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Rio de Janeiro: Paes erra dados sobre desemprego e BRT Transbrasil

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.nov.2020 | 22h21 |

O candidato a prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) ocupa a primeira posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 30 de outubro de 2020. A Lupa analisou algumas de suas falas em entrevistas à imprensa. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Delegada Martha Rocha (PDT) e Marcelo Crivella (Republicanos) — empatados em segundo lugar em intenções de voto na mesma pesquisa  —  também tiveram falas analisadas, e os resultados destas verificações foram publicados em 12 de novembro. Benedita da Silva (PT), quarta colocada na disputa, teve falas checadas e publicadas em 4 de novembro.

Confira o grau de veracidade do que disse Eduardo Paes:

“O Rio sempre foi a capital brasileira com menor índice de desemprego, isso aconteceu no meu governo e em governos anteriores, e hoje nós somos a capital brasileira com maior índice de desemprego”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

FALSO

De acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua Trimestral (PNADC/T), do IBGE, o Rio de Janeiro só teve o menor índice de desemprego entre as capitais nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2015 e no 3º trimestre de 2016 (sendo o 4º trimestre de 2015 e o 3º trimestre de 2016 em níveis idênticos aos de Campo Grande-MS). A série histórica começou em 2012. Antes disso, o IBGE media a desocupação no Brasil através da Pesquisa Mensal de Emprego, que não apresentava dados específicos para municípios — somente para regiões metropolitanas.

Também não é verdade que hoje o Rio de Janeiro é a capital com o maior índice de desemprego. De acordo com a mesma PNADC/T Contínua Trimestral do IBGE,13% da mão de obra do Rio de Janeiro estava desocupada no primeiro trimestre de 2020, último dado disponível. Neste período, a capital com maior índice de desemprego era Manaus (18,5%), seguida por Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%). O Rio de Janeiro estava em 14º lugar em relação ao nível de desemprego, junto com Porto Velho e Belém, que também tinham 13% de sua população sem trabalho. Veja os dados completos aqui.

Procurada, a assessoria de imprensa de Eduardo Paes disse que “ao longo dos últimos três anos, a cidade foi a capital que mais perdeu postos de trabalho no Brasil. Esses dados podem ser comprovados utilizando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) (….) especialmente os saldos entre admitidos e demitidos”.

Os dados do Caged mostram o balanço entre vagas formais de emprego (sob a CLT) criadas e fechadas, e não servem para medir taxa de desocupação. Além disso, ao contrário da PNAD Contínua, o Caged não considera outros regimes de trabalho, como MEI, trabalhadores informais e funcionários públicos.


“O Segurança Presente, que se iniciou no meu governo no Centro da cidade”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O programa Segurança Presente foi inaugurado em dezembro de 2015, quando Eduardo Paes era prefeito da cidade, via convênio entre a prefeitura, o governo do estado e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio). 

Contudo, a primeira ação do gênero foi a operação Lapa Presente, que partiu do governo estadual, e não da prefeitura. Esse programa foi oficializado no final de 2013 e que começou a operar em 2014. Ao longo do tempo, o Lapa Presente se expandiu para outras regiões, como Méier, Lagoa e Aterro do Flamengo.

Apenas em 2016, a prefeitura do Rio de Janeiro liderou outra operação do gênero, o Centro Presente.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato ponderou que “o Lapa Presente, apesar de ser uma iniciativa do Governo do Estado, celebrou uma parceria com a Prefeitura que apoiou o projeto em diversas frentes”, e cita os apoios que a gestão municipal deu ao projeto.


 “O BRT Transbrasil nunca foi previsto para ficar pronto em 2016 “
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

 

FALSO

Comunicados, apresentações (slide 20) e planos da Prefeitura previam a inauguração do BRT Transbrasil para 2016. O comunicado sobre o início das obras, que só podem começar com contrato assinado, também informava 2016 como data de conclusão da obra. Até hoje, a obra não foi inaugurada. Em agosto, a prefeitura previa a conclusão ainda no final de 2020.

Procurada, a assessoria do candidato afirmou que “após assinatura do contrato (…) foi estabelecido um cronograma com a previsão de entrega da Transbrasil para maio de 2017”, mas não enviou o cronograma para consulta nem deu mais detalhes sobre este documento. 


“O BRT Transbrasil nunca teve nada a ver com Olimpíada “
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

 

VERDADEIRO

Embora tivesse sua data de conclusão prevista para 2016, ano da realização dos Jogos Olímpicos no Rio, a prefeitura do Rio de Janeiro afirmava, na época, que a obra não integrava a Matriz de Responsabilidade para as Olimpíadas


“Nos meus dois últimos anos, não dei aumento para a Linha Amarela”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao jornal O Globo em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O último reajuste tarifário no pedágio da Linha Amarela antes do fim do mandato de Eduardo Paes foi publicado em Diário Oficial no dia 30 de dezembro de 2014, mas passou a valer em 3 de janeiro de 2015. Na época, o pedágio passou de R$ 5,50 para R$ 5,90. Paes deixou o governo em 1º de janeiro de 2017. O pedágio foi reajustado novamente em abril de 2017, já na gestão Crivella, para R$ 7,00.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato informou que o aumento era referente à inflação no ano de 2014.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Chico Marés

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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