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Curitiba: Rafael Greca se reelege prefeito no 1º turno; veja o que checamos

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.nov.2020 | 19h51 |

Neste domingo (15), o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), foi reeleito com 59,77% dos votos, com 95% das urnas apuradas. Este é seu terceiro mandato como prefeito de Curitiba: antes de 2016, ele foi prefeito da capital paranaense entre 1993 e 1996. Greca também foi ministro do Esporte e Turismo, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, deputado federal, deputado estadual e vereador. Em 2020, Greca derrotou Goura (PDT), que fez 13,26% dos votos, Fernando Francischini (PSL), com 6,26%, e outros 13 candidatos.

Durante o período eleitoral, checamos algumas das declarações dadas pelo prefeito em entrevistas, e também analisamos suas propostas feitas nas eleições anteriores. Confira abaixo:

“Até agora foram 2 mil alunos que vieram para a rede pública [da rede privada, durante a pandemia]”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em entrevista à rádio Band News em 14 de outubro de 2020

FALSO

A assessoria de imprensa da prefeitura de Curitiba informou que, de março até o dia 3 de outubro, a rede municipal de ensino recebeu 4.323 transferências, mais do que o dobro do número citado pelo candidato. Desse total, 3,7 mil são transferências vindas da rede privada da capital e o restante, de outras cidades. A assessoria ressalta que a rede municipal ainda dispõe de mais de dez mil vagas não ocupadas.

Procurada, a assessoria do candidato respondeu que o prefeito utilizou dados de julho.


“Curitiba é nota 6,5 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – superando a média nacional para os anos iniciais que é 6,0 (…)”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em publicação na sua página no Facebook em 15 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Curitiba obteve nota 6,5 para os anos iniciais (4ª série/5º ano) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019, cuja média nacional é 6. Para os anos finais (8ª série/9º ano), a nota da cidade foi de 5,2.

Curitiba atinge as metas projetadas para os anos iniciais há sete edições consecutivas da prova. Contudo, desde 2013 a capital não atinge as metas dos anos finais. No último Ideb, a meta projetada para o 9º ano do Ensino Fundamental era 5,8 e Curitiba registrou a nota de 5,2.

A variação dos resultados do Ideb de Curitiba entre os anos de 2017 e 2019 teve um crescimento de 1,8% para os anos iniciais, porém, para os anos finais, Curitiba apresentou uma estagnação da nota.


“Desde 2017, tiramos 40 mil pessoas da fila de espera de especialidades médicas. Atendendo quem mais precisava de exames, cirurgias e consultas”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em publicação no seu Facebook em 22 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Curitiba, desde 2017 foram realizados dez mutirões, responsáveis por atender cerca de 40 mil pacientes da fila de espera de especialidades. 


“A ONG Internacional sobre Transparência [Transparência Internacional] deu conceito ótimo para Curitiba, inclusive na gestão do Covid-19”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em entrevista à rádio Banda B em 23 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

No último ranking de transparência no combate à Covid-19 das capitais do país, promovido pela Transparência Internacional Brasil, Curitiba está na 19ª posição com 83 pontos, a última capital com nível “ótimo”. Os resultados foram publicados no dia 1º de setembro e consideram os dados coletados nos portais da transparência entre 24 e 29 de agosto. 

A avaliação leva em conta como são divulgadas as informações sobre contratações emergenciais, doações e medidas de estímulo econômico e proteção social. A escala vai de 0 a 100 e são consideradas mais transparentes as capitais mais próximas da nota máxima. 

Além do índice da Transparência Brasil, a Open Knowledge Brasil também oferece um índice para avaliar a qualidade dos dados e informações sobre a pandemia da Covid-19 publicados pela União, pelos estados e pelas capitais brasileiras em seus portais oficiais. O foco da avaliação, diferente do índice da Transparência Brasil, está nos dados sanitários e epidemiológicos.

No ranking da Open Knowledge Brasil, Curitiba aparece na 11ª posição com 72 pontos e em um nível “bom” de transparência, que fica atrás do nível máximo, o “alto”. O resultado é do período de avaliação de 16 a 26 de outubro de 2020. 

