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Salvador: Bruno Reis se elege prefeito no 1º turno; veja o que checamos

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.nov.2020 | 22h32 |

O vice-prefeito Bruno Reis (DEM) foi eleito no 1º turno na eleição municipal de Salvador. Com 97,04% das urnas apuradas até as 22h30 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato apoiado pelo prefeito ACM Neto (DEM) obteve 64,16% dos votos válidos. Seus adversários somaram 35,84% da preferência do eleitorado, percentual insuficiente para garantir mais uma etapa na disputa. A segundo colocada, Major Denice (PT), conseguiu 18,84%

A eleição na capital baiana contou com a participação de nove políticos. Ao longo da campanha do 1º turno, a Lupa checou algumas das falas de Bruno Reis em debates e sabatinas. Veja o resultado:

Todas as empresas prestadoras de serviço desta prefeitura são contratadas mediante realização de concorrência pública”
Bruno Reis (DEM), vice-prefeito de Salvador e candidato à prefeitura, na sabatina feita pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, no dia 13 de outubro de 2020

FALSO

De acordo com o site de compras da Secretaria Municipal de Gestão de Salvador, do total de 545 registros de licitações de janeiro até 15 de outubro deste ano (que englobam tanto prestação de serviço quanto aquisição de bens), apenas 20 destas licitações foram do tipo concorrência, o que equivale a 3,67%. Neste modelo, a administração pública escolhe a proposta que oferece mais vantagens para o contrato de seu interesse.

O modelo de licitação mais usado pela prefeitura é o pregão eletrônico, com 485 registros no mesmo período – equivalente a 88,99%. Aqui, a escolha se dá pelo menor preço. Outras modalidades usadas pela prefeitura de Salvador são o pregão presencial (0,18% em 2020), o Regime Diferenciado de Contratação (0,73% em 2020), tomada de preço (2,94%) e chamamentos públicos (3,49%).

Ao considerar apenas a prestação de serviço, são 88 registros de licitação. Destes, a maioria também é de pregão eletrônico 62,5%, seguido por chamamento público (21,59%), concorrência (12,5%) e tomada de preço (3,41%).

Procurada, a assessoria do candidato disse que ele se referia ao fato “de que todo esse processo é feito de forma transparente, seguindo rigorosamente os requisitos previstos na legislação.”


“Se você pegar a pesquisa [Ibope] de todos os lugares, vão indicar que o principal problema é a saúde”
Bruno Reis (DEM), vice-prefeito de Salvador e candidato à prefeitura, na sabatina feita pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, no dia 13 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Segundo a pesquisa Ibope divulgada em 9 de outubro deste ano, a saúde foi indicada pelos eleitores como o principal problema em 13 capitais do país. Em Salvador, 70% deles indicaram este tema como o principal problema. O percentual só é menor do que o registrado em Goiânia (77%) e no Rio de Janeiro (74%).


“(…) BRT, uma tecnologia brasileira, desenvolvida em Curitiba”
Bruno Reis (DEM), vice-prefeito de Salvador e candidato à prefeitura, na sabatina feita pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, no dia 13 de outubro de 2020

VERDADEIRO

A tecnologia do BRT (Bus Rapid Transit) foi implantada pela primeira vez em Curitiba, em 1974. Nesse modal de transporte, ônibus trafegam por pistas exclusivas, às vezes chamadas de “canaletas”, e param somente em estações pré-estabelecidas. Assim, essas linhas são significativamente mais rápidas que coletivos comuns. Em 1991, a capital paranaense passou a usar ônibus biarticulados nessas linhas, o que aumentou significativamente sua capacidade. No entanto, desde a década passada, a cidade discute implementar outros modais de transporte, como metrô e VLP (veículo leve sobre pneus).


“174 cidades do mundo neste momento estão com o BRT funcionando ou em expansão: Nova York, Quebec, Los Angeles, Paris”
Bruno Reis (DEM), vice-prefeito de Salvador e candidato à prefeitura, na sabatina feita pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, no dia 13 de outubro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com o BRTData, projeto do BRT+ CoE (Centro de Excelência em BRT), até o último dia 9 de setembro, 174 cidades operavam esse tipo de transporte no mundo. Outras 21 tinham projetos de BRT em expansão. Entre as cidades que implantaram o modal, estão Nova York, Quebec, Los Angeles e Paris, citadas pelo candidato.


“Temos o orgulho de Salvador hoje ser a capital em 1º lugar em gestão fiscal do Brasil”
Bruno Reis (DEM), candidato a prefeito de Salvador, em debate da TVE Bahia e Rádio Educadora em 24 de outubro de 2020

VERDADEIRO

Em 2019, Salvador ficou na 1ª posição do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) das capitais, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Considerando os 5.337 municípios avaliados, a capital baiana ficou em 88º lugar.

O índice avalia as contas das cidades brasileiras por meio de dados oficiais relacionados a quatro indicadores: autonomia, que seria a capacidade de a prefeitura financiar a sua estrutura administrativa; gastos com pessoal; liquidez, que analisa o cumprimento das obrigações financeiras pelo município; e investimentos, que avalia a parcela da receita municipal destinada à geração de bem-estar para a população e competitividade para os negócios.


“Em 2012, [Salvador] ocupava a última posição [em gestão fiscal no Brasil]”
Bruno Reis (DEM), candidato a prefeito de Salvador, em debate da TVE Bahia e Rádio Educadora em 24 de outubro de 2020

FALSO

Salvador ocupou a 13ª posição entre as capitais brasileiras no ranking de 2013 do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) –  que teve 2012 como ano-base. A cidade ficou na frente de capitais como Boa Vista, Palmas, São Luís e Cuiabá. Entre os 5.288 municípios avaliados, a capital baiana ocupou a 663ª posição.

Levando em conta o estudo divulgado em 2012, que se baseou em dados de 2006 a 2010, Salvador ocupou a 23ª posição, que não é a última posição entre as capitais. Ficou à frente de Natal, Macapá e Cuiabá, que ocupou a última posição.

Procurada, a assessoria do candidato afirmou que, em 2012, a capital baiana ocupava o 23º posto no IFGF e em 2013, ocupou a 13ª posição. 


“Em 2012, Salvador era a cidade mais mal iluminada do Brasil”
Bruno Reis (DEM), candidato a prefeito de Salvador, em debate da TVE Bahia e Rádio Educadora em 24 de outubro de 2020

FALSO

Com base no estudo Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios, publicado pelo IBGE em 2012, Salvador era a 12ª pior capital no quesito iluminação. O estudo que se baseou no Censo Demográfico de 2010. A cidade possuía aproximadamente 3,46% dos domicílios sem iluminação pública. Dos quase 638 mil domicílios investigados, pouco mais de 22 mil não eram servidos com iluminação.

A cidade ficou, no entanto, à frente de outras 11 capitais, como Maceió (AL), com 3,62%; Rio de Janeiro (RJ), com 3,91%; e Porto Velho (RO), em último lugar, com 18,25%.

A assessoria do candidato explicou que ele utilizou a expressão para “se referir à sensação dos habitantes da cidade em relação ao serviço oferecido. À época, havia diversas lâmpadas apagadas em Salvador, especialmente nas localidades mais pobres e com elevados índices de violência”. Informou ainda que, de acordo com o mesmo estudo apontado pela matéria, Salvador apareceu nas últimas posições em itens de infraestrutura urbana – incluindo a iluminação – se comparada a outras 14 cidades com mais de 1 milhão de habitantes.

Editado por: Chico Marés, Marcela Duarte, Maurício Moraes e Natália Leal

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