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Foto: Suprema Corte
Foto: Suprema Corte

#Verificamos: É falso que juiz da Suprema Corte dos EUA foi acusado de abuso sexual por Biden

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.nov.2020 | 16h52 |

Circula nas redes sociais que o juiz da Suprema Corte americana Clarence Thomas teria sido acusado pelo novo presidente eleito dos EUA, Joe Biden, de abuso sexual e espancamento da sua esposa. A publicação diz ainda que o magistrado irá julgar a suposta fraude eleitoral nas eleições do país. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Thomas Clarence, homem honesto e honrado, que foi difamado, humilhado e acusado por Joe Biden em 1991 por abuso sexual, espancamento de sua esposta, de ser gay, é o homem que preside a Suprema Corte americana que julgará as fraudes eleitorais”  

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O juiz Clarence Thomas foi acusado de assédio sexual em 1991, quando foi nomeado para a Suprema Corte, mas o presidente eleito Joe Biden não foi o autor da denúncia. A acusação partiu de Anita Hill, professora de Direito na Universidade de Oklahoma. Biden apenas presidia o Comitê Judiciário do Senado, responsável por confirmar ou rejeitar a nomeação, e determinou que Hill fosse ouvida pelos senadores. Não há registro de que ele tenha acusado o juiz de ser “gay” ou “espancar sua esposa”. Por fim, Thomas não é presidente da Suprema Corte. Quem ocupa o posto atualmente é o juiz John G. Roberts.

Thomas foi nomeado para a Suprema Corte pelo então presidente George H.W. Bush em 1991. Enquanto a nomeação tramitava no Senado, Hill acusou o futuro juiz, com quem tinha trabalhado junto no Departamento de Educação e na Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego. Segundo a professora, Thomas pressionava para que eles saíssem juntos, conversava sobre pornografia e se referia ao tamanho do seu pênis. O nomeado negou as acusações, dizendo que foi alvo de um linchamento moral.

Em 11 de outubro, Hill depôs ao Comitê Judiciário do Senado, presidido por Biden, sobre as acusações. As perguntas direcionadas à Anita nas sessões foram bastante questionadas, hoje e na época, por incentivar a culpabilização da vítima. Apesar das acusações, o nome de Thomas foi aprovado pelo comitê e, posteriormente, pelo resto dos senadores, por 52 votos a 48Biden votou contra. 19 anos depois, ele continua sendo um dos 9 juízes da Suprema Corte.

Em abril do ano passado, Biden chegou a telefonar para a professora para “demonstrar arrependimento pelo que ela sofreu” nas sessões. No entanto, ela não se demonstrou satisfeita com as declarações.

Nota: esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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