estimativa de prevalência de Covid-19 na população que usa ônibus e metrô era de 14%, contra que 9,2% entre aqueles que não usavam – ainda dentro da margem de erro. Essa diferença caiu nas edições seguintes. Na fase cinco, que considera dados coletados até 27 de agosto, a diferença era de apenas 0,6 ponto percentual (13,5% entre os que não usam transporte coletivo e 14,1% entre os que usam). Esta é a última fase dos inquéritos que apresenta estes dados

“Há sobreposição dos IC [Índice de Confiança] dessas duas categorias em todas as fases do estudo, não sendo possível afirmar que há diferença significativa entre elas”, conclui o relatório. 

Os inquéritos são uma série de oito pesquisas que estão sendo realizadas com pacientes aleatórios das Unidades Básicas de Saúde (UBS) em diferentes momentos da pandemia, com o objetivo de avaliar a evolução das infecções no município. Os participantes são submetidos a testes sorológicos, para verificar a presença de anticorpos contra Covid-19 e devem fornecer informações como escolaridade, classe social, adesão ao isolamento social e uso de transporte público durante a crise.


“A concessão do Parque do Ibirapuera, por exemplo, (…) foi parada pela gestão anterior [do governo do estado], que criou dificuldades e embaraços para que a gente avançasse”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Em julho de 2018, o então governador de São Paulo, Márcio França (PSB), pediu que fosse suspenso o processo de concessão do Parque do Ibirapuera. Segundo ele, a área que a prefeitura de São Paulo pretendia conceder englobava terrenos que pertenciam ao governo. França afirmou que o estado não foi devidamente envolvido “na estruturação do projeto”. Em resposta, Covas anunciou que retiraria as áreas do governo e seguiria com o processo

A concessão só prosseguiu, no entanto, depois de João Doria (PSDB) ser eleito governador de São Paulo e formalizar, pelo Decreto nº 64.121, de 28 de fevereiro de 2019, a cessão das áreas estaduais do Ibirapuera para a prefeitura por 50 anos. A vencedora foi a empresa Construcap, com uma proposta de R$ 70,5 milhões.

Houve também contestações na Justiça que atrasaram o processo, feitas pelo Ministério Público e pelo vereador Gilberto Natalini (PV). Segundo eles, não havia sido apresentado um plano diretor com as diretrizes que deveriam nortear a administração do parque. A prefeitura iniciou esse processo após a contestação e, em outubro de 2019, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou a concessão.


 “[Tivemos] Aumento da nota do Ideb nos anos finais do ensino fundamental”

VERDADEIRO

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

A nota média das escolas da rede municipal de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) subiu de 4,3 para 4,8 entre 2015 e 2019, última edição realizada, quando considerados os anos finais do Ensino Fundamental.


“Na cidade como um todo, a gente teve uma diminuição na quantidade de óbitos em acidentes”

Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com o Relatório Anual de Acidentes de Trânsito, organizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o município de São Paulo registrou 854 óbitos em acidentes de trânsito em 2016, contra 791 em 2019 – redução de 7,4%. A tendência de queda já era verificada antes do início da gestão: em 2014, foram 1.249 mortes.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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