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Foto: Twitter Biden
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#Verificamos: É falso que Detroit abriu processo para apurar irregularidades nas eleições americanas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.nov.2020 | 18h01 |

Circula pelas redes sociais que houve a abertura de um processo eleitoral em Detroit, no Michigan, Estados Unidos, para apurar supostas fraudes nas eleições americanas. Segundo o post, houve o registro de mais de 2 mil pessoas mortas e 4 mil registros de eleitores estavam duplicados. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Em Detroit foi aberto um processo eleitoral. 4.788 registros duplicados; 32.519 votos a mais do que votantes; 2.503 pessoas mortas registradas; Um votante nascido em 1823”
Texto de post compartilhado no Facebook que, até às 16h do dia 11 de novembro de 2020, tinha mais de 900 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O caso relatado no post é antigo e não tramita mais na Justiça americana. Em dezembro de 2019, o grupo Public Interest Legal Foundation abriu um processo contra Detroit e outras cidades dos Estados Unidos por conta de problemas na manutenção de listas de eleitores. O grupo afirmava, por exemplo, que “Detroit tem mais eleitores registrados do que cidadãos adultos com idade de votar” (página 9). 

Em maio de 2020, Detroit contestou as acusações e disse que o número citado pela entidade era “enganosamente exagerado” (página 2). Contudo, a prefeitura reviu as informações e realizou mudanças. A prefeita da cidade, Janice Winfrey, disse que a maioria das alterações foi feita depois de uma manutenção já programada nos cadernos eleitorais. Outro erro consertado era de um eleitor que aparentemente havia nascido em 1823. Nesse caso, houve um erro de digitação.

Em junho, a Public Interest Legal Foundation desistiu da ação. Segundo o grupo, Detroit tomou providências e “quase todos os registros duplicados que o Requerente trouxe à atenção dos Réus foram corrigidos”. No site da entidade, o presidente e conselheiro geral da Public Interest Legal Foundation, J. Christian Adams, comemorou a ação e disse que esse era uma vitória para a integridade das eleições presidenciais de 2020. 

O presidente eleito Joe Biden ganhou o estado de Michigan com 50,5% dos votos que tinham sido apurados até a tarde desta quarta-feira (11), enquanto Donald Trump conseguiu apenas 47,9% dos votos. Esse foi um dos estados que Trump venceu em 2016 e, por essa razão, boatos que circulam pelas redes afirmam que houve irregularidades na votação de Michigan.

Esse boato começou a circular nos Estados Unidos e foi desmentida por checadores do Politifact e Snopes. No Brasil, o conteúdo foi verificado por Fato ou Fake, Aos Fatos e AFP.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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