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Foto: Reprodução/Prefeitura de Goiânia
Foto: Reprodução/Prefeitura de Goiânia

Goiânia: candidatos erram sobre investimentos da atual gestão, segurança e apoios políticos

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.nov.2020 | 14h38 |

A gestão de saúde em Goiânia, os investimentos realizados pelo atual prefeito e os apoios políticos foram os principais assuntos discutidos pelos candidatos à prefeitura do município em entrevistas à imprensa e debates organizados por organizações. A Lupa checou afirmações dos quatro candidatos mais bem colocados na disputa da capital goianiense, que registraram mais de 4% das intenções de voto na última pesquisa Ibope: Maguito Vilela (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD), Adriana Accorsi (PT) e Elias Vaz (PSB). O atual prefeito, Iris Rezende (MDB), decidiu não concorrer à reeleição.

 

Maguito Vilela (MDB)

“Nós já temos mais de 100 equipes [de Saúde da Família] que o Iris [Rezende] criou”
Maguito Vilela (MDB), candidato à prefeitura de Goiânia, em entrevista à Band TV Goiânia, em 13 de outubro de 2020

EXAGERADO

No início da gestão de Iris Rezende (MDB), em janeiro de 2017, Goiânia contava com 169 equipes de saúde da família, de acordo com o painel de Informação e Gestão da Atenção Básica do Ministério da Saúde. Esse número chegou a cair para 130 em julho de 2017, mas, dois anos depois, alcançou o total de 192 equipes – uma diferença de 22 equipes desde o começo da gestão.

De acordo com a Prefeitura de Goiânia, quando Iris assumiu, apenas 128 destas equipes estavam completas – o que significa que eram compostas por médico, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Ainda assim, mesmo se considerada a correção na contratação de profissionais nas equipes desfalcadas, a atual gestão teria contribuído com a constituição de 64 equipes de saúde – e não de 100.

A assessoria do candidato informou que, ao citar o número, ele “incluiu na soma as 44 equipes de atenção primária criadas pela atual gestão”.


“O partido [MDB] está 100% conosco, nos apoiando”
Maguito Vilela (MDB), candidato à prefeitura de Goiânia, em sabatina do Jornal O Popular, em 7 de outubro de 2020

FALSO

A indicação de Maguito Vilela para concorrer a prefeito de Goiânia não é unanimidade entre os integrantes do MDB em Goiás. O deputado estadual Bruno Peixoto, líder do governo na Assembleia Legislativa, e o senador Luiz do Carmo, ambos emedebistas, declararam apoio ao candidato da oposição, Vanderlan Cardoso (PSD). A decisão dos políticos segue na esteira do governador Ronaldo Caiado (DEM). 

O atual prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), decidiu não tentar a reeleição ao cargo e também não apoiou nenhum dos candidatos. Por outro lado, apoiadores históricos dele passaram a reforçar a campanha de Maguito

Procurada, a assessoria do candidato informou que o senador Luiz Carlos do Carmo e o deputado estadual Bruno Peixoto não estão envolvidos em atividades partidárias, integram a base do governador Caiado e se afastaram do MDB. Segundo a nota, “se ainda estão formalmente filiados [ao MDB], o mesmo não pode ser dito quanto à atividade e vivência partidária.” A assessoria também indicou que o prefeito Iris Rezende anunciou sua aposentadoria política e não participa de nenhuma campanha, mas que “em momento algum ele se manifestou de maneira contrária à candidatura de Maguito Vilela.”


“Nós não tivemos nenhum escândalo com relação à Saúde em Goiás. Quase todas as capitais tiveram, Goiânia não”
Maguito Vilela (MDB), candidato à prefeitura de Goiânia, em debate da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás, em 08 de outubro de 2020

FALSO

Em 14 de maio 2018, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Vereadores de Goiânia indiciou o prefeito Iris Rezende (MDB) e a secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, por crimes como improbidade administrativa, lesão corporal e homicídio culposo. Quatro dias depois, o relatório final aprovado na Câmara isentou o prefeito, mas manteve a acusação contra Fátima e outras 27 pessoas, empresas e hospitais. 

Entre as irregularidades apontadas estavam: a seleção de pacientes para atendimento na saúde, o pagamento irregular de curso de mestrado a funcionárias, favorecimento de clínicas particulares, prejuízo com a terceirização de serviços de raio-x, funcionários que não estariam trabalhando, entre outras. 

Instaurada em 10 de outubro de 2017, a comissão ouviu 45 depoimentos e chegou a denunciar casos de mortes de pacientes na fila da UTI à Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso informou que a secretária e o prefeito não deveriam ser investigados. A CEI pediu o afastamento da secretária de saúde, mas ela permanece no cargo até hoje 

Procurada, a assessoria do candidato não respondeu.

