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Em sabatina Folha/UOL, Boulos se contradiz sobre aumento de impostos

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.nov.2020 | 14h18 |

O candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) participou de sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, em parceria com o UOL, nesta quinta-feira (26).

Boulos chegou ao 2º turno das eleições com 20,24% dos votos e disputa o cargo com Bruno Covas, que atingiu 32,85% dos votos válidos. O candidato do PSOL tem 45% das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na terça-feira (24).

A sabatina teve duração de 45 minutos. A Lupa checou algumas das declarações do candidato. Confira:

“Não haverá qualquer tipo de aumento do IPTU ou aumento tributário no nosso governo”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

CONTRADITÓRIO

Em seu plano de governo publicado no Tribunal Superior Eleitoral, Boulos defende a “elevação da alíquota de ISS para instituições financeiras e aumento do valor da tarifa do IPTU para mansões” (página 17). Ou seja, o programa proposto pelo candidato prevê dois casos específicos de aumento de impostos.

Durante a sabatina, o candidato afirmou que os dois pontos apresentados no plano de governo não são uma “defesa de aumento tributário para a população de São Paulo”. “Não haverá aumento de imposto salvo estes dois casos que estão muito bem colocados”, conclui. 

Na entrevista, Boulos disse que o aumento do Imposto sobre Serviço (ISS) para instituições financeiras — como os bancos — “não se confunde” com aumento de tributos para a população de forma geral. 

Em relação ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o candidato afirma que é necessário “corrigir distorções, e não revisar a planta genérica”. “Existem casos em particular em que pessoas pagam IPTU incompatível com o valor daquela região. Isso é caso a caso”. 


“Coreia do Sul, um país inteiro que teve menos mortes [por Covid-19] que a cidade de São Paulo (…)”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Segundo o último boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde, a Coreia do Sul teve um total de 505 mortes por Covid-19 e 30.733 casos da doença. A capital paulista, por sua vez, teve 14.260 óbitos e 399.382 pacientes infectados pelo novo coronavírus. Os dados de São Paulo são do boletim diário sobre Covid-19 divulgado pela prefeitura de São Paulo na última quarta-feira (25).


“[A Coreia do Sul] Tem 150, 160 milhões de habitantes”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

FALSO

Segundo o Kostat, site oficial de estatísticas da República da Coreia, o país tem, atualmente, 51,3 milhões de habitantes. Ou seja, o número citado pelo candidato é cerca de três vezes maior do que o real. O município de São Paulo, por sua vez, tem um total de 12,3 milhões de habitantes, segundo estimativas do IBGE. 


“Existem suspeitas noticiadas pela Folha de São Paulo, mais de uma vez, de o grupo político dele [Ricardo Nunes] se beneficiar com R$ 1,4 milhão por ano com creches conveniadas”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

O vereador Ricardo Nunes (MDB), candidato a vice de Covas, é alvo de um inquérito conduzido pela promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O MP investiga indícios de superfaturamento no aluguel de creches conveniadas com a prefeitura. 

Ao menos quatro reportagens da Folha de S.Paulo relatam as suspeitas que envolvem o grupo político de Nunes com a chamada “máfia das creches” (aqui, aqui, aqui e aqui). Em uma delas, o jornal mostra que sete dessas unidades conveniadas de educação e assistência rendem R$ 1,4 milhão por ano

A Folha também noticiou que Nunes tem conexões políticas com responsáveis pelas entidades que gerenciam creches conveniadas da Prefeitura de São Paulo e com as empresas locatárias dos imóveis.

As denúncias incluem a possível relação do vereador com a Associação Amiga da Criança e do Adolescente (Acria) e com a Sociedade Beneficente de Interlagos (Sobei).


