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Prefeitura SP: Checamos o que candidatos falaram no último debate antes do 1º turno

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.nov.2020 | 02h47 |

Esta publicação foi corrigida às 19h26 do dia 13 de novembro de 2020. Veja abaixo.

Candidatos à prefeitura de São Paulo participaram na noite desta quinta-feira (12) do último debate do primeiro turno das eleições 2020, promovido pela TV Cultura. Foram convidados apenas os políticos que são filiados a partidos com representação no Congresso. O encontro contou com a presença de Bruno Covas (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Celso Russomanno (Republicanos), Márcio França (PSB), Jilmar Tatto (PT), Arthur do Val (Patriota), Joice Hasselmann (PSL), Andrea Matarazzo (PSD), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB).

Transmitido ao vivo do Memorial da América Latina, o debate teve mediação de Leão Serva, diretor de jornalismo da TV Cultura, e foi realizado sem plateia por causa da pandemia de Covid-19. A Lupa verificou algumas das declarações dos participantes. Confira:

“[Eu sou] O único candidato de todos esses aqui que abriu mão do fundo eleitoral para fazer campanha”
Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Entre os 10 candidatos participantes do debate realizado pela TV Cultura, Arthur do Val é o único que abriu mão de receber recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundo eleitoral. Todos os outros já receberam verbas do fundo, segundo o TSE

Entretanto, dois partidos, em nível nacional, abriram mão de receber os recursos: o PRTB e o Novo. O PRTB tem candidato nas eleições para prefeito de São Paulo: Levy Fidelix, que não foi convidado para o debate. Já o Novo chegou a lançar a candidatura de Filipe Sabará, mas ele foi expulso do partido, que desistiu da candidatura.


“Os servidores públicos [da Prefeitura de São Paulo] tiveram aumento de alíquota de contribuição”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Em 26 de dezembro de 2018, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 621/2016, do Executivo, que instituiu a Reforma da Previdência Municipal. A alíquota básica de contribuição dos servidores passou de 11% para 14%. Já a  contribuição patronal passou de 22% para 28%. Um dia após a votação, em 27 de dezembro, Covas sancionou o projeto


“A prefeitura (…) durante muitos anos não faz imóvel aqui na capital”
Márcio França (PSB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

Entre janeiro de 2017 e novembro de 2020 foram entregues 14,3 mil unidades habitacionais na cidade de São Paulo, segundo dados da Secretaria Municipal de Habitação. A secretaria diz que outras 4,7 mil estão em construção.

A assessoria de imprensa de França afirmou, em nota, que só foram entregues 5.336 unidades habitacionais entre janeiro de 2019 e maio de 2020, segundo o HabitaSampa. “O candidato chama a atenção, na fala dele, para a baixíssima quantidade de unidades entregues pela atual administração”, diz o texto.


“[São Paulo tem] 28 mil moradores em situação de rua”
Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

EXAGERADO

Em 2019, existiam 24.344 pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, de acordo com o Censo da População em Situação de Rua da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Esse é o dado mais recente disponível. O levantamento leva em conta tanto as pessoas que estavam em centros de acolhida do município quanto as que moram em vias da capital. O dado representa 53% de aumento em relação ao censo de 2015, que identificou 15.905 pessoas nessa situação.


“Os dados da própria prefeitura mostraram que, em 2019, temos quase 24 mil pessoas em situação de rua”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O Censo da População em Situação de Rua identificou 24.344 pessoas nessa condição na cidade de São Paulo em 2019. O número citado pela candidata é bem próximo do que foi apurado no ano passado pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.


“Quase 40% do nosso esgoto não é tratado e cai direto nos rios”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

EXAGERADO

35,3% do esgoto da cidade de São Paulo não é tratado, de acordo com os números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) em 2018. Os outros 64,7% correspondem ao que é tratado no município. 


“(…) [São Paulo] é uma cidade com quase 1 milhão de desempregados”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Trimestral (Pnad/T) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 937 mil pessoas desocupadas na cidade de São Paulo. Os dados são do 1º trimestre deste ano. Não foram divulgados números mais recentes. Já a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), vinculada ao governo estadual, estimava o número de desocupados na capital em 974 mil no 2º trimestre de 2020.