 

Vanderlan Cardoso (PSD)

“O menor preço de metro quadrado [da cidade] é no Centro de Goiânia”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato à prefeitura de Goiânia, em sabatina da Mas Goiás com Band News, em 22 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

De acordo com os Informes mensais do Índice FipeZap, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em seis dos nove primeiros meses de 2020, a região central de Goiânia tinha o menor preço médio por metro quadrado da cidade – R$ 2.528 em setembro, mês anterior à afirmação do candidato. 

Contudo, a Fundação reforça que o relatório é baseado em anúncios de venda de imóveis na internet e não analisa todos os bairros de Goiânia. Além disso, o Centro só é mais barato quando analisados os imóveis à venda. No caso da locação, os bairros Aeroviário, Aeroporto e Cidade Jardim têm menor preço, em média, em 2020. 

Procurada, a assessoria do candidato informou que, de acordo com o Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (SecoviGo), o centro de Goiânia tem apartamentos em que o metro quadrado custa R$ 1,5 mil. “Outro agravante apontado é que, mesmo com esse custo, a vacância da região chega a 70%”, diz.


“Nossa Segurança Pública no governo do [Ronaldo] Caiado melhorou muito. Nós tínhamos dias que eram 46 veículos sendo assaltados, hoje isso está praticamente zerado”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidato à prefeitura de Goiânia, em sabatina da TBC, em 06 de novembro 2020

EXAGERADO

Em dezembro de 2018, antes da posse de Ronaldo Caiado como governador de Goiás, 594 veículos foram roubados e 871 foram furtados no estado – uma média de 19 e de 28 por dia, respectivamente. Os dados são do Observatório de Segurança Pública, da Secretaria de Segurança Pública de Goiás. Se considerado todo o ano de 2018, a média diária sobe para 28 veículos roubados e 31 furtados. Ou seja, menos do que os 46 citados pelo candidato.

Na gestão Caiado, os roubos e furtos de veículos foram reduzidos, mas não chegaram a zero. Nos nove primeiros meses de 2020, foram 1.975 veículos roubados e 4.302 furtados, o que representa um média respectiva de sete e de 16 carros por dia ao longo do período. 

É considerado roubo de veículo quando um criminoso aborda a vítima e a obriga a entregar o carro. No furto não há ameaça, e o carro é levado sem confronto. 

Procurada, a assessoria do candidato disse que ele se baseou nos dados do Anuário de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para o ano de 2015. “A média de roubo e furto de veículos em Goiás chegou a 49 ao dia. Essa média é a soma de roubo e furto”. De acordo com o anuário, naquele ano foram registrados em Goiás 16.304 roubos e 11.990 furtos de veículos no estado – 45 e 32 casos por dia, respectivamente. No entanto, esse período não é imediatamente anterior à gestão Caiado.


“Eu tenho o apoio do governador Caiado (…). Tenho o apoio do governador, como foi em 2016”
Vanderlan Cardoso (PSD), candidata à prefeitura de Goiânia, em sabatina do Jornal O Popular, em 15 de outubro de 2020

FALSO

Em 2016, o então senador Ronaldo Caiado (DEM) declarou apoio à candidatura de Iris Rezende (MDB) à prefeitura de Goiânia, concorrente de Vanderlan. Caiado participou ativamente da campanha do emedebista. À época, o DEM fez parte da chapa de Rezende e não apoiou Vanderlan, que disputava o cargo pelo PSB. 

Em 2020, Caiado esperou o atual prefeito decidir se tentaria a reeleição para escolher um nome para apoiar no pleito. Depois que Iris retirou a possibilidade de candidatura própria, Caiado apoiou Vanderlan. 

Procurada, a assessoria de Vanderlan informou que “o candidato apenas confundiu o período no qual esteve lado a lado com Ronaldo Caiado”. “Em 2012, Vanderlan apoiou o então vereador Simeyzon Silveira (PSC) para candidato a prefeito de Goiânia e Caiado indicou Rafael Rahif (DEM) para vice. Entre 2012 e 2013, Vanderlan e Caiado mantém a relação para a disputa ao governo de 2014. Porém, Caiado deixa a parceria após declarações da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, contra uma possível aliança com o então deputado federal do DEM”, diz.

 

Delegada Adriana Accorsi (PT)

“As ciclovias iniciaram na gestão do prefeito Paulo Garcia, ele foi o primeiro e único prefeito que investiu nessa questão”
Adriana Accorsi (PT), candidata à prefeitura de Goiânia, em sabatina do Jornal O Popular, em 28 de setembro de 2020

FALSO

Paulo Garcia (PT) foi prefeito de Goiânia de abril de 2010 a dezembro de 2016. Em 2011, ele foi o primeiro gestor da capital a investir na malha de ciclovias da cidade, mas não foi o único. De acordo com a Prefeitura de Goiânia, em 2020, por exemplo, foram concluídas as revitalizações das ciclovias da Avenida Universitária (3km), da Avenida T-63 (6,5km) e Avenida Couto Magalhães (0,45km). 