Na 6ª avaliação do Índice de Transparência da Covid-19 (ITC-19), com a coleta de dados no dia 14 de outubro de 2020, Curitiba passou de 73 para 72 pontos e está entre as capitais que perderam pontos pela dificuldade de localização das informações nos sites oficiais, segundo o boletim semanal de análise, publicado no dia 22 de outubro. O principal motivo para a queda de pontos da capital paranaense foi a não localização do total de notificações, que inclui o número de suspeitos ainda não testados.

O boletim ainda revela que Curitiba está entre as capitais que não divulgam a quantidade de testes que a prefeitura dispõe, a quantidade de testes aplicados na cidade, nem a quantidade de testes que a prefeitura consegue realizar por semana ou dia.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato ressaltou que, após o portal ser reformulado, a cidade passou a estar na faixa mais bem avaliada da Transparência Internacional. Ainda, a assessoria colocou que a prefeitura está cumprindo os requisitos mais rigorosos da transparência e que continuará a aprimorar o sistema.


“Agora estamos com um conceito excelente na Transparência Internacional [com relação ao combate à Covid-19]”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em sabatina realizada por UOL e Folha de São Paulo, publicada em 16 de outubro

VERDADEIRO, MAS

Segundo o Ranking de Transparência no Combate à Covid-19, da Transparência Internacional, Curitiba tem conceito “ótimo”, o máximo possível – não existe o conceito “excelente”. Contudo, a nota tirada pela cidade, 83, é menor do que a de outras 18 capitais brasileiras. A escala vai até 100. Os dados são do dia 20 de outubro.

O ranking avalia a qualidade dos portais da transparência sobre Covid-19 de capitais, estados e governo federal e foi lançado em 21 de maio pela a Transparência Internacional. Na ocasião, o portal de Curitiba foi avaliado como “ruim”, com nota 27,3 – a terceira pior capital, empatada com Natal (RN). À época, a prefeitura informou que “as recomendações do Tribunal de Contas da União e da Transparência Brasil chegaram à administração no dia 12/5/2020”. Após atualizações, a nota subiu para 70 e, depois, 83.

Procurada, a assessoria de campanha do candidato informou que a Transparência Internacional considera uma faixa de excelência. “Estamos dentro desta faixa de excelência. O importante é que estamos cumprindo os requisitos mais rigorosos da Transparência”, diz.


“Eu abri três hospitais com respiradores que me mandou o ministro [da Saúde, Eduardo] Pazuello”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em sabatina realizada por UOL e Folha de São Paulo, publicada em 16 de outubro

EXAGERADO

Em junho de 2020, dois hospitais, e não três, foram abertos pela prefeitura para atendimento exclusivo de pacientes de Covid-19: o Hospital Vitória, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e o Instituto de Medicina do Paraná, no bairro Alto da XV. Somadas, as duas unidades disponibilizaram 250 leitos entre enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O Centro Médico Comunitário Bairro Novo também foi usado de forma exclusiva por pacientes de Covid-19, mas, segundo a prefeitura, já estava equipado.

De acordo com o painel de insumos enviados pelo Ministério da Saúde durante a pandemia, Curitiba recebeu 120 respiradores – 110 para atendimento em UTI e 10 do tipo “transporte”, usados para deslocamentos em curto período de tempo. Em junho, Greca afirmou que o Instituto de Medicina absorveu ao menos 100 respiradores enviados pela pasta.

Procurada, a assessoria de campanha do candidato informou que, dos 120 respiradores enviados, “55 foram para o Instituto de Medicina e 35 para o Hospital Vitória. Bairro Novo já tinha estrutura montada. Os hospitais Irmã Dulce e Idoso, que também são do município, receberam 2 e 5 respiradores, respectivamente”. Os outros equipamentos foram distribuídos entre hospitais do SUS não administrados pela prefeitura.


“Cinemas e teatros abriram na hora em que as mortes caíram, em que os leitos de UTI sobraram (…)”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em sabatina realizada por UOL e Folha de São Paulo, publicada em 16 de outubro

VERDADEIRO, MAS

O decreto nº 1.350, que permitiu a reabertura de cinemas, teatros e museus em Curitiba, foi publicado em 9 de outubro de 2020. Segundo o portal de dados Brasil.io, a média móvel de mortes diárias nesta data na cidade era de 5,2, o menor número desde 3 de julho. O período mais crítico da pandemia, até o momento, foi entre o final de julho e o início de agosto, quando o número médio de mortes registradas por dia chegou a ultrapassar 20. No dia 22, a média diária de mortes registradas estava abaixo de 3.