“Eu sou morador da periferia, sou o único que mora na periferia”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

A maior parte dos 13 candidatos que concorrem à prefeitura de São Paulo vive na região central da cidade. Boulos é o único que vive em uma área periférica, o Jardim Catanduva, no distrito do Campo Limpo, zona sul da capital. O candidato mora no bairro há sete anos. Antes disso, residiu na Pompeia e chegou a viver em uma ocupação em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.


“[Bolsonaro] comemorou a suspensão das pesquisas de vacinas contra a Covid”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na última terça-feira (10), em comentário no Facebook, que a suspensão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dos estudos clínicos da CoronaVac no Brasil é “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. A vacina está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e aplicada no Brasil pelo Instituto Butantan

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar todos os paulistanos a tomá-la”, escreveu o presidente como resposta a um seguidor no Facebook. “O presidente [Bolsonaro] disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, comemorou o presidente. Não há qualquer evidência de que a vacina cause morte, invalidez ou qualquer anomalia.

A Anvisa anunciou nesta quinta-feira (12) a retomada dos testes com a CoronaVac.  Os estudos da fase 3 tinham sido suspensos pela agência na noite de segunda-feira (9), devido à comunicação de “evento grave adverso”, sobre a morte de um voluntário que testava o imunizante contra a Covid-19. O óbito, segundo o governo paulista, não está relacionado com a pesquisa. 


“De 2016 a 2019, o orçamento da assistência social sofreu um corte de 33%”
Marina Helou (Rede), candidata a prefeita de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com as prestações de contas divulgadas pela prefeitura de São Paulo, em 2016 o orçamento da Secretaria de Governo Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social era de R$ 203,4 milhões. Em 2019, esse valor passou para R$ 137,4 milhões, uma redução de 32,45%.


“Hoje, apenas 40% da cidade é coberta no programa de Saúde da Família”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Segundo o painel de indicadores da Atenção Primária à Saúde, a cobertura da população por Equipes de Saúde da Família (ESF) em São Paulo era de 38,87% em junho deste ano, o que corresponde a 4.762.898 pessoas.


“Durante o governo Haddad, de cada 10 pessoas que foram tratadas, nove deixaram de usar o crack”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

De acordo com relatório da prefeitura de São Paulo com indicadores de fevereiro de 2016, 88% entre 290 entrevistados disseram ter diminuído o consumo de crack devido ao programa De Braços Abertos, mas não há dados que apontem que eles tenham abandonado o uso da droga. Os dados foram colhidos em um cadastro a partir do final de 2015. 

Outra pesquisa, realizada com apoio financeiro da Open Society Foundations e científico do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Laboratório de Estudos Interdisciplinares de Psicoativos (Leipsi) da Unicamp, apontou que “mais de 65% dos beneficiários afirmaram ter reduzido o consumo de crack depois de ingressar no DBA”. O estudo foi feito no primeiro semestre de 2015, e o resultado foi divulgado em junho do ano seguinte.


“O desemprego [em São Paulo] alcança mais de 15%, 15,3% dos trabalhadores”
Orlando Silva (PCdoB), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

A Fundação Seade estima que a taxa de desocupação na cidade de São Paulo seja de 15,3%, o que representa 974 mil pessoas nessa condição. Os dados são do segundo trimestre deste ano. Houve aumento em relação ao primeiro trimestre do ano, quando o índice era de 13,2%.


“[Operação Delegada] existe desde o início da nossa gestão”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

A Operação Delegada, ação entre a prefeitura e o governo estadual de São Paulo, foi criada em 2009 para reforçar o policiamento da cidade. O projeto conta com agentes voluntários que realizam a vigilância durante suas folgas.

Em 2012, o projeto foi expandido para outros municípios do estado. Em 2018, o então prefeito João Doria disse que iria aumentar o número de vagas para 1,2 mil. Contudo, segundo o site da prefeitura, o projeto conta com apenas 964 vagas atualmente.


