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#Verificamos: É falso que vereadora de Palmas (TO) teve votos ‘roubados’ depois da apuração

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.nov.2020 | 17h19 |

Circulam pelas redes sociais vídeos em que uma candidata a vereadora de Palmas, no Tocantins, afirma ter sofrido fraude nas eleições municipais no último dia 15. Segundo as publicações, a candidata Rose Ribeiro (Republicanos) teria tido 1.111 votos, conforme um print feito por ela mesma durante a apuração, e não 58 votos, como apontou o resultado final. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“A candidata a vereadora Rose Ribeiro afirma ter 1111 às 17:39 e após o apagão caiu para 58
Alguém pode me dar uma explicação plausível para isso que aconteceu em Palmas?
Abaixo segue vídeo da reclamação de alguns candidatos a vereadores”
Legenda de vídeo publicado no Twitter que, até as 12h do dia 18 de novembro de 2020, tinha sido retuitado 1,4 mil vezes

FALSO

A imagem analisada pela Lupa é uma montagem. A quantidade de votos que aparece no print feito pela candidata Rose Ribeiro, “1111”, difere do padrão dos outros números usados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na divulgação dos resultados das eleições. Pelo padrão do TSE, todos os numerais acima de mil levam um ponto (.) depois do algarismo de milhar. Nesse caso, o resultado apareceria “1.111”, com ponto depois do 1, e não “1111”, como mostra a imagem.

Esse padrão pode ser observado na lista completa de todos os candidatos à câmara de vereadores da cidade de Palmas. Marilon Barbosa (DEM), o mais votado, por exemplo, recebeu 2.953 votos (e não “2953”). O segundo colocado, Pedro Cardoso (DEM), 2.925. E assim por diante. Das 453 pessoas que concorreram, Rose Ribeiro ficou em 239ª lugar, com 58 votos.

Além disso, durante a apuração, o resultado era apresentado em ordem decrescente, ou seja, os candidatos com mais votos estavam no topo da lista, e não o contrário. Caso fosse verdadeiro o número citado por Rose Ribeiro, o nome dela não deveria aparecer abaixo dos candidatos que, naquele momento do print, tinham 303 e 118 votos, respectivamente. Após a conclusão da apuração, candidatos eleitos aparecem à frente de suplentes ou não eleitos mesmo quando receberam menos votos. Essa informação foi confirmada pelo TSE, via WhatsApp.

Outro indicador é a análise da imagem. Por meio da ferramenta ELA (Error Level Analysis), disponível em sites como o Foto Forensics e Forensically, é possível observar adulterações em imagens digitais. Na imagem apresentada pela candidata, a ferramenta identificou uma mudança de coloração na área onde constam os votos dos três candidatos que aparecem no print.

Ao comparar o trecho do documento onde estão os números dos candidatos Folha (Patriotas) e Muniz Jr do Itop (PL) ao de Rose Ribeiro, verifica-se que, no dela, há um aumento da coloração vermelha. De acordo com a análise da ferramenta, o print usado como prova de suposta fraude deveria apresentar a mesma coloração nos trechos que são semelhantes, ou seja, onde constam os números de votos.  

Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Tocantins afirmou que não há como alterar os dados inseridos nas urnas eletrônicas. Também informou que, “para conferir a lisura do processo, basta comparar a soma dos resultados dos boletins de urna, impressos na frente dos fiscais de partidos, ainda na seção eleitoral, com os dados disponibilizados pelo sistema da Justiça Eleitoral”. Até o fechamento dessa checagem, porém, os boletins de urna digitais ainda não estavam disponíveis no site do TSE.

A reportagem procurou o diretório municipal do Republicanos em Palmas, mas o partido preferiu não comentar.

Esse conteúdo também foi checado pelo E-farsas.

Nota: ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
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