Já a ocupação de leitos exclusivos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava em 66% no dia 9. Em 2 de outubro, estava em 76%, similar à semana anterior. Em 25 de setembro, 77% dos leitos estavam ocupados. De lá pra cá, a porcentagem de leitos ocupados cresceu de novo, atingindo 79% nesta terça-feira (20). Segundo a prefeitura, isso aconteceu porque parte dos leitos exclusivos que não estavam sendo usados foram desativados para abrir espaço para cirurgias eletivas.


“Eu já paguei metade do 13º [salário] deste ano na Páscoa. Todos os anos eu adiantei o décimo terceiro”
Rafael Greca (DEM), prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, em sabatina realizada por UOL e Folha de São Paulo, publicada em 16 de outubro

VERDADEIRO, MAS

Em 2017, 2018, 2019 e 2020, a prefeitura pagou a primeira parcela do 13º salário aos servidores públicos antes do fechamento do ano. Por lei, o empregador tem até o dia 30 de novembro para pagar a primeira parcela e até 20 de dezembro para a segunda. 

Mas, de acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba, o adiantamento é uma prática que acontece ao menos desde 2013, na gestão de Gustavo Fruet (PDT). Além disso, o pacote de ajuste definido por Greca em 2017 congelou o salário dos servidores naquele ano, o que gerou diferenças nos valores pagos para o 13º.

Procurada, a assessoria do candidato ressaltou que deu reajustes em 2018 e 2019, e disse que considera adiantar o 13º salário um feito que “ganha grande relevância quando se vê a situação do país em 2017”.

 

Promessas

“Reduzir o número de Secretarias, contemplando uma administração pública mais veloz e leve”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 7 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO

Em dezembro de 2016, antes mesmo de tomar posse como prefeito de Curitiba, Greca já havia anunciado que reduziria o número de secretarias em seu governo. Desde então, a administração municipal passou a contar com apenas 13 pastas, ao contrário das 18 ativas na gestão anterior. Em 2019, o prefeito promulgou a Lei 15.461 que confirmou a mudança de estrutura. A Procuradoria Geral do Município também tem status de secretaria.

As secretarias de Planejamento e Administração, Recursos Humanos, e Informação e Tecnologia, foram transformadas na Secretaria Municipal de Administração e Gestão de Pessoal e na Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento. Trânsito e Defesa Social também passaram por fusão e hoje integram uma pasta só. As pastas de Trabalho e Emprego, e Assuntos Metropolitanos deixaram de existir.


“Reduzir o número de cargos comissionados, contemplando uma administração pública mais veloz e leve”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 7 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO, MAS

Entre dezembro de 2016 e setembro de 2020, o número de cargos comissionados foi reduzido em apenas sete, o que representa uma queda de apenas 1,7% no número total. A gestão do prefeito anterior, Gustavo Fruet (PDT), terminou com 492 pessoas em cargos comissionados. Esse número caiu para 485, segundo relação publicada pela prefeitura em 5 de setembro

Inicialmente, o corte nos cargos em comissão foi bem mais significativo. Em janeiro de 2017, 270 cargos em comissão estavam preenchidos na prefeitura de Curitiba. Mas o valor total subiu rapidamente, atingindo 432 em julho do mesmo ano e 468 em 2018 – este último dado consta na compilação do Perfil dos Municípios Brasileiros, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na mesma lei (15.461) que promulgou a redução das pastas de governo, a prefeitura também extinguiu 21 títulos de cargos comissionados, dez deles em virtude da alteração nas secretarias (secretários e chefes de gabinete). Em compensação, criou outros 16 para manter a nova estrutura. De acordo com o Portal da Transparência da prefeitura, há, no total, 623 vagas de cargos em comissão permitidos no município.

