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Prefeitura RJ: Paes e Crivella se enfrentam no 2º turno; veja checagens

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.nov.2020 | 23h01 |

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição, vão disputar o 2º turno da eleição municipal no Rio de Janeiro. Com 95,19% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até as 22h50, Paes teve 37% dos votos válidos, contra 21,86% de Crivella.

A eleição na capital fluminense contou com a participação de 14 políticos. Ao longo da campanha do 1º turno, a Lupa checou algumas das falas de Paes e Crivella em debates, sabatinas, programas eleitorais e posts das redes sociais. Veja o resultado:

Eduardo Paes (DEM)

“No [governo] Crivella, [os aumentos do pedágio da Linha Amarela] foram o dobro da inflação”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020 

FALSO

O último reajuste do pedágio da Linha Amarela antes do início da gestão de Marcelo Crivella (Republicanos) foi em janeiro de 2015. Na ocasião, o preço do pedágio era de R$ 5,90. Já o reajuste mais recente na tarifa, de fevereiro de 2019, levou a tarifa a R$ 7,50. Isso significa uma variação de 27%. No mesmo período, o IPCA-E variou 26,5%. Ou seja, o valor do pedágio não aumentou o dobro da inflação.

Em nota, a assessoria do candidato diz que, entre janeiro de 2017 e janeiro de 2020, houve um aumento de 27% no valor da tarifa para uma inflação de 11,63%. Contudo, é importante frisar que os aumentos são calculados a partir do reajuste anterior, e não da data em que um prefeito assumiu ou deixou o cargo.


“O que levou ao bloqueio de bens foram os valores pagos às empresas por essa gratuidade da passagem de ônibus dessas crianças”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020 

EXAGERADO

A questão da gratuidade das passagens de ônibus para alunos da rede pública foi um dos motivos pelos quais a Justiça determinou o bloqueio dos bens de Paes, mas não foi o único. O ex-prefeito também é acusado de aumentar indevidamente o valor da passagem.

No dia 20 de outubro, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decretou o bloqueio de bens de Paes, do ex-secretário municipal de Transportes Paulo Roberto Santos Figueiredo e o Rio Ônibus (sindicato patronal de empresas de ônibus do município). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) acusa o ex-prefeito de repassar R$ 240,3 milhões de verbas destinadas à pasta da educação para as concessionárias de transporte, com a expectativa de contrapartidas de gratuidade na passagem de alunos da rede pública de ensino.

Entretanto, de acordo com decisão preliminar do desembargador Gilberto Matos, além de receber o repasse da prefeitura, as empresas de ônibus também aumentaram o preço da tarifa do transporte, como forma de custear a gratuidade. Para o desembargador, isso caracteriza uma “verdadeira dupla oneração do usuário pagante, a par do enriquecimento sem causa das sociedades empresárias agravadas”. Esta cobrança em duplicidade provocou o bloqueio de R$ 511,7 milhões das empresas responsáveis.

Em 2015, o Tribunal de Contas do Município obrigou a redução da tarifa de ônibus. À época, foi identificado que as empresas cobravam R$ 0,131 da tarifa do usuário para custear a gratuidade – o que o TCM considerou “socialmente injusto”.

Em nota, a assessoria do candidato diz que que o custeio das gratuidades estavam previstos nos estudos que embasaram os contratos de concessão, e que esses procedimentos foram “referendados pelo TCM, que examinou o edital e o contrato, concluindo que o repasse foi correto e nenhuma irregularidade foi encontrada”.


“Hoje a prefeitura virou um melê de política pública. O cara [Crivella] tem [secretaria de] qualidade de vida junto com ciência e tecnologia e não sei mais o que”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, em live com representantes da Casa Fluminense no dia 22 de outubro de 2020

FALSO

A prefeitura do Rio não conta com uma secretaria de “qualidade de vida junto com ciência e tecnologia”. Na realidade, existem duas pastas separadas que tratam destes assuntos. Em julho de 2019, o prefeito Crivella recriou as secretarias de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos  e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Tecnologia. Além disso, a prefeitura tem ainda em sua estrutura a Secretaria Especial de Ciência e Tecnologia.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato respondeu que sua intenção era mostrar que a administração Crivella prometia diminuir as secretarias e, no fim, não cumpriu com essa meta. “Assuntos diversos foram acomodados em uma só estrutura, sem respeitar um critério lógico, eficiente e produtivo”, disse.


