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SP: erros e acertos de Covas e Boulos durante o horário eleitoral no segundo turno

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.nov.2020 | 14h33 |

Desde a última sexta-feira (20), o Horário Eleitoral Gratuito voltou a ser transmitido na televisão e no rádio. Com 10 minutos de duração divididos igualmente entre os dois candidatos, os programas estão sendo exibidos às 13h e 20h30 na TV e às 7h e 12h no rádio. A última edição será na noite desta sexta-feira (27). A Lupa verificou algumas das declarações presentes nos programas de Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), candidatos à prefeitura de São Paulo, confira:

Bruno Covas (PSDB)

“Nós aumentamos em 260 equipes de Saúde da Família durante a nossa gestão”
Bruno Covas (PSDB) no programa de 21.nov.2020

EXAGERADO


De acordo com o painel de indicadores da Atenção Primária à Saúde, o número de equipes da Estratégia Saúde da Família em São Paulo aumentou em 195 durante a atual gestão da prefeitura. Em dezembro de 2016, último mês antes de Covas e João Doria (PSDB) assumirem a prefeitura, a cidade tinha 1.186 equipes. Em junho deste ano, dado mais recente disponível, eram 1.381.

No período em que Covas foi o titular do mandato, o número de equipes aumentou em 138. Em março de 2018, último mês completo de Doria, eram 1.243 equipes.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Covas, mas não teve resposta.


“A gente ter conseguido viabilizar 25 mil unidades habitacionais”
Bruno Covas (PSDB) no programa de 20.nov.2020

EXAGERADO


Desde o início da gestão de João Doria e Bruno Covas, em 2017, até novembro deste ano, foram entregues 14,3 mil unidades habitacionais na cidade de São Paulo, segundo dados enviados da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). O número citado por Covas é 74% maior do que o que foi concluído até agora pelo seu governo.

O atual prefeito tem repetido em entrevistas e debates que viabilizou 25 mil moradias, como na sabatina realizada por Folha e UOL. A Secretaria de Comunicação diz ainda que outras 4,7 mil estão em construção. Mesmo se forem concluídas, o número é inferior às 21 mil unidades prometidas por Covas no Programa de Metas (página 58), pois a soma chegaria a 19 mil.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Covas, mas não teve resposta.


“Fez oito hospitais”
Música “Força, Foco e Fé” no programa de Bruno Covas (PSDB) de 20.nov.2020

EXAGERADO

Entre 2017 e 2020, a prefeitura de São Paulo inaugurou cinco hospitais. Em 2018, ainda na gestão de João Doria (PSDB), foi inaugurado o Hospital de Parelheiros. Já os hospitais de Bela Vista, Capela do Socorro, Brasilândia e Guarapiranga foram inaugurados em 2020. O último foi usado no atendimento de pacientes com Covid-19.

Outros dois hospitais foram abertos, mas apenas de forma parcial. O Hospital Integrado Santo Amaro abriu no dia 5 de novembro com apenas 25% de capacidade. O Sorocabana também foi entregue, mas com a maior parte da estrutura fechada. Por fim, o Hospital Brigadeiro está em obras, segundo o Relatório do Programa de Metas da prefeitura (página 65).

A Lupa entrou em contato com a campanha de Covas, mas não teve resposta.


“[A prefeitura receberá] R$ 1 bilhão [com o BID]”
Bruno Covas (PSDB) no programa de 21.nov.2020

EXAGERADO

Em 19 de junho de 2019, Covas viajou a Washington para assinar um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para investimentos no programa Avança Saúde. O valor do empréstimo (identificado pelo código BID4641/OC-BR) totaliza US$ 100 milhões. 

A cifra equivalia à época a R$ 385 milhões, com o dólar cotado a R$ 3,85 na data de assinatura do contrato. Entretanto, a liberação da primeira parcela do empréstimo ocorreu em março de 2020, com dólar cotado a R$ 4,63. Até outubro de 2020, oito parcelas tinham sido pagas, totalizando R$ 491,4 milhões.

A cifra citada por Covas é próxima do investimento total do programa Avança Saúde, de US$ 200 milhões. Porém, metade disso será pago com recursos da própria prefeitura, como contrapartida.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Covas, mas não teve resposta.


“Quando contratamos 100 restaurantes [para produzir marmitas para pessoas em situação de rua]”

Bruno Covas (PSDB) no programa de 23.nov.2020

EXAGERADO

De acordo com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, 93 restaurantes se inscreveram no Projeto Rede Cozinha Cidadã, mas somente 69 foram contratados, por serem considerados habilitados nos termos definidos pelo edital. O programa surgiu com o objetivo de garantir a segurança alimentar e nutricional da população em situação de rua durante a pandemia de Covid-19.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Covas, mas não teve resposta.


“Nós fizemos 12 (CEUs)”
Bruno Covas (PSDB) no programa de 20.nov.2020

VERDADEIRO, MAS

Segundo o relatório do Programa de Metas da gestão 2019-2020 (página 69), atualizado no dia 12 deste mês, 11 Centros Educacionais Unificados (CEUs) foram concluídos em 2020, e um está previsto para ser entregue no dia 12 de dezembro. Contudo, apenas dois deles chegaram a ser efetivamente utilizados.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o CEU Parque do Carmo e CEU Vila Alpina foram inaugurados em fevereiro. Outras quatro unidades foram entregues nos meses de julho e agosto: São Miguel, José Bonifácio (São Pedro), Cidade Tiradentes e Tremembé. Contudo, com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia de Covid-19, essas unidades não receberam aulas.

