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Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

#Verificamos: É falso texto que acusa TSE de vender eleição de SP para ‘a esquerda’

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.nov.2020 | 20h25 |

Circula pelas redes sociais um texto com a afirmação de que a eleição municipal de São Paulo foi vendida “para a esquerda” pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em colaboração com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva, por US$ 23 milhões. O valor teria sido pago pela empresa de tecnologia Diebold e o caso estaria sendo investigado pelos jornais The Wall Street Journal e Gazzeta dello Sport. O texto diz ainda que o candidato e deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) teria se recusado a participar do esquema e dito que “se as pessoas soubessem o que aconteceu na eleição, ficariam enojadas”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Talvez, isso explique a razão do candidato Russomano ter declarado a seguinte frase: ‘Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Eleição, ficariam enojadas’. Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por terem eleito Guilherme Boulos em SP, nas eleições municipais de 2020. Não deveriam. O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente Wall Street Journal of Americas e o Gazzeta delo Sport e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos”

Trecho de publicação compartilhada nas redes sociais

 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O texto foi adaptado a partir de uma corrente de e-mail que começou a circular após a Copa do Mundo da França, em 1998, e até hoje é alterada e divulgada para propagar desinformação. A essência do texto é a mesma, mudando apenas os eventos e algumas das pessoas citadas. 

O texto original diz que a Copa teria sido supostamente vendida por US$ 23 milhões. Em contrapartida, o Brasil seria a sede do campeonato mundial em 2046 e teria a conquista do pentacampeonato facilitada em 2002.

O texto é um velho conhecido no meio esportivo e passou a ser compartilhado em tom de sátira para se referir também a outras derrotas da seleção brasileira, como em 2014, depois do placar de 7 a 1 para a Alemanha. A política também virou alvo do “escândalo que todo mundo suspeitava” para acusar o Partido dos Trabalhadores (PT) de ter supostamente comprado e violado as urnas eletrônicas nas eleições de 2014

Neste ano, o texto voltou a circular nas redes sociais, atribuindo ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, a suposta venda de inquéritos da Polícia Federal para o governador João Doria por US$ 23 milhões. A Lupa desmentiu a informação na época.  

Após as eleições municipais ocorridas no último domingo (15), o texto de 1998 sofreu uma nova adaptação para acusar o TSE de ter supostamente vendido a eleição “para a esquerda”. A frase que teria sido dita pelo meio-campista Leonardo em 1998 foi, agora, atribuída a Celso Russomano (Republicanos), derrotado na disputa. Não existem registros públicos de que Russomano tenha afirmado que “se as pessoas soubessem o que aconteceu na eleição, ficariam enojadas”.

Até o mesmo personagem fictício Ronald Rhovald, mencionado no texto escrito em 1998 como representante da Nike, foi mantido, mas desta vez identificado como suposto representante da empresa de tecnologia Diebold. Os jornais internacionais que estariam investigando o caso também são os mesmos citados na publicação original de 22 anos atrás: o The Wall Street Journal e o Gazzeta dello Sport, uma publicação italiana que não cobre política, mas sim, esporte. O pagamento de “prêmios” para que o Brasil perdesse o mundial à época e para que “a Direita fosse derrotada durante o 2º turno” também é o mesmo: um total de US$ 23 milhões. 

A mensagem analisada pela Lupa diz ainda que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, Luís Roberto Barroso, teria garantido que o candidato derrotado para prefeito de São Paulo, Arthur do Val (Patriota), “teria seu caminho facilitado para a prefeitura em 2024”, usando a mesma organização textual criada para a corrente de 1998. 

Essa informação também foi verificada pelo site Boatos.org

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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