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Russomanno erra sobre gastos de campanha e posicionamentos sobre pandemia na sabatina Folha/UOL

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.nov.2020 | 13h37 |

O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) foi o último candidato a prefeito de São Paulo entrevistado nas sabatinas feitas pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, nesta sexta-feira (6). Durante a entrevista, ele falou sobre o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na sua campanha e criticou adversários. Também citou algumas das propostas que tem para a cidade, como a criação de um programa de renda para pessoas afetadas pela crise econômica durante a pandemia. A Lupa checou algumas das falas do candidato, que foi contatado, mas ainda não tinha respondido às checagens até a publicação. Veja o resultado: 

“Eu fui o [candidato] que menos gastei entre os que estão com chance de levar a eleição”
Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

FALSO

Dos quatro candidatos mais bem posicionados na pesquisa Datafolha mais recente, de 5 de novembro, Márcio França (PSB) é o que menos gastou com campanha até o dia 6 de novembro. França declarou R$ 708,9 mil ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), enquanto que Russomanno já gastou R$ 856,3 mil. Os dois estão em empate técnico. Os maiores gastos foram de Bruno Covas (PSDB), com R$ 16,9 milhões, seguido de Guilherme Boulos (PSOL), com R$ 3,3 milhões. 

Já na comparação entre todos os 13 candidatos à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno é o sexto com maior despesa de campanha declarada ao TSE até o momento. Os candidatos que mais gastaram até agora foram Covas, Jilmar Tatto (PT), no valor de R$ 4,5 milhões; Boulos; Joice Hasselmann (PSL), que já gastou R$ 2,7 milhões; e Andrea Matarazzo (PSD), com gasto de R$ 1,7 milhão. 

Os candidatos que têm menos gastos são Antonio Carlos (PCO), que até o momento não registrou nenhuma despesa, seguido por Levy Fidelix (PRTB), com R$ 5 mil; Vera Lucia (PSTU), com R$ 90 mil; Arthur do Val (Patriota), com R$ 597 mil; Marina Helou (Rede), com R$ 651 mil; e Orlando Silva (PCdoB), com despesas declaradas de R$ 679 mil.


“Doentes que eu disse não foram doentes com Covid, mas que tenham problemas de outras natureza [sobre o teste de vacinas em pessoas que já têm Covid-19]”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

FALSO

Diferentemente do que afirma o candidato, em discurso na Associação Paulista de Imprensa (API), em 3 de novembro, ele questionou por que a vacina não estava sendo testada em pessoas que contraíram a doença. “A vacina está sendo testada em adultos sãos. Nenhum com Covid”, disse.

Vacinas não servem para curar pessoas, e sim para estimular a produção de anticorpos no organismo e reduzir as chances de que a pessoa contraia a doença. Além disso, se os testes fossem feitos em doentes, não seria possível ter conhecimento se a resposta do organismo da pessoa foi causada pela vacina ou pelo vírus. Ou seja, esse questionamento não faz sentido, do ponto de vista científico.

“A vacina não está sendo testada em crianças, não está sendo testada em idosos e não está sendo testada nos doentes. São as etapas por onde uma vacina deve passar. E isso não está acontecendo”, concluiu o candidato. 

Na mesma ocasião, ele também fez outras afirmações sem nenhum embasamento científico. Por exemplo, ele disse que a letalidade da Covid-19 em pessoas de rua era de 0,01%.


“Eu não disse aqui que o dinheiro [para a saúde no combate à pandemia da Covid-19] veio só do governo federal”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

CONTRADITÓRIO

Durante a sabatina realizada pela Folha de S.Paulo em parceria com o UOL, Russomano se contradisse em relação à fonte do dinheiro que abasteceu a saúde municipal durante a pandemia da Covid-19. Na entrevista, ele disse: “O dinheiro todo que veio para a saúde, veio do governo federal”. Minutos depois, afirmou que “não disse que o dinheiro veio só do governo federal”.

De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, as prefeituras do estado receberam repasses de R$ 3,72 bilhões do governo federal e R$ 490 milhões do governo estadual até setembro. Especificamente para a cidade de São Paulo, o repasse estadual foi de R$ 182,2 milhões.

Além disso, o governo estadual destinou R$ 2,2 bilhões diretamente em gastos com o combate à pandemia, segundo Portal da Transparência criado especificamente para monitorar os gastos com a pandemia. Foram desconsiderados nesse cálculo valores que foram transferidos pela União.


“Quase 28 mil moradores em situação de rua [em São Paulo]”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

EXAGERADO

O último Censo de População em Situação de Rua, de 2019, indica que há 24.344 pessoas nessa condição na capital paulista. Disponíveis no site da prefeitura, os dados foram coletados de 9 a 30 de outubro do ano passado. O número citado pelo candidato é 15% maior do que o registrado no levantamento. 


“O auxílio emergencial veio do governo federal, atendendo 2,6 milhões de pessoas [em São Paulo]”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

SUBESTIMADO

O Portal da Transparência do governo federal indica  que 3,4 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial em São Paulo desde o início da pandemia. O número citado por Russomanno é 23,5% inferior ao real. Os dados incluem todos os beneficiários desde abril, quando começou o pagamento do benefício, até agosto deste ano.


“É só fazer a comparação minha com o Bruno [Covas]. Estou usando 10% do que ele está usando [na campanha]”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

EXAGERADO

A despesa com campanha de Russomanno declarada ao TSE até o dia 6 de novembro representa 5% do total já gasto por Covas. Enquanto que o atual prefeito gastou R$ 16,9 milhões com a candidatura, Russomanno gastou R$ 856,3 mil. O valor, portanto, é ainda menor do que o informado pelo candidato. 


“Eu não uso auxilio-moradia, eu uso uma casa minha em Brasília”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Durante os quatro últimos mandatos como deputado federal por São Paulo (2003-2011 e 2015-atual), Celso Russomanno não utilizou o auxílio-moradia ou o apartamento funcional da Câmara dos Deputados. O benefício de R$ 4,2 mil mensais é pago aos políticos que não ocupam os apartamentos funcionais que a Câmara tem em Brasília.


“[A prefeitura de São Paulo] tem em caixa R$ 18 bilhões”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com os últimos dados disponíveis no site da Secretaria de Fazenda de São Paulo, o município tem R$ 19.695.846.864,82 em caixa. A informação consta na Demonstração dos Fluxos de Caixa de setembro deste ano. Esse número inclui verbas vinculadas. O número citado pelo candidato é, portanto, próximo do real. 


“Ele [Jair Bolsonaro] tem dois filhos no meu partido”

Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 6 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O senador Flávio Bolsonaro e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), são filiados ao Republicanos, mesmo partido de Russomanno. Eles se filiaram à legenda em março deste ano.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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SUBESTIMADO
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INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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