“O Rio teve o dobro do índice de mortalidade [de Covid-19] de São Paulo”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, em live com o jornalista Rene Silva no dia 26 de outubro

EXAGERADO

A taxa de mortalidade por Covid-19 na cidade do Rio de Janeiro foi 64% mais alta do que em São Paulo. No Rio, foram registradas 12.312 mortes da doença, para uma população total de 6,736 milhões – dados da PNAD Contínua Trimestral do primeiro trimestre de 2020. Isso representa 182,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Em São Paulo, foram 13.715 falecimentos para uma população de 12,296 milhões. Isso representa 111,5 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato disse que Eduardo Paes se referia à taxa de letalidade desses municípios. Taxa de mortalidade é o número de mortes em relação à população de uma determinada região, enquanto a taxa de letalidade é o número de óbitos em relação ao número de casos.

A nota cita o Monitora Covid, ferramenta da Fiocruz, para indicar que o Rio de Janeiro atingiu o topo da lista das 27 capitais por letalidade, com um índice de 10,25%. De fato, com esse índice o município tem mais que o dobro que a taxa de São Paulo, que é 4,36%. Contudo, no vídeo ele fala especificamente sobre o número de mortes e a população das duas cidades. “O Rio tem metade da população de São Paulo e tivemos quase o mesmo número de mortes”, diz, logo na sequência.


“A deputada Martha Rocha entrou com ação na Justiça [para suspender a exibição de vídeo de campanha de Paes], e a Justiça manteve [um vídeo de campanha de Paes]”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020 

VERDADEIRO

A candidata Martha Rocha (PDT) entrou com pedido na Justiça Eleitoral para barrar a divulgação de um vídeo produzido pela campanha de Paes, mas a juíza eleitoral Luciana Mocco negou a solicitação. A gravação dizia que Rocha teria se relacionado com um delegado envolvido em crimes de corrupção e recebido propina. 

“Delegado preso com mala cheia de dólares dos bicheiros namorava Martha Rocha na época. Delator garante que Martha Rocha recebeu R$ 300 mil em dinheiro. Martha Rocha foi chefe de polícia do Cabral e não prendeu nenhum figurão corrupto da polícia ou da política”, diz o vídeo.

A pedetista alegou que o vídeo era “sabidamente inverídico, misógino, preconceituoso contra as mulheres, difamatório e calunioso”. A juíza entendeu que algumas das informações apresentadas por Paes foram baseados em matérias jornalísticas, e outras foram lançadas “no contexto de debate eleitoral e liberdade de expressão”. A Justiça também negou o direito de resposta à candidata, pois não constatou crime de calúnia ou difamação na propaganda.


Essa não é a primeira vez que meus bens são bloqueados. Eu tive [bens bloqueados] por causa do campo de golfe olímpico, já ganhei o recurso”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, na sabatina feita pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, em 5 de novembro de 2020 

VERDADEIRO

Em dezembro de 2016, a 8ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro bloqueou até R$ 2.390.550,78 em bens de Paes e da construtora Fiori. A ação partiu do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), que denunciou o ex-prefeito por improbidade administrativa. A denúncia foi aceita, mas, posteriormente, foi arquivada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

O Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema/MPRJ) acusou Paes de isentar a construtora do pagamento de taxas de forma indevida. A construtora foi responsável pela execução das obras no Campo de Golfe Olímpico usado nas Olimpíadas de 2016. “Durante o processo de licenciamento ambiental do Campo de Golfe Olímpico, em 2013, a construtora formulou requerimento à Secretaria Municipal de Meio Ambiente na tentativa de se eximir do pagamento da Taxa de Obras em Áreas Particulares, tributo devido em razão da remoção de vegetação exótica na área do campo”, diz trecho da denúncia. Para o Gaema, o prejuízo causado ao erário “supera o montante de R$ 4 milhões”. 