Em outubro, foram recebidas duas unidades: Taipas e Parque Novo Mundo. Em novembro foram entregues Pinheirinho, Carrão/Tatuapé e José de Anchieta. Por fim, o CEU Freguesia está previsto para 12 de dezembro.

Os CEUs são prédios públicos que abrigam escolas de ensino infantil e fundamental junto com equipamentos de esporte, lazer e cultura, como piscinas e quadras poliesportivas. Além das estruturas entregues em 2020, outras 46 unidades estão em funcionamento na cidade.


“Quem começou com os CEUs foi a Marta Suplicy”
Bruno Covas (PSDB) no programa de 20.nov.2020

VERDADEIRO

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) foram criados em 2003, durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (2001-2004), na época filiada ao PT. Hoje sem partido, após passagens pelo MDB e pelo Solidariedade, Marta declarou apoio a Covas ainda no primeiro turno.

Guilherme Boulos (PSOL)

“A prefeitura de São Paulo não deu nenhum tipo de apoio [a pequenos comerciantes e micro empresários durante a pandemia]”

Guilherme Boulos (PSOL) no programa de 24.nov.2020

FALSO

Em julho, o prefeito Bruno Covas sancionou a lei nº 17.403/2020, aprovada pela Câmara de Vereadores de São Paulo, com medidas tributárias para minimizar os impactos econômicos da Covid-19. A lei trouxe novas determinações que afetaram as permissões de uso, programas de parcelamento de dívidas, financiamento de moradia popular e permissionários. 

Essa lei permitiu, por exemplo, a reabertura do prazo de adesão ao Programa de Regularização de Débitos (PRD) e a suspensão dos prazos de inadimplemento de pessoas e empresas que já participam do PRD, do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), e do Parcelamento Administrativo de Débitos Tributários (PAT) durante o período de calamidade pública. A lei também facilita a outorga do uso de calçadas por bares e restaurantes, e isenta essas empresas de taxas relativas ao exercício de 2020.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Boulos, mas não teve resposta.


“Eles receberam R$ 1,3 bilhão só para combater a Covid (…)”
Guilherme Boulos (PSOL) no programa de 25.nov.2020

EXAGERADO

O valor de R$ 1,3 bilhão citado por Boulos foi destinado pelo Ministério da Saúde para a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e não para o município. A Secretaria Municipal de Saúde recebeu R$ 622 milhões do governo federal, e outros R$ 172,4 milhões do governo estadual.

A Lupa entrou em contato com a campanha de Boulos, mas não teve resposta.


“[Erundina] construiu o sambódromo”
Emilia Bizzoto, no programa do Guilherme Boulos (PSOL) em 20.nov.2020

VERDADEIRO, MAS


O sambódromo do Anhembi, em São Paulo, foi inaugurado em 1991, durante o mandato da então prefeita Luiza Erundina (PSOL), candidata a vice na chapa de Boulos. Entretanto, as obras do Sambódromo terminaram definitivamente em 1996, quando todos os setores foram concluídos. Na época, o prefeito era Paulo Maluf (PP). 

“[Erundina] colocou dois mil novos ônibus nas ruas”
Emilia Bizzoto, no programa do Guilherme Boulos (PSOL) em 20.nov.2020

VERDADEIRO


Durante a gestão de Erundina (1989-1993), a frota de ônibus em São Paulo aumentou em 2.581, passando de 8.337, em 1989, para 10.918, em 1992. Destes, mil ônibus foram adquiridos diretamente pela prefeitura, enquanto o restante foi disponibilizado pelas empresas privadas concessionárias.

“Ela [Erundina] construiu seis hospitais”
Emilia Bizzoto, no programa do Guilherme Boulos (PSOL) em 20.nov.2020

VERDADEIRO

Entre 1989 e 1993, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, foram construídos seis hospitais. São eles: Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Correa Netto, em Ermelino Matarazzo, Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, em Campo Limpo, Hospital Municipal Dr. Alexandre Zaio, na Vila Nhocuné, Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro, no Jardim Iva e Hospital Municipal e Maternidade Prof. Mario Degni, no Jardim Sarah.

De acordo com o histórico apresentado no relatório da Coordenação da Gerência Hospitalar de São Paulo (Cogerh), a verba para construir essas unidades foi obtida junto ao antigo banco Banespa, pelo ex-prefeito Jânio Quadros, que antecedeu Erundina no cargo. 

Como o próprio relatório registra, “a partir de 1989, estes hospitais seriam inaugurados na gestão da Prefeita Luiza Erundina e do Secretário de Saúde Carlos Neder”.


“Nessa gestão do Dória e do Bruno Covas, a fila de espera para exame e consulta quase dobrou”
Guilherme Boulos (PSOL) no programa de 25.nov.2020

VERDADEIRO

A fila da saúde em São Paulo aumentou de 753 mil pessoas em 2016 para 1,3 milhão em janeiro de 2020, sendo que destas 217 mil aguardavam exames, 910 mil aguardavam consultas e 153 mil aguardavam cirurgias. Os dados foram obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo através de um pedido de Lei de Acesso à Informação.


“[A prefeitura não deu] nem o abatimento do IPTU [durante a pandemia]”
Guilherme Boulos (PSOL) no programa de 24.nov.2020

VERDADEIRO

Em abril, o prefeito Bruno Covas declarou que iria manter a cobrança de IPTU durante a pandemia do novo coronavírus. Em 2019, a arrecadação do IPTU na capital foi de R$ 11,1 bilhões, segundo o Relatório Anual de Fiscalização (página 22).

Editado por: Chico Marés

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INSUSTENTÁVEL
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