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Rio de Janeiro: Martha Rocha erra ao explicar aumento nos registros de estupro

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.nov.2020 | 12h41 |

A candidata à prefeitura do Rio de Janeiro Delegada Martha Rocha (PDT) ocupa a segunda posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 30 de outubro de 2020, empatada com Marcelo Crivella (do Republicanos). Em entrevistas à imprensa, ela tem divulgado suas propostas para a cidade. A Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Declarações de Eduardo Paes (DEM), que ocupa o primeiro lugar em intenções de voto na mesma pesquisa, também foram analisadas, e o resultado da verificação será publicado no dia 13 de novembro. Marcelo Crivella (Republicanos), que está empatado em segundo lugar com Martha Rocha, também teve falas checadas e publicadas em 12 de novembro. Benedita da Silva (PT), quarta colocada na disputa, teve falas checadas e publicadas em 4 de novembro.

Confira o grau de veracidade do que disse Delegada Martha Rocha:

“Esse aumento foi porque se uniu num único crime o atentado violento ao pudor mais o caso de estupro [sobre o aumento nos registros de estupro no período em que era chefe da Polícia Civil]”
Delegada Martha Rocha (PDT), candidata a prefeita do Rio de Janeiro, no debate da TV Bandeirantes em 1º de outubro de 2020

FALSO

Martha Rocha foi chefe da Polícia Civil entre 2011 e 2014. Os crimes de atentado violento ao pudor e estupro foram unificados antes, por força da lei 12.015, de 2009.

Nos 36 meses anteriores à chefia de Martha Rocha na Polícia Civil, houve 12.694 estupros registrados no estado, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública. A mesma tabela do ISP mostra que, durante os 36 meses em que Martha Rocha foi chefe da Polícia Civil, houve 16.690 estupros registrados ― um aumento de 31,4%.

Procurada, a assessoria de imprensa da candidata informou que “ao se referir à lei, ela quis explicar que a mudança também contribuía para a tendência de crescimento do número de casos”, e que “a principal razão para o crescimento do número de registros foi a ampliação das delegacias especializadas de atendimento à mulher, que (…) ajudaram as vítimas a romperem o silêncio”.

No período em que Martha Rocha foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o número de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) passou de dez para 12. Também houve a criação de seis Núcleos de Atendimento à Mulher (espaços de atendimento à mulher nas delegacias comuns, que geralmente contam com equipe própria) de acordo com o Dossiê Mulher, produzido pelo Instituto de Segurança Pública do Rio.


Nós aumentamos o número de prisões
Delegada Martha Rocha (PDT), candidata a prefeita do Rio de Janeiro, no debate da TV Bandeirantes em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Dados do Instituto de Segurança Pública apontam que o número de prisões entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2014 (período em que Martha Rocha foi chefe da Polícia Civil) foi de 165.002, enquanto nos 36 meses anteriores foi de 108.191. 


Nós aumentamos o número de apreensões
Delegada Martha Rocha (PDT), candidata a prefeita do Rio de Janeiro, no debate da TV Bandeirantes em 1º de outubro de 2020

VERDADEIRO

Dados do Instituto de Segurança Pública apontam que o número de apreensões entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2014 (período em que Martha Rocha foi chefe da Polícia Civil) foi de 65.704, enquanto nos 36 meses anteriores foi de 38.887.


Ele (Paes) contraiu dívidas para a prefeitura e deixou a cidade com um rombo de R$ 320 milhões
Delegada Martha Rocha (PDT), candidata a prefeita do Rio de Janeiro, no debate da TV Bandeirantes em 28 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

A informação consta no estudoO Rio em perspectiva: um diagnóstico de escolhas públicas”, da Fundação Getúlio Vargas. Essa publicação informa que “as contas do município foram abertas em 2017 com um saldo negativo no caixa do tesouro de cerca de R$ 320 milhões. Esse déficit consiste numa diferença entre as obrigações financeiras de anos anteriores e a disponibilidade de recursos deixada para honrar esses pagamentos. Tais obrigações incluem os restos a pagar (compromissos assumidos em anos anteriores, porém sem efetivo pagamento), além de uma inédita série de cancelamentos de empenho de serviços públicos e outras despesas (…)”, com base no Anexo 5 do Relatório de Gestão Fiscal, produzido pela Controladoria Geral do Município do Rio de Janeiro.

Por conta destes restos a pagar e cancelamentos de empenho, Eduardo Paes foi ajuizado por improbidade administrativa, em ação movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas a decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública julgou a petição improcedente, o que na prática significa que Paes foi absolvido dessa acusação.

No entanto, de acordo com o Relatório e Parecer Prévio sobre as Contas de Governo do Município do Rio de Janeiro, elaborado pelo Tribunal de Contas do Município, o déficit entre despesas e receitas foi de R$ 110 milhões em 2016. As contas da prefeitura daquele ano foram aprovadas pelo TCM.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
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Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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