Porém, em 2018, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) indeferiu a ação e Paes conseguiu seu arquivamento. Os desembargadores entenderam que não houve prejuízo aos cofres públicos.


“A gente implantou 117 [Clínicas da Família], chegamos a 70% dos cariocas”
Eduardo Paes, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, em live com o jornalista Rene Silva no dia 26 de outubro

VERDADEIRO

Em seu último dia como prefeito, Eduardo Paes abriu a 114º Clínicas da Família, alcançando a meta de cobertura de 70% dos cariocas pela Estratégia Saúde da Família. Segundo dados da prefeitura, no início da gestão de Paes, em 2009, apenas 3,5% dos cariocas eram beneficiados.


“O Rio sempre foi a capital brasileira com menor índice de desemprego, isso aconteceu no meu governo e em governos anteriores, e hoje nós somos a capital brasileira com maior índice de desemprego”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

FALSO

De acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua Trimestral (PNADC/T), do IBGE, o Rio de Janeiro só teve o menor índice de desemprego entre as capitais nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2015 e no 3º trimestre de 2016 (sendo o 4º trimestre de 2015 e o 3º trimestre de 2016 em níveis idênticos aos de Campo Grande-MS). A série histórica começou em 2012. Antes disso, o IBGE media a desocupação no Brasil através da Pesquisa Mensal de Emprego, que não apresentava dados específicos para municípios — somente para regiões metropolitanas.

Também não é verdade que hoje o Rio de Janeiro é a capital com o maior índice de desemprego. De acordo com a mesma PNADC/T Contínua Trimestral do IBGE,13% da mão de obra do Rio de Janeiro estava desocupada no primeiro trimestre de 2020, último dado disponível. Neste período, a capital com maior índice de desemprego era Manaus (18,5%), seguida por Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%). O Rio de Janeiro estava em 14º lugar em relação ao nível de desemprego, junto com Porto Velho e Belém, que também tinham 13% de sua população sem trabalho. Veja os dados completos aqui.

Procurada, a assessoria de imprensa de Eduardo Paes disse que “ao longo dos últimos três anos, a cidade foi a capital que mais perdeu postos de trabalho no Brasil. Esses dados podem ser comprovados utilizando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) (….) especialmente os saldos entre admitidos e demitidos”.

Os dados do Caged mostram o balanço entre vagas formais de emprego (sob a CLT) criadas e fechadas, e não servem para medir taxa de desocupação. Além disso, ao contrário da PNAD Contínua, o Caged não considera outros regimes de trabalho, como MEI, trabalhadores informais e funcionários públicos.


“O Segurança Presente, que se iniciou no meu governo no Centro da cidade”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O programa Segurança Presente foi inaugurado em dezembro de 2015, quando Eduardo Paes era prefeito da cidade, via convênio entre a prefeitura, o governo do estado e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio). 

Contudo, a primeira ação do gênero foi a operação Lapa Presente, que partiu do governo estadual, e não da prefeitura. Esse programa foi oficializado no final de 2013 e que começou a operar em 2014. Ao longo do tempo, o Lapa Presente se expandiu para outras regiões, como Méier, Lagoa e Aterro do Flamengo.

Apenas em 2016, a prefeitura do Rio de Janeiro liderou outra operação do gênero, o Centro Presente.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato ponderou que “o Lapa Presente, apesar de ser uma iniciativa do Governo do Estado, celebrou uma parceria com a Prefeitura que apoiou o projeto em diversas frentes”, e cita os apoios que a gestão municipal deu ao projeto.


 “O BRT Transbrasil nunca foi previsto para ficar pronto em 2016 “
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

FALSO

Comunicados, apresentações (slide 20) e planos da Prefeitura previam a inauguração do BRT Transbrasil para 2016. O comunicado sobre o início das obras, que só podem começar com contrato assinado, também informava 2016 como data de conclusão da obra. Até hoje, a obra não foi inaugurada. Em agosto, a prefeitura previa a conclusão ainda no final de 2020.

Procurada, a assessoria do candidato afirmou que “após assinatura do contrato (…) foi estabelecido um cronograma com a previsão de entrega da Transbrasil para maio de 2017”, mas não enviou o cronograma para consulta nem deu mais detalhes sobre este documento. 