A Secretaria Municipal de Comunicação Social informou que Curitiba tem a menor proporção de cargos comissionados em relação ao total de servidores entre todas as capitais do país, segundo compilação de dados do IBGE. “Curitiba faz, portanto, um uso bastante enxuto deste recurso”, afirma. A edição mais recente desta pesquisa foi publicada em 2018


“Criar um Canal aberto com o prefeito, que estará 24 horas a disposição da população, para sugestões, reclamações e denúncias. A prefeitura irá disponibilizar uma equipe de ‘atendimento ao cidadão’ sempre de plantão para qualquer situação que necessite ser priorizada”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 8 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

EXAGERADO

Ao longo da gestão, a prefeitura não criou um “canal aberto” 24 horas a disposição para sugestões, reclamações e denúncias. A administração municipal fez algumas modificações significativas na Central 156, como a criação de um aplicativo exclusivo. Contudo, a Central já existia nas gestões anteriores, inclusive com atendimento 24 horas. 

 Além disso, em maio de 2017 a prefeitura lançou o programa Fala Curitiba, um serviço online de consultas públicas temáticas. Em 2020, durante a pandemia do novo coronavírus, a estrutura foi usada para que a população pudesse opinar sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e chegou a receber mais de 20 mil propostas.  Porém, a finalidade desse programa não era a de receber qualquer demanda da população e fornecer respostas imediatas a demandas – como descrito na proposta de Greca.

Em nota, a prefeitura de Curitiba informa que a Central 156 foi ampliada com a criação de um aplicativo exclusivo e que realizou 4 milhões de atendimentos entre 2019 e 2020. “Todo esse esforço resulta no reconhecimento da população com relação ao serviço da Central 156, conforme demonstra o índice de satisfação de 2019 que chegou a 92%”, diz. 

A administração também entende que “o prefeito faz diretamente uso de suas redes sociais atendendo e respondendo a solicitações de cidadãos e cidadãs”. Em 2017, Greca se envolveu em polêmicas pela forma de usar o Twitter e o Facebook.


“Ofertar à população serviços on-line para agendamento de consultas, a fim de otimizar e agilizar o atendimento ao cidadão”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 8 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO, MAS

Em abril de 2017 a prefeitura de Curitiba lançou o aplicativo Saúde Já Curitiba, desenvolvido pelo Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). De acordo com informações disponíveis no site oficial, ele facilita o agendamento do “primeiro atendimento na Unidade Municipal de Saúde” com equipes de enfermagem e odontologia. Contudo, ele não permite que o usuário agende exames ou consultas com especialistas. Tais procedimentos ainda devem acontecer de forma presencial nas unidades.

Questionada, a prefeitura informou que, desde o lançamento, o aplicativo passou por quatro atualizações. Ganhou funcionalidades como a marcação de consulta com equipe odontológica, confirmação de agendamento de exames e consultas especializadas e inclusão da função “Urgências”. “Ele permite o primeiro agendamento na unidade de saúde, com a equipe de enfermagem. Após esse primeiro atendimento, o paciente é encaminhado para o serviço que necessita, seja vacina, consulta médica, exames, entre outros – situações que exigem a presença física dos pacientes”, diz.


“Integrar novamente o transporte municipal com o transporte metropolitano”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 9 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO, MAS

Logo após a confirmação da vitória de Greca nas urnas em 2016, o ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), anunciou a reintegração do transporte metropolitano na capital. O convênio que financiava a integração havia sido desfeito por Richa em 2015, durante a gestão do ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), concorrente de Greca na última eleição  – e adversário de Richa na política regional.

Com a integração, o usuário da Rede Integrada de Transporte (RIT) tem o benefício de pagar apenas uma tarifa para determinados trajetos entre Curitiba e demais municípios da região, mesmo que precise trocar de linha. Em janeiro de 2017, Richa e Greca, à época aliados políticos, oficializaram a retomada da RIT com o resgate de algumas das linhas de transporte coletivo descontinuadas. De acordo com a prefeitura de Curitiba, os trajetos de todas as linhas anteriores a 2015 foram reintegrados.


