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Foto: Elza Fiúza/ABr
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#Verificamos: É falso que TSE pode incluir justificativas como votos registrados na urna

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.nov.2020 | 20h54 |

Circula nas redes sociais um tuíte do jornalista e ativista de extrema-direita Oswaldo Eustáquio no qual ele diz que os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vazados neste domingo comprovam que é possível usar informações de eleitores que justificaram sua ausência para adicionar votos ilegalmente para candidatos de esquerda. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“URGENTE: A invasão hacker do TSE revela a fraude nas urnas com a chancela da justiça eleitoral. A @crisbrasilreal descobriu que os votos válidos e os de quem justifica estão em banco de dados diferentes. Eles podem descarregar os votos de quem vai justificar na esquerda. ASCOM OE”
Texto publicado no Twitter pelo ativista Oswaldo Eustáquio neste domingo (15)

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A suposta “invasão hacker” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não ocorreu neste domingo (15), e o sistema não permite que justificativas sejam usadas para adulterar os votos válidos. “Essa alegação não tem qualquer cabimento fático ou razoabilidade por inúmeras razões”, informou o TSE, em nota

“A urna eletrônica só computa os votos que foram efetivamente recebidos, digitados por quem compareceu à seção eleitoral e teve o seu acesso liberado após a identificação pelos mesários”, diz o TSE. Portanto, a urna registra quem compareceu e quem não compareceu no dia da eleição – e não quem justificou ou deixou de justificar. 

Já as justificativas são computadas no Cadastro Nacional de Eleitores. Caso um eleitor justifique seu voto e, ao mesmo tempo, compareça à urna, isso pode ser identificado a partir do cruzamento desses dados. “Havendo justificativa de ausência às urnas e votação ao mesmo tempo, a situação é facilmente identificada e a Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral em seu papel de fiscal do cadastro pode adotar medidas de apuração quanto ao fato”, diz o TSE.

Já o sistema de totalização é um só, e contabiliza todos os votos, abstenções e justificativas. “Todas essas informações são tratadas em um mesmo sistema de totalização, devidamente auditado e com assinaturas digitais lacradas em audiência pública com a participação de partidos políticos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil”, diz o TSE. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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