“O BRT Transbrasil nunca teve nada a ver com Olimpíada”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à revista Veja em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Embora tivesse sua data de conclusão prevista para 2016, ano da realização dos Jogos Olímpicos no Rio, a prefeitura do Rio de Janeiro afirmava, na época, que a obra não integrava a Matriz de Responsabilidade para as Olimpíadas


“Nos meus dois últimos anos, não dei aumento para a Linha Amarela”
Eduardo Paes (DEM), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao jornal O Globo em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

O último reajuste tarifário no pedágio da Linha Amarela antes do fim do mandato de Eduardo Paes foi publicado em Diário Oficial no dia 30 de dezembro de 2014, mas passou a valer em 3 de janeiro de 2015. Na época, o pedágio passou de R$ 5,50 para R$ 5,90. Paes deixou o governo em 1º de janeiro de 2017. O pedágio foi reajustado novamente em abril de 2017, já na gestão Crivella, para R$ 7,00.

Procurada, a assessoria de imprensa do candidato informou que o aumento era referente à inflação no ano de 2014.

 

Marcelo Crivella (Republicanos)

“Eles [Datafolha e Ibope] pegam 1 mil eleitores, 1 mil cidadãos. Dos 1 mil cidadãos eles colocam quase 400 com nível superior (…)”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020 

EXAGERADO

Segundo o cálculo de Crivella, 40% dos eleitores entrevistados pelo Datafolha e Ibope teriam nível superior. Contudo, esse não é o percentual correto. Divulgada no final de outubro, a última pesquisa do Datafolha entrevistou 1.008 eleitores e destes 34% tinham nível superior (página 18). O perfil da amostra mostra ainda que 43% dos entrevistados tinham ensino médio completo e outros 23%, o ensino fundamental. O Ibope, por sua vez, entrevistou 1204 votantes e 37% tinham concluído o ensino superior,  42%, o ensino médio e 22%, o ensino fundamental. 

Vale mencionar ainda que, segundo o Datafolha, entrevistados com ensino superior incompleto são contabilizado no levantamento como superior. Assim como ensino médio incompleto entra como médio. Ou seja, eles já estão incluídos nos percentuais citados anteriormente.

Procurado, o candidato não respondeu.


“(…) quando o IBGE recomenda, e o TSE determina que sejam 120 [12%] com curso superior [entrevistados nas pesquisas de intenção de voto]”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020 

FALSO

Segundo o Datafolha, embora não haja uma determinação por parte do TSE, a segmentação da pesquisa é feita com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) de 2018. Segundo essa pesquisa, 32,7% da população do município do Rio de Janeiro têm ensino superior completo ou incompleto. Na pesquisa mais recente do instituto sobre a corrida eleitoral na cidade do Rio, 34% dos entrevistados tinham esse grau de escolaridade.

Em seu site, o Datafolha explica ainda que a seleção dos entrevistados é feita com base nas cotas proporcionais de sexo e idade de acordo com dados obtidos junto ao IBGE e ao Tribunal Superior Eleitoral. Como são feitas por amostragem, as pesquisas têm uma margem de erro, já que esse universo é sempre menor do que o existente. Contudo, esse percentual é relativamente pequeno. No Rio de Janeiro, a margem é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Já no caso do Ibope, segundo o instituto, a segmentação é feita com base em três fontes diferentes: o Censo 2010, a Pnad-C de 2018 e o TSE. 

Procurado, o candidato não respondeu.


“O PSL aqui nos ataca muito. Inimigo jurado do meu governo, fazem críticas enormes (…)”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020 

VERDADEIRO

Os representantes do PSL, de fato, criticam a gestão de Marcelo Crivella na prefeitura. Em agosto, quando o partido ainda estava decidindo se lançaria candidatura própria, o presidente da sigla no Rio de Janeiro, o deputado estadual Alexandre Knoploch, disse que não iria fazer campanha para o prefeito “de jeito nenhum”. Na época, ele afirmou que preferia apoiar o Cabo Daciolo e disse que Crivella era o “pior prefeito da história do Rio”. 