“Implementar o Eixo Sustentável com o sistema VLP, ao longo da ferrovia, que integrará inclusive, o aeroporto”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 9 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

FALSO

A gestão de Greca não implementou o sistema VLP (sigla para Veículo Leve sobre Pneus) como modal no transporte coletivo em Curitiba. Há décadas, a prefeitura discute meios de transporte alternativos aos já disponíveis no município – incluindo o metrô. Mas, até agora, a Rede Integrada de Transporte (RIT) é composta exclusivamente pelo ônibus comum e pelo BRT (Bus Rapid Transit), nome técnico dos conhecidos ônibus biarticulados.

Em 2013, na gestão de Fruet, o VLP foi incluído entre sete projetos apresentados pela prefeitura de Curitiba ao governo federal, após anúncio de pacote de investimentos federais em obras de mobilidade nas capitais. Esse modal, desenhado pelo escritório de arquitetura do ex-prefeito Jaime Lerner, aproveitaria as linha de trem de carga da cidade – que seriam desviadas da área urbana.

Em 2016, ainda na gestão do pedetista, a prefeitura consultou interessados em desenvolver uma proposta de implantação do modelo na cidade. A discussão se manteve em 2017 e foi apoiada mais recentemente pelo atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Sem dar sequência à promessa, Greca investiu em ônibus elétricos e na compra de novos biarticulados.

Para a prefeitura de Curitiba, a realização do projeto dependeria da construção do Contorno Ferroviário. “Isso, para que seja possível a transferência dos trens de carga para este Contorno, liberando o ramal para a implantação da infraestrutura do Veículo Leve sobre Pneus”, diz. Afirma ainda que tal obra deve ser tomada como prioridade pelo Ministério de Infraestrutura para ser executada.


“Criar uma tarifa diferenciada, em horários alternativos – diminuindo a sobrecarga nos horários de alto fluxo”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 9 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO

Desde outubro de 2019 a prefeitura de Curitiba reduziu o preço da tarifa de ônibus para alguns horários e linhas do transporte coletivo. A proposta foi promulgada na Lei nº 15.508 e validada no Decreto nº 1.372. Atualmente, 11 linhas operam com valor reduzido das 9h às 11h e 14h às 16h. Enquanto o valor da tarifa comum é de R$ 4,50, estas linhas custam R$ 3,50. 

Desde janeiro de 2017, a tarifa comum paga pelo usuário aumentou R$ 0,80 no município e em 2019, chegou a ser a segunda mais cara entre as capitais brasileiras.


“Implementar o Plano de Prevenção de Desastres Naturais – enchentes”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 9 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

FALSO

Segundo a prefeitura, esse plano ainda está em fase de elaboração, e só deve ser concluído no ano que vem. A administração municipal justifica, porém, que tem realizado obras de prevenção de enchentes e macrodrenagens, e que Curitiba fica “menos vulnerável aos efeitos das fortes chuvas” a cada ano. Porém, vale pontuar que casos de alagamentos são comuns em diversos bairros da cidade (por exemplo, aqui, aqui e aqui). 

O Plano de Prevenção de Desastres Naturais faz parte do Plano Setorial de Defesa Social e de Defesa Civil, que está previsto na lei de revisão do Plano Diretor de Curitiba. No texto do programa de governo de Greca para 2021-2024, em sua candidatura à reeleição, o tema foi retomado como um nova entrega, agora chamada de “Projeto de Prevenção e Riscos de Desastres”.


“Melhorar o Coeficiente Construtivo aos que se comprometerem construir imobiliário com Potencial Energético”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 10 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

FALSO

Ao longo do mandato atual, nenhum dispositivo legal foi aprovado prevendo benefícios para a construção de imóveis com “potencial energético”, ou seja, nos quais é possível instalar fontes limpas de geração de energia. Um dos mecanismos pelos quais seria possível criar esse benefício é através da revisão da lei de zoneamento. Contudo, na última revisão, isso não foi incluído no texto.

Em 2019, a Câmara de Curitiba aprovou a nova lei de zoneamento, que entrou em vigor em agosto de 2020. A lei dispõe, por exemplo, sobre os limites para o uso e ocupação do solo e tamanho das construções de acordo com a região da cidade. Mas em nenhum ponto da lei ou dos decretos posteriores há concessão explícita de aumento de coeficiente construtivo para “imobiliário com potencial energético”.