“O senhor [Russomanno] tem 58 faltas no seu trabalho em Brasília”
Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O número citado por Do Val, 58, se refere às faltas de Russomanno em comissões em 2019, especificamente. Dessas, o deputado não justificou 37. Quando incluídas as seis faltas em plenário, esse número chega a 64. Três das ausências em sessões plenárias foram justificadas, e três não foram. Em 2020, foram duas ausências justificadas, nenhuma delas em comissões.

Na legislatura 2015-2019, Russomanno teve 41 faltas justificadas e nove ausências não justificadas em plenário. Somando, o total chega a 50. Neste ano, Russomanno apresenta duas faltas justificadas em plenário.

Em relação às comissões, na legislatura 2015-2019, foram 132 faltas justificadas e 205 ausências não justificadas, totalizando 337 faltas. 


“Em relação às minhas não presenças, eu estava no [Parlamento do] Mercosul”
Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

De acordo com dados disponíveis no site da Câmara dos Deputados, das 58 faltas em comissões em 2019 de Russomanno, apenas 21 foram justificadas. Outras 37 não foram justificadas pelo deputado. Em plenário, ele registrou seis faltas, das quais três foram justificadas. A única falta que foi justificada como “missão autorizada” foi registrada no dia 13 de março de 2019.

Na legislatura passada, ele teve 132 faltas sem justificativa em comissões e outras nove em plenário.


“No último debate, eu te perguntei [Boulos] a respeito de duas empresas (…). Uma delas aberta recentemente, e a outra há algum tempo, que eram empresas fantasmas (…)”
Celso Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

INSUSTENTÁVEL

Não há provas de que as empresas citadas por Russomanno sejam fantasmas. Durante o debate realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com o UOL no dia 11 de novembro, Russomanno questionou Boulos sobre a contratação de duas supostas “empresas fantasmas” feita pela campanha do candidato do PSOL: a Kyrion Consultoria e a Filmes de Vagabundo. De acordo com Russomanno, as acusações teriam sido reveladas por uma “reportagem nas redes sociais”. Entretanto, não há provas de que tais empresas não estejam prestando serviços para a campanha. No mesmo dia, a Justiça Eleitoral determinou a retirada imediata do conteúdo das redes sociais.

As acusações foram divulgadas inicialmente por Oswaldo Eustáquio, que se apresenta como jornalista e apoiador de Bolsonaro. O vídeo foi postado no Twitter às 11h02, durante a realização do debate. Ao responder Russomanno, Boulos afirmou que desconhecia a reportagem. “Você colocou nas suas redes sociais e vem fazer pegadinha em debate?”, perguntou Boulos.

Nas gravações, Eustáquio visita o que seria a sede das organizações citadas. Ao não encontrar a empresa em funcionamento no local visitado, constata que ambas seriam “fantasmas” (existem apenas no papel) e acusa Boulos de desvio de dinheiro público. Boulos informou em sua conta pessoal no Twitter que a produtora Filmes de Vagabundo estava com endereço desatualizado e os funcionários da Kyron Consultoria estariam em regime de trabalho remoto.

No mesmo dia, a Justiça Eleitoral determinou a retirada do vídeo produzido por Eustáquio. Na decisão, o juiz Emílio Migliano Neto definiu que a campanha de Russomanno usou um “estratagema altamente reprovável” e fez acusações “sabidamente inverídicas”.

A Filmes de Vagabundo lançou, em parceria com o Canal Brasil, o longa-metragem “El Mate”, de Bruno Kott, que ganhou prêmio no Festival de Cinema de Gramado de 2016. A Kyrion foi fundada em maio de 2020.


“Ontem você [Russomanno] fez uma acusação (…) de um suposto jornalista que foi preso pela Polícia Federal a mando do Supremo”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Durante o debate realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com UOL no dia 11 de novembro, Russomanno acusou Boulos de contratar empresas fantasmas em sua campanha. A acusação foi baseada em um vídeo publicado pelo jornalista Oswaldo Eustáquio, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal e chegou a ser preso em junho deste ano no chamado “inquérito das manifestações antidemocráticas” (INQ 4.828).

