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#Verificamos: É falso que MST destruiu estação de transmissão de energia no Amapá

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.nov.2020 | 16h31 |

Circula nas redes sociais um vídeo que mostra manifestantes derrubando uma estação de transmissão de energia. Segundo a legenda, o fato aconteceu no Amapá, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi responsável pelo ocorrido. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Militantes do MST destruindo uma estação de transmissão no Amapá”
Legenda de vídeo publicado em post do Facebook que, até as 15h de 26 de novembro de 2020, tinha mais de 170 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo foi filmado em 2 de novembro de 2017, e mostra manifestantes derrubando linhas de transmissão de energia na cidade de Correntina (BA). Segundo reportagens publicadas na época (confira aqui, aqui e aqui), o grupo era composto por moradores de comunidade ribeirinha do rio Arrojado, que acusavam a irrigação da propriedade de ser responsável pela seca do rio. Logo, as cenas não têm relação com o apagão que deixou parte do Amapá sem energia elétrica. Pelo WhatsApp, a assessoria do MST negou que tenha participado do ocorrido.

Uma reportagem do Bom Dia Brasil, da TV Globo, em 6 de novembro de 2017 (que mostra o vídeo que circula nas redes), explica que a propriedade era da empresa Lavoura e Pecuária Igarashi. De acordo com o texto, a principal queixa dos ribeirinhos era quanto à diminuição do nível da água no leito do rio Arrojado para atender o sistema de irrigação da fazenda – o que afetaria a lavoura dos pequenos agricultores, por exemplo.

Uma nota de apoio publicada à época por movimentos sociais e estudantis afirmava que o volume de água retirado pela fazenda equivalia a mais de 106 milhões de litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas na região do Semiárido. “As águas do rio Arrojado abastecem comunidades centenárias e não podem servir apenas aos interesses dos irrigantes como o grupo Igarashi”, dizia a nota, assinada também pelo MST.

Segundo a empresa, a ação rendeu um prejuízo de pelo menos R$ 10 milhões, com a destruição de maquinários diversos da fazenda.

O mesmo vídeo publicado já circulou antes nas redes sociais afirmando que o caso ocorreu em uma fazenda do Rio Grande do Sul. A Revista Veja desmentiu o boato.

Crise no Amapá

Em 3 de novembro, um apagão deixou 13 dos 16 municípios do Amapá sem energia. A crise foi causada por um incêndio que comprometeu transformadores de uma subestação da Zona Norte. O apagão causou uma série de problemas, afetando, por exemplo, o fornecimento de água. O Ministério de Minas e Energia anunciou na terça-feira (24) que 100% do fornecimento de energia elétrica no Amapá foi restabelecido.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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