Já o candidato do PSL, Luiz Lima, critica abertamente Crivella em suas redes sociais. Esse posicionamento vem desde muito antes do período eleitoral. Em março, por exemplo, depois de uma forte chuva que abalou a cidade, Lima publicou em seu Facebook um vídeo comentando as ações do prefeito. “Hoje pela manhã, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, deu uma declaração muito infeliz à imprensa, demonstrando toda sua insensibilidade e despreparo para cuidar do Rio de Janeiro”, diz a legenda da gravação.

No Twitter oficial do candidato há comentários criticando Crivella em diversos episódios – desde os Guardiões do Crivella até investigações envolvendo o nome do prefeito.  


“(…) Mas [os representantes do PSL] não criticam o governo do Eduardo Paes”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020 

FALSO

O apoio do PSL à candidatura de Eduardo Paes foi descartado em setembro, e os representantes do partido, incluindo o candidato da sigla à prefeitura, Luiz Lima, criticam abertamente o ex-prefeito. No final de outubro, por exemplo, Lima publicou em seu Instagram um vídeo que supostamente mostraria “o que a propaganda eleitoral de Paes escondia”. Ele criticou as obras do Parque Olímpico realizadas na gestão Paes em 2016  e apontou que o ex-prefeito era acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção. 

O presidente do PSL carioca, Alexandre Knoploch, também é crítico de Paes nas redes sociais. Em 2019, por exemplo, tuitou: “Quem defende o Crivella e para piorar elogia o Paes, é maluco ou é esquizofrênico”.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Aquela coisa da equipe de saúde da família, não tinha concurso público, eram milhares de agentes, milhares de médicos, mas sem concurso público”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020

FALSO

Publicações do Diário Oficial mostram que os profissionais da equipe de saúde da família precisavam passar por processos seletivos e concurso público para assumirem cargos em unidades de saúde do município (veja exemplos aqui, aqui) antes da gestão Crivella. 

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde disse que não comenta “atos de outras gestões”, mas que, atualmente, os profissionais das equipes de Saúde da Família são contratados por concurso público realizado pelo Riosaúde, Empresa Pública de Saúde da Prefeitura do Rio. Já os profissionais das equipes geridas pelas Organizações Sociais (OSs) passam por processos seletivos que são conduzidos pela empresa terceirizada.

Procurada, a assessoria do candidato não respondeu.


“Eu tenho a passagem mais barata do Brasil”
Marcelo Crivella (Republicanos), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao SBT em 27 de outubro de 2020

FALSO

A passagem básica de ônibus no Rio de Janeiro custa R$ 4,05. Considerando apenas as capitais, há 16 cidades com tarifas mais baratas, segundo relação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A média das tarifas das capitais também é mais baixa do que a tarifa carioca: R$ 3,99. 

A passagem de ônibus é mais barata do que no Rio de Janeiro em Aracaju (R$ 4,00), Belém (R$ 3,60), Boa Vista (R$ 3,75), Brasília (R$ 3,80), Fortaleza (R$ 3,60), Macapá (R$ 3,70), Maceió (R$ 3,65), Manaus (R$ 3,80), Natal (R$3,90), Palmas (R$ 3,85), Porto Velho (R$ 3,80), Recife (R$ 3,45), Rio Branco (R$ 4,00), São Luis (R$ 3,70), Teresina (R$ 4,00) e Vitória (R$ 3,90)

Procurado, o candidato não respondeu. 


“O Rio de Janeiro teve, em comparação com São Paulo muito menos mortes do que lá”
Marcelo Crivella (Republicanos), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista ao SBT em 27 de outubro de 2020

VERDADEIRO, MAS

Até 26 de outubro, véspera da entrevista, o Rio de Janeiro somava 12.255 óbitos, menos do que as 13.427 mortes de São Paulo. No entanto, é necessário comparar o número de mortes com o tamanho da população e com o total de casos e, em ambos os casos, os índices do Rio são maiores.