Apenas no Plano Diretor, aprovado pela Câmara ainda em 2015 (ou seja, antes da eleição de Greca), prevê incentivos de redução do IPTU em imóveis que adotem práticas de preservação ao meio ambiente. Neste caso, a lei diz que a energia solar e eólica estariam incluídas neste incentivo, que não tem relação com o coeficiente construtivo.

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informa que as compensações para construções deste tipo estão em estudo, já que a medida depende de lei específica e convênio com a Companhia Paranaense de Energia Elétrica. “O potencial energético é uma questão diretamente ligada ao desenvolvimento urbano sustentável e está ligada ao Plano Setorial do Meio Ambiente, em discussão no âmbito do Conselho da Cidade (Concitiba)”, diz.


“Iniciar a implantação da Energia Barata para pessoas de ‘baixa-renda’ em habitações inseridas no sistema fotovoltaico. A Cohab-Solar”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 10 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO

Em 2018 a prefeitura de Curitiba lançou o Cohab Solar, desenvolvido pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). A proposta do programa é instalar placas fotovoltaicas em moradias sociais, a fim de diminuir a conta de luz paga pelo usuário por meio do consumo de energia solar. Contudo, até agora, somente 23 casas receberam o sistema no bairro Santa Cândida. De acordo com a prefeitura, outras 196 moradias estão em fase licitatória e devem ser contempladas nos bairros Fazendinha e Tatuquara.


“Implantar a Geração de Energia decorrente do processamento do Lixo, nos aterros. Reduzir e solucionar os grandes problemas advindos dos ‘estoques de lixo’ que já podemos dizer ‘arcaicos e indesejáveis’”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 10 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO, MAS

Em 2019, a prefeitura, junto com o governo do estado e de outros municípios vizinhos, iniciou projeto de usar sobras do processo de reciclagem como combustível em três empresas de produção de cimento na Região Metropolitana. Originalmente, essas sobras seriam destinadas a aterros sanitários. Ao todo, cerca de 400 toneladas estão sendo usadas dessa maneira. 

Isso, porém, representa menos de 1% da produção mensal de lixo na cidade. Segundo dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a cidade produziu cerca de 50 mil toneladas de lixo por mês em 2019.


“Implantar a Faculdade Municipal com curso de Pedagogia voltada para realidade e necessidade de nossa cidade, garantindo a formação de nossos professores, impedindo que apresentem certificados apenas pelo avanço”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 11 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

FALSO

Nenhuma Faculdade Municipal foi implantada no município de Curitiba durante a gestão  Greca. No Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior do Ministério da Educação não há qualquer Instituição de Ensino Superior, Faculdade, Centro Universitário, Instituto ou Universidade na categoria administrativa “Pública Municipal” situada na capital paranaense. Também não há registro de tal categoria de ensino no cadastro de equipamentos urbanos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) ou qualquer projeto de lei sendo discutido na Câmara Municipal de Vereadores sobre a abertura de uma faculdade municipal.   

De acordo com a prefeitura de Curitiba, em agosto deste ano, Greca entregou a Universidade Livre do Professor, que, apesar do nome, não tem status de instituição de ensino universitário. A administração também cita a criação do Centro de Desenvolvimento Profissional (CDP), que atenderá profissionais da rede municipal de ensino, mas que também não oferta cursos de Ensino Superior.


“Criar o Centro de Especialidade de Curitiba e aperfeiçoar a Rede de Assistência em Saúde Mental com a criação de unidade de estabilização para pacientes em crise”
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, na página 11 do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 2016

VERDADEIRO

Em 10 de setembro de 2020, a prefeitura de Curitiba inaugurou a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Casa Irmã Dulce. A unidade consta em funcionamento nos equipamentos municipais da cidade. O local foi usado como unidade clínica de atendimento de casos de Covid-19, mas agora deve atender como um centro de desintoxicação para dependentes químicos.

Já em outubro de 2019, o atual prefeito inaugurou o Ambulatório Encantar, que substitui o Centro de Especialidades Médicas Matriz e é especializado no atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A unidade já existia, mas passou por reformulação com mudança de sede, aumento do número de profissionais e capacidade de atendimento.

Editado por: Chico Marés, Marcela Duarte, Maurício Moraes e Natália Leal

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