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São Luís: Braide erra ao falar sobre poluição em praias e saneamento básico

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.nov.2020 | 14h30 |

O candidato à prefeitura de São Luís e deputado federal Eduardo Braide (Podemos) ocupa a primeira posição na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 23 de outubro. Assim como outros concorrentes, ele participou do debate promovido pelo jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro. Em colaboração com o projeto Sem Migué, a Lupa analisou algumas de suas falas. A checagem faz parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil verificam discursos dos quatro candidatos melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto em 2020.

Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM) e Rubens Júnior (PCdoB) ― segundo, terceiro e quarto na mesma pesquisa ― também tiveram falas analisadas e os resultados dessas verificações foram publicados nos dias 11, 5 e 3 de novembro.

Confira o grau de veracidade do que disse Eduardo Braide:

“Na minha época (de diretor-presidente da Caema) não tinha poluição nas praias”
Eduardo Braide (Podemos), candidato a prefeito de São Luís, em debate do jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

FALSO

Braide foi diretor-presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) de janeiro de 2005 a março de 2006. Em 2005, a poluição da água do mar já era constatada pela pesquisadora Viviane da Silva, que conduziu um estudo publicado como dissertação do mestrado em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A pesquisa identificou elevados níveis de coliformes fecais nas praias da Ponta D’Areia e Calhau, avaliando-as como impróprias para banho. O problema foi atribuído ao despejo de esgoto doméstico diretamente na rede de drenagem, de onde corria para o mar muitas vezes sem o tratamento adequado.

Na época, não havia divulgação periódica dos laudos de balneabilidade das praias de São Luís a publicação só começou a ser feita pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) em 2012, após uma decisão judicial.

Procurada, a assessoria do candidato não respondeu.


“Na minha época (de diretor-presidente da Caema), o saneamento funcionava melhor”
Eduardo Braide (Podemos), candidato a prefeito de São Luís, em debate do jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

FALSO

Segundo a série histórica do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), os indicadores agregados de coleta e tratamento de esgoto nas cidades atendidas pela Caema apontam para uma situação melhor em 2018 (último ano-referência disponível) do que a registrada em 2005 e 2006.

Em São Luís, o índice de coleta atingiu 31,4% em 2018. No ano de 2005, esse percentual era de 27,5%. Em 2006, chegou a 32,29%. Quanto ao índice de tratamento de esgoto no município, tanto em 2005 como em 2006 foram registradas taxas bem menores: 12,91% e 18,67%. O mesmo indicador subiu para 34,55% em 2018.

Além disso, 2005 também foi o ano em que as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE’s) do Bacanga e do Jaracati foram desativadas por falta de manutenção. Essas eram as duas maiores ETE’s da capital. Uma tentativa de recuperação só foi feita em 2010, segundo relata a pesquisa de Sofia Zagallo no mestrado em Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB).

Procurada, a assessoria do candidato não respondeu.


“(Como diretor-presidente da Caema) eu fiz um concurso público para mais de mil vagas”
Eduardo Braide (Podemos), candidato a prefeito de São Luís, em debate do jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

VERDADEIRO, MAS

A Caema realizou um concurso público para 1.015 vagas em diversas cidades do Maranhão. O certame foi regulamentado pelo edital nº 1/2005, de 23 de dezembro de 2005, e teve resultado homologado em 9 de maio de 2006. 

Entretanto, a ação foi fruto de um acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) nos autos da Ação Civil Pública nº 1.412/2000. A empresa ficou obrigada a realizar concurso para contratação de 729 empregados, substituindo a mão de obra terceirizada em sua atividade-fim.

Essa informação pode ser comprovada por documentos encontrados nos autos do processo 0141200-20.2000.5.16.0003, da 3ª Vara do Trabalho de São Luís: a ata da audiência que resultou em acordo, o requerimento do MPT para que a Caema comprovasse a realização do concurso e a solicitação de anuência do procurador do trabalho para adequação do cronograma do certame.


“Teresina é uma cidade menor do que São Luís e tem oito terminais de integração. E os últimos dois terminais de integração foram inaugurados este ano”
Eduardo Braide (Podemos), candidato a prefeito de São Luís, em debate do jornal O Estado em parceria com o portal Imirante no dia 20 de outubro

VERDADEIRO, MAS

Teresina tem atualmente oito terminais de integração: Rui Barbosa, Buenos Aires, Zoobotânico, Santa Lia, Livramento, Itaraté, Bela Vista e Parque Piauí. Os terminais de Rui Barbosa e Buenos Aires foram inaugurados em 2020. Já São Luís possui hoje cinco terminais de integração: Praia Grande, Distrito Industrial, São Cristóvão, Cohab e Cohama.

Teresina é menor do que São Luís no aspecto populacional. Segundo dados do IBGE, Teresina tem população estimada em 868.075 habitantes. Já São Luís possui aproximadamente 1.108.975 habitantes. No que se refere à extensão territorial, Teresina ocupa uma área de 1.391,046 km², enquanto São Luís possui 582,974 km² de extensão.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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