A taxa de mortalidade do Rio de Janeiro é 66% maior que a de São Paulo, com taxa de 181,6 óbitos para cada 100 mil habitantes, enquanto SP tem 108,93 óbitos para cada 100 mil habitantes. A tabela de dados individuais do Painel Rio Covid-19, feita pela Secretaria Municipal da Saúde do Rio de Janeiro, apontava que até o dia 26 de outubro havia pelo menos 12.255 óbitos no município, para 6,74 milhões de habitantes (segundo o Portal Cidades do IBGE). Em São Paulo, o Boletim Diário Covid-19, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde, em 26 de outubro apontava 13.427 óbitos para 12,32 milhões de habitantes (segundo o Portal Cidades do IBGE).

A taxa de letalidade da doença, que é o número de mortes em comparação aos casos, é 2,76 vezes maior no Rio de Janeiro do que em São Paulo. A taxa de letalidade na data no Rio era de 10,36%, enquanto a de SP era de 3,75%. A tabela de dados individuais do Painel Rio Covid-19, feita pela Secretaria Municipal da Saúde do Rio de Janeiro, apontava que até o dia 26 de outubro havia pelo menos 12.255 óbitos no município para 118.274 casos reportados. Em São Paulo, o Boletim Diário Covid-19 elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde em 26 de outubro apontava 13.427 óbitos e 357.749 casos.

Procurado, o candidato não respondeu. 


“Hoje nós não temos que pagar aqueles passageiros fantasmas que estavam previstos [sobre PPP do VLT]”
Marcelo Crivella (Republicanos), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à CNN em 3 de novembro de 2020

FALSO

De acordo com o portal Contas Rio, que mostra os pagamentos feitos pela prefeitura, a Concessionária do VLT Carioca SA recebeu, apenas em 2020, o total de R$ 37,5 milhões, dos quais R$ 26,9 milhões foram a título de “contraprestação pecuniária ao parceiro privado pela prestação de serviços em concessões de contrato de parceria público-privada”.

O contrato de concessão do VLT descreve a contraprestação pecuniária como uma complementação tarifária e uma garantia de risco contra baixa demanda. Dessa forma, a prefeitura do Rio de Janeiro garantiu uma renda mínima à concessionária por meio de pagamentos complementares caso o valor arrecadado com as tarifas pagas pelos passageiros não alcançasse um piso mínimo. E, apenas em 2020, R$ 26,9 milhões foram pagos para complementar as receitas do VLT, ao contrário do que afirmou Crivella.

Estes pagamentos se devem a um acordo firmado entre a Concessionária VLT e a prefeitura depois que o VLT entrou na Justiça contra a prefeitura solicitando a rescisão do contrato por inadimplência.

Em seu Demonstrativo Financeiro de 2019, a Concessionária VLT explica que o pedido de rescisão foi motivado pela inadimplência da prefeitura. Esse processo de rescisão ainda não foi concluído, mas a concessionária já obteve na Justiça a vinculação de receitas da prefeitura.

Procurado, o candidato não respondeu.


“Nós conseguimos retirar a Iabas”
Marcelo Crivella (Republicanos), candidato a prefeito do Rio de Janeiro, em entrevista à CNN em 3 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) prestou serviço para a prefeitura do Rio de Janeiro até julho de 2019 e não consta mais na relação de Organizações Sociais qualificadas para atuar junto à prefeitura.

O Iabas é uma organização social (OS) que até 2019 administrou unidades de saúde no município, e que continua atuando no estado do Rio de Janeiro, em outros estados e municípios. Investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil apontou que o Iabas recebeu entre 2009 e 2019 cerca de R$ 4,3 bilhões em recursos públicos e não prestou contas.


“Ele [Marcelo Freixo] é um deputado que tem sempre uma votação expressiva. Nessa última eleição perdeu apenas para o Hélio Bolsonaro. Uma quantidade de votos pequena. Os dois tiveram mais de 300 mil votos”
Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e prefeito da cidade, em live nas redes sociais no dia 02 de novembro de 2020 

VERDADEIRO

Em 2018, os deputados federais Marcelo Freixo e Hélio Lopes foram eleitos com mais de 300 mil votos, sendo que Lopes teve 4,46% dos votos válidos e Freixo teve 4,43%. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral. Durante a live, Crivella afirmou que Freixo desistiu das eleições para apoiar o candidato Eduardo Paes (DEM). Atualmente, o PSOL lançou a candidatura de Renata Souza. 

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