“[Bruno Covas] diz que construiu oito hospitais e não fez, inclui hospitais que não foram entregues”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Em sua propaganda eleitoral, Covas diz ter entregado oito novos hospitais durante sua gestão como prefeito cidade de São Paulo. No entanto, foram inaugurados cinco hospitais na capital paulista entre 2017 e 2020: o Hospital de Parelheiros, aberto em 2018, durante a gestão de João Doria (PSDB), e outros quatro, Bela Vista, Capela do Socorro, Brasilândia e Guarapiranga, inaugurados em 2020. 

Outras duas unidades foram abertas na gestão Covas, mas apenas de forma parcial. O Hospital Santo Amaro, inaugurado com 25% da capacidade, e o Hospital Sorocabana, que está com vários andares ainda fechados. O Hospital Brigadeiro está em obras, conforme informado no Relatório do Programa de Metas da prefeitura (página 65).


“Quase 70% da população de São Paulo estaria disposta a reavaliar o uso de transporte individual e eventualmente fazer a transição para o transporte público se tivesse mais qualidade”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Segundo a pesquisa Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana, de 2020, 69% das pessoas que usam o carro como meio de transporte principal poderiam deixar de fazer isso se houvesse uma boa alternativa de transporte público. De acordo com o estudo, 39% dos usuários com certeza deixariam de usar o transporte individual e 30% provavelmente deixariam de usar.


“[Houve] Um aumento do número de internações [por Covid-19], aumento no número de internações de UTI”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Durante o mês de novembro, o número total de internações hospitalares por Covid-19 aumentou no município de São Paulo, assim como a quantidade de pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). No dia 1º de novembro, a capital tinha um total de 642 internados em hospitais municipais e em instituições privadas contratadas pela prefeitura. Nas UTIs, eram 382 pacientes com a doença. Ao longo do mês, o número de pacientes atendidos foi aumentando. O boletim mais recente da prefeitura, divulgado na última quarta-feira (25), mostra que São Paulo tem 839 pacientes internados com Covid-19 e outros 469 em UTIs.


“No último domingo, a Folha de S.Paulo atestou que o investimento do governo Doria e Bruno Covas é o pior dos últimos 15 anos”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

Reportagem da Folha de S. Paulo publicada no dia 21 de novembro mostra que a gestão de João Doria (PSDB) e Bruno Covas à frente da prefeitura de São Paulo foi a que menos investiu no município desde 2005.

Até a data da publicação da matéria, a atual gestão havia investido R$ 8,2 bilhões. Este valor é menor do que o executado pelas gestões anteriores, considerando valores corrigidos pela inflação. Fernando Haddad (PT, 2013 a 2016) investiu R$ 15,4 bilhões, Gilberto Kassab (PSD, 2009 a 2012), R$ 15,2 bilhões, e a gestão José Serra (PSDB) e Kassab (2005 a 2008) executou R$ 10,4 bilhões.

Investimento são gastos com obras e outras melhorias e não incluem despesas fixas (folha salarial, previdência e custeio). No cálculo, a Folha considerou valores liquidados. 

A reportagem também fez um cálculo considerando os valores empenhados, e não executados, e excluindo as transferências financeiras realizadas pelas gestões. Ainda assim, a atual administração é a que menos investiu no município desde 2005.


“O último estudo da Rede Nossa São Paulo, mostra, por exemplo, [que] a idade média ao morrer [é] de 81 anos em Moema e no Jardim Paulista, (…) e 57 anos na Cidade Tiradentes ou no Jardim Ângela.”
Guilherme Boulos (PSOL), candidato a prefeito de São Paulo, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, em 26 de novembro de 2020

VERDADEIRO

De acordo com o Mapa da Desigualdade 2020, realizado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Programa Cidades Sustentáveis, os três distritos onde a expectativa de vida é mais alta em São Paulo são o Jardim Paulista (81,5 anos), Alto de Pinheiros (81,1) e Moema (79,8). Já o Jardim Ângela e Cidade Tiradentes têm as duas piores médias (página 39), de 58,3 e 58,5 anos respectivamente.

Editado por: Chico Marés e Marcela Duarte

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