A investigação foi motivada por protestos que pediam o retorno da ditadura militar e o fechamento do STF. Moraes acatou as provas apresentadas pelo Ministério Público, que acusavam a existência de uma rede de comunicação virtual voltada à “desestabilização do regime democrático”. Como desdobramento, a Polícia Federal cumpriu 26 mandados contra pessoas que ameaçaram instituições democráticas. 

Eustáquio foi preso no dia 26 de junho e solto 11 dias depois, com restrições – está proibido, por exemplo, de ficar a menos de um quilômetro da Praça dos Três Poderes. Na decisão, Moraes entende que há indícios do envolvimento do blogueiro em manifestações que impulsionam o “extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, a Poderes da República”. Ele continua sendo investigado pela Polícia Federal.


“Estudo da USP mostra que 20% da população é obesa”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

SUBESTIMADO

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do IBGE, constatou que 26,8% das pessoas em idade adulta, ou seja, com mais de 20 anos, estão obesas no Brasil. O dado é o mais recente sobre obesidade no país. O levantamento tem metodologia de coleta de dados feita em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O número citado por Covas é 25,3% menor do que o identificado pela PNS.

Ao longo de 17 anos, a taxa mais do que dobrou. De 2002 a 2003, havia apenas 12,2% da população com obesidade. Além disso, os dados do levantamento de 2019 mostram que 60,3% dos adultos estavam com excesso de peso.


“Estamos na 24ª semana consecutiva de redução de óbitos”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

EXAGERADO

O número de óbitos causados pela Covid-19 está caindo há 13 semanas consecutivas. A última vez que o número de mortes subiu foi em 14 de agosto, quando a média diária no município chegou a 79. A média móvel do dia 12 de novembro é de 17 falecimentos. Os dados são do Boletim Coronavírus da Fundação Seade de São Paulo.

No dia 29 de junho foi registrado recorde de óbitos, 179 em um único dia, e média móvel de 111 mortes. Depois disso, a média baixou até chegar a 53 óbitos diários em 29 de julho. Contudo, o número cresceu no início de agosto. Depois, voltou a cair.

Em nota, a assessoria de imprensa da campanha de Bruno Covas contestou o resultado da checagem. “A cidade vive a menor taxa de mortes por Covid-19 desde março, com média de 24,71 óbitos diários (média móvel de sete dias). No pico da pandemia na cidade, em maio, foi registrada média diária de 119 mortes. Mesmo com o retorno do funcionamento do comércio e de outros setores, a queda dos índices se manteve constante”, afirma o texto. 

Atualização em 13 de novembro de 2020, às 16h20: A queda de óbitos causados pela Covid-19 vem ocorrendo há 13 semanas, não 15, na cidade de São Paulo. O texto foi alterado.

Atualização em 13 de novembro de 2020, às 18h51: Texto atualizado para incluir posicionamento da campanha de Bruno Covas.


“No governo do Haddad, ele fez 35 redes Hora Certa”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Segundo balanço realizado pela prefeitura de São Paulo, a gestão de Fernando Haddad entregou 35 unidades da rede Hora Certa (página 8). Esses estabelecimentos eram a aposta do petista para melhorar atenção ambulatorial especializada na cidade, sendo, inclusive, uma promessa de campanha. A primeira unidade foi inaugurada em 2013 na zona norte de São Paulo. Segundo a prefeitura, em novembro de 2016, o município contava com 16 unidades fixas, 10 unidades modulares e nove unidades hospitalares.


“A relação dívida e receita da prefeitura [de São Paulo] era de 97% quando começamos a gestão. Hoje é de 38%”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O nível de endividamento da prefeitura da capital paulista, referente ao segundo quadrimestre de 2020, é de 38,5%. No último quadrimestre de 2016, que faz alusão ao período final da gestão Fernando Haddad (PT), o endividamento estava em 92%. O percentual citado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) se refere aos 97,1% registrados no primeiro quadrimestre de 2017, já na gestão João Doria.

Em boa parte, a redução foi resultado da renegociação de dívida pactuada entre a prefeitura e a União no início de 2016, na gestão de Fernando Haddad (PT). Antes da renegociação, o indexador da dívida era o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) acrescido de juros de 9% ao ano. Com a renegociação, passou a ser o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acrescido de juros de 4% ao ano, limitado à variação da Selic. Com esse acordo, o endividamento do município caiu de 182% (último quadrimestre de 2015) para 92% (último quadrimestre de 2016).


