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#Verificamos: É falso que tratamento precoce evita infecção da Covid-19

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.nov.2020 | 16h26 |

Circula pelas redes sociais um vídeo em que uma mulher afirma, entre outras coisas, haver tratamentos comprovados contra a Covid-19. Ela diz que existem medicamentos profiláticos contra a doença e que tratamento precoce evita o surgimento de pneumonia. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Nós já sabemos que a doença Covid tem tratamento”
Trecho de vídeo que circula pelo Whatsapp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Os cientistas ainda não conseguiram encontrar nenhum tratamento comprovadamente eficaz e seguro contra a Covid-19. De acordo com Fabrício Martins Valois, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), não há ainda nenhuma conduta farmacológica específica que possa ser hoje orientada para os pacientes com diagnóstico de Covid-19 de forma indiscriminada, considerando a eficácia e segurança do fármaco. “Nós não temos essa evidência”, disse. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há tratamentos de suporte respiratório para pacientes gravemente enfermos, como a ventilação, e o uso da dexametasona, um corticosteróide que pode ajudar a reduzir o tempo de uso do ventilador e salvar vidas de pacientes com doenças graves e críticas. Não existe ainda, contudo, um tratamento para a Covid-19 em si. 

Informações de que azitromicina, cloroquina e ivermectina são tratamentos eficazes contra o SARS-CoV-2 circulam pelas redes sociais, mas não há qualquer comprovação científica disso. Na verdade, a azitromicina é um antibiótico que pode ser usado contra infecções bacterianas secundárias em casos de Covid-19, mas não atua diretamente contra o vírus causador da doença. 

A respeito da cloroquina, a Lupa já mostrou que seu uso em pacientes internados com a doença não trouxe benefícios, como a redução na letalidade ou no tempo de internação. Além disso, efeitos colaterais como a arritmia cardíaca vêm sendo observados em muitas pesquisas, levando a Associação Médica Americana a emitir um comunicado pedindo que o uso da cloroquina fosse limitado a estudos clínicos e dentro de hospitais, sob rigoroso controle.  

Por fim, não há nenhum estudo publicado em revista científica que comprove a eficácia da ivermectina contra Covid-19, como também já foi mostrado pela Lupa


“Sabemos que a profilaxia, que é a pessoa que não está doente, passe a tomar o medicamento, para que ela não fique doente (…) fazer a profilaxia (…) é algo que vai evitar que as pessoas adoeçam”

Trecho de vídeo que circula pelo Whatsapp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há profilaxia medicamentosa eficaz contra a infecção pelo novo coronavírus. É o que dizem a OMS e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), órgão governamental de pesquisa dos Estados Unidos.

Apesar disso, alguns medicamentos estão sendo avaliados em estudos científicos, como a hidroxicloroquina, por exemplo. Segundo um estudo clínico feito com metodologia rigorosa e publicado no The New England Journal of Medicine, essa medicação, fornecida por quatro dias, não foi capaz de reduzir a taxa de infecção por Covid-19 nos 14 dias subsequentes ao seu uso, quando comparada com placebo.

A ivermectina também vem sendo apontada como possível profilático mas, de acordo com um estudo publicado pelo The Journal of Antibiotics, ela é um medicamento amplamente conhecido no tratamento de verminoses, pediculose, infestação por carrapatos e pulgas, e parece ter efeitos anti-virais in vitro

Um estudo realizado por um consórcio público-privado liderado pelo Instituto de Pesquisa de Doenças Tropicais e divulgado pelo governo argentino observou que a administração da substância em uma dose de 0,6 miligramas por quilograma de peso (três vezes a quantidade usual) produz efeito sobre o vírus, mas os resultados ainda não foram publicados em qualquer periódico científico e, portanto, não foram analisados pela comunidade médica. Além disso, a análise foi feita com apenas 30 pacientes, uma quantidade muito pequena.

Existem ainda outros medicamentos sendo avaliados para a profilaxia pré e pós-exposição, como a cloroquina, lopinavir/ritonavir, nitazoxanida, remdesivir, plasma convalescente, porém ainda sem resultados, como informa a plataforma do Programa Telessaúde Brasil Redes, do Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde em parceira com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  


“Se a gente trata o vírus precocemente, a doença não aparece, a pneumonia não surge”
Trecho de vídeo que circula pelo Whatsapp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não existem evidências de que qualquer medicação dada no início dos sintomas da Covid-19 possa evitar a evolução desfavorável para pneumonia. Foi o que disse Estevão Urbano, infectologista presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte, por telefone, à Lupa

Segundo ele, alguns trabalhos iniciais com cloroquina até mostraram algum benefício, mas logo depois apareceram estudos mais sólidos, mais conclusivos e usando metodologias cientificamente mais corretas que não comprovaram isso. “Esta afirmação é feita com bases científicas muito frágeis e este protocolo não pode ser usado de forma rotineira porque não há subsídio científico para tal”, disse.]

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751

Editado por: Maurício Moraes

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Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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