Na Lei Orçamentária Anual para o ano de 2020, o investimento em ciclovias está previsto no orçamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

Procurada, a assessoria da candidata informou que o prefeito Paulo Garcia construiu quase 100 quilômetros de ciclovias em Goiânia. “Dali pra frente o que houve foi revitalização, pequenos reparos na pintura, por exemplo. Não houve construção”, diz. 


“A lei da minha autoria que foi sancionada, torna os pit dogs de Goiânia patrimônio imaterial gastronômico”
Adriana Accorsi (PT), candidata à prefeitura de Goiânia, em debate da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás, em 08 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Em 8 de outubro o governador Ronaldo Caiado (DEM) sancionou uma lei da deputada estadual Adriana Accorsi que torna os “pit dogs” – lanchonetes montadas na rua que fazem sanduíches na hora – um patrimônio cultural imaterial do estado de Goiás. O projeto de lei da deputada estabelece a preservação e estabilidade deste tipo de atividade comercial. Em todo o estado, os 3 mil estabelecimentos deste tipo empregam até 40 mil pessoas. 


“[O déficit] é de cerca de 30 mil famílias esperando a casa própria”
Adriana Accorsi (PT), candidata à prefeitura de Goiânia, em debate da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás, em 08 de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com a Prefeitura de Goiânia, existem cerca de 30 mil famílias que aguardam na fila para obtenção da casa própria, dentro do Programa de Habitação de Interesse Social do município. 

 

Elias Vaz (PSB)

“Este ano, gastei R$ 25 mil [da cota parlamentar]”
Elias Vaz (PSB), candidato à prefeitura de Goiânia, em sabatina Mais Goiás com Band News, em 19 de outubro de 2020

SUBESTIMADO

De janeiro a setembro de 2020, o deputado federal Elias Vaz gastou R$ 31.260,50 de sua cota para o exercício da atividade parlamentar. Portanto, um valor 25% maior do que o informado. A cota é usada para indenizar despesas como passagens aéreas, alimentação e hospedagem. 

Vale pontuar que, se considerados todos os deputados federais de Goiás, Vaz é o que gastou menos. Depois dele aparece Jose Schreiner (DEM), que executou R$ 177.751 em 2020. Goiás é o estado com o menor teto permitido para uso da cota parlamentar: cerca de R$ 35,5 mil por mês.

Em nota, a assessoria do candidato informou que Vaz se baseou no último levantamento publicado pelo jornal Diário da Manhã. “Hoje,o gasto está em R$ 31.355 (até outubro). O valor corresponde a menos de 10% do valor anual a que ele tem direito. A cota mensal do deputado é de R$ 36.860. Isso significa que ele não gastou em todo o ano sequer o valor de um mês de cota”, diz.


“O caso do Mutirama fui eu que denunciei. O caso do supersalário da Comurg, fui eu que denunciei. O caso do roubo da merenda, fui eu que denunciei, das ambulâncias do Samu superfaturadas”
Elias Vaz (PSB), candidato à prefeitura de Goiânia, em entrevista à TBC, em 19 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Como vereador de Goiânia (2001-2019), Vaz fez uma série de denúncias contra a administração municipal, entre elas: o caso do superfaturamento na compra de brinquedos da empresa Mutirama; a denúncia contra os supersalários pagos a integrantes da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), em 2013; o suposto desvio de 190 toneladas da merenda escolar, em 2015; e a suspeita de superfaturamento na manutenção de veículos da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, em 2018.


“Nós queremos (…) no meu plano de governo (…) estabelecer uma lógica de combate à corrupção, isso está espelhado no meu plano de governo”
Elias Vaz (PSB), candidato à prefeitura de Goiânia, em sabatina Mais Goiás com Band News, em 19 de outubro de 2020

FALSO

No plano de governo do candidato, protocolado no Tribunal Superior Eleitoral, não há qualquer menção ao combate à corrupção. 

O plano está dividido nos eixos: Gestão Criativa, Economia Criativa, Um Modelo de Cidade Inovadora e Criativa, Saúde é um Direito de Todos, Educar para Emancipar, Mobilidade Urbana, Fortalecer a Rede de Assistência Social, Pessoas com Deficiência, Igualdade Racial, Direitos Humanos, Segurança Cidadã, Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, Cultura para Todos, Esporte para Todos, Direito à diversidade e Prestigiar e fortalecer o funcionalismo público. Em nenhum deles há propostas específicas que citem o tema. 

Procurado, o candidato informa que o tema da corrupção está mencionado na proposta sobre transparência, qual seja, o “desenvolvimento de um portal da transparência mais ágil e simples para o cidadão acompanhar os gastos da prefeitura, com disponibilização das notas fiscais para dar a mais ampla publicidade e ferramentas para o controle social e das autoridades de controle, aplicando na íntegra o art. 7º da Lei Municipal nº 9.262/2013”.

 

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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