“Fiz 400 quilômetros de faixas de ônibus (…), fiz as ciclovias no governo Haddad”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Sob a administração de Jilmar Tatto, a Secretaria Municipal de Transportes fez 423,3 quilômetros de faixas exclusivas à direita para ônibus, de acordo com o Diário Oficial da Cidade de São Paulo, publicado em 31 de dezembro de 2016. A meta 96 previa 150 quilômetros de faixas para o transporte coletivo, o que foi superado em 282%. 

A meta 97, presente na mesma edição do Diário Oficial do município, previa a implantação de 400 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Sob a gestão de Tatto, a meta foi concluída em 100%, também em 2016.


“Prefeitura atual prometeu 72 quilômetros de corredores de ônibus (…)”

Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O primeiro programa de metas apresentado pela prefeitura de São Paulo, publicado em julho de 2017, previa a construção de 72 quilômetros de corredores exclusivos de ônibus. Após a saída de Doria, em 2019, Covas apresentou uma “revisão programática” do plano de metas. Neste plano, a meta para a construção de novos corredores de ônibus é de apenas 9,4 quilômetros. O programa de Doria foi excluído do site da prefeitura.

Correção às 19h do dia 13 de novembro de 2020: Ao contrário do que foi dito anteriormente, o plano de metas original da atual gestão da prefeitura de São Paulo previa a construção de 72 quilômetros de ciclovia. Por isso, a etiqueta foi alterada de “falso” para “verdadeiro”. Veja o texto anterior abaixo:

O relatório do programa de metas da prefeitura de São Paulo mostra que a atual gestão prometeu implantar 9,4 km de novo corredores de ônibus e que já foram implantados 14,88 km de corredores e faixas exclusivas de ônibus (página 27). O documento lembra ainda ainda há duas outras obras de corredores em andamento. Uma delas é a ligação viária Pirituba-Lapa, que foi paralisada temporariamente no início de 2020 por uma liminar. 

Além da implementação de novos corredores, a atual gestão também prometeu requalificar 43,4 km de corredores ou faixas exclusivas de ônibus. Segundo o relatório da prefeitura, até setembro de 2020, foram requalificados 54,77 km de corredores e faixas exclusivas de ônibus (página 28).


“(…) Fez apenas 3 quilômetros [corredores de ônibus]”

Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

Segundo o relatório do programa de metas da prefeitura de São Paulo, foram construídos 14,88 quilômetros de corredores exclusivos de ônibus pela atual gestão, e não apenas três como afirma o candidato.


“Teve uma [eleição] que você [Russomanno] saiu com 42%, você perdeu para o Haddad”
Jilmar Tatto (PT), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

EXAGERADO

De acordo com as pesquisas realizadas pelo Datafolha em 2012, primeira eleição de Russomanno à prefeitura de São Paulo, o maior percentual de intenções de voto alcançado por ele nas pesquisas foi de 35%, em setembro. À época, o candidato não passou para o segundo turno, que foi decidido entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), que saiu vitorioso. No Ibope, o maior percentual alcançado por Russomanno também foi 35%, em 13 de setembro daquele ano.

Em 2016, o maior índice de intenções de votos para Russomanno registrado pelo Datafolha foi de 31%. Já pelas pesquisas do Ibope, a maior taxa de intenções de voto para o candidato foi de 30%. Naquele ano, o vencedor foi João Doria (PSDB), que levou a disputa no primeiro turno. 


“Metade da população fica quatro, cinco, seis horas por dia no ônibus”
Andrea Matarazzo (PSD), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

Em 2019, apenas 8% dos paulistanos gastaram mais de quatro horas em deslocamentos diários pela cidade de São Paulo, segundo pesquisa sobre mobilidade urbana da Rede Nossa São Paulo (página 14). A maior parte da população, 42% segundo a pesquisa, gastou até duas horas para se locomover. O tempo médio gasto para quem se deslocou de carro até uma atividade principal foi de 1h35 e de ônibus, 1h54. Esse número inclui tanto a ida quanto a volta.

Em 2020, o tempo diminuiu em razão da pandemia — 35% dos paulistanos não saíram de casa, conforme o levantamento feito pela rede este ano. A média de deslocamento de carro deste ano – 1h29 – é seis minutos menor do que em 2019. De ônibus, o tempo médio aumentou em dois minutos, chegando a 1h56. Também é menor a quantidade de pessoas que levam mais de quatro horas em deslocamento: 7%.


“Fizemos políticas afirmativas, um dos casos foi a criação do Museu da Diversidade”
Andrea Matarazzo (PSD), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O Museu da Diversidade Sexual de São Paulo foi criado oficialmente em 25 de maio de 2012, pelo Decreto nº 58.075, durante a gestão Geraldo Alckmin – da qual Andrea Matarazzo foi Secretário de Cultura. Mas, quando o museu foi oficializado, o secretário estadual de Cultura já não era mais Matarazzo, e sim Marcelo Mattos Araujo. Matarazzo havia deixado o cargo em abril daquele ano, um mês antes da criação do museu, para ser candidato a vereador pelo município de São Paulo. 


“O próprio vice do prefeito é investigado (…) em relação à ‘máfia das creches’”
Joice Hasselmann (PSL), candidata a prefeita de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O vereador Ricardo Nunes (MDB), candidato a vice-prefeito na chapa de Bruno Covas, é alvo de um inquérito conduzido pela promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A investigação apura indícios de superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura de São Paulo.

Em nota, a assessoria do MP-SP confirmou à Lupa que o caso está em andamento.  


“Houve, inclusive, a instalação de alguns hospitais de campanha que não foram utilizados”
Joice Hasselmann (PSL), candidata a prefeita de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

Durante a pandemia de Covid-19, a prefeitura de São Paulo construiu dois hospitais de campanha, e ambos foram utilizados no atendimento à população. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que 7.868 pacientes foram atendidos nessas unidades. Desses, 6,5 mil se recuperaram, 1.317 foram transferidos para outras instalações hospitalares e 35 morreram. Quando as unidades passaram a apresentar baixa ocupação, ambas foram desativadas.

O Hospital de Campanha do Anhembi ficou aberto cinco meses ― de abril a setembro ― e teve um custo mensal de manutenção de cerca de R$ 28 milhões até agosto, quando foi parcialmente desativado. O Hospital de Campanha do Pacaembu, por sua vez, foi aberto em abril e desativado em junho, tendo um custo total de R$ 23 milhões


“Há poucos dias [Boulos], estava botando fogo em prédio na Avenida Paulista”
Arthur do Val (Patriota), candidato a prefeito de São Paulo, no debate realizado pela TV Cultura, em 12 de novembro de 2020

FALSO

O candidato Arthur do Val acusa Boulos de incendiar o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), localizado na Avenida Paulista. A situação ocorreu em 13 de dezembro de 2016, durante protestos contra a PEC 55/2016, conhecida como PEC do Teto dos Gastos Públicos. Contudo, o prédio não foi incendiado na ocasião, e não há registro de que Boulos tenha participado ativamente da depredação.

Na ocasião, manifestantes invadiram o edifício, quebraram portas e janelas, e jogaram pedras, paus e fogos de artifício. Boulos estava presente na manifestação. Ele afirmou à imprensa que “o dano na fachada da Fiesp é muito pouco perto do dano que a Fiesp está causando há muito tempo ao povo do Brasil” – afirmação que também aparece em vídeo publicado por Arthur do Val, que, segundo o candidato, seria a prova do que ele afirma. Não há registro, contudo, de que Boulos tenha participado dos atos de depredação ou colocado fogo no prédio.

Ainda, após confronto com a polícia, um grupo incendiou lixeiras e fez barricadas na parte externa. Mas, apesar do uso de fogos de artifício, o prédio da Fiesp não foi incendiado (aqui, aqui e aqui).

Editado por: Chico Marés, Marcela Duarte, Maurício Moraes e Natália Leal

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