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Carlos Bolsonaro usou verba do Fundão, mas prometeu doar valor a instituições de caridade

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.nov.2020 | 14h00 |

Circula nas redes sociais uma foto do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A imagem é acompanhada de um texto que afirma que o pai teria estimulado o boicote a candidatos que usam o fundão e que, ainda assim, o filho teria usado dinheiro do fundo na campanha. A Lupa verificou a publicação como parte do projeto Democracia Digital, no qual jornalistas de todas as capitais do Brasil analisam notícias das eleições 2020. Confira:

“Hipocrisia. Após pai estimular boicote a candidatos que usam fundão, Carlos Bolsonaro usa dinheiro do Fundo Eleitoral na campanha”
Texto de post no Facebook que, até 27 de novembro de 2020, teve 371 comentários e 228 compartilhamentos

VERDADEIRO, MAS

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Bolsonaro recebeu R$ 22 mil do Fundão para sua campanha à reeleição como vereador. O valor faz parte de um gasto total de R$ 102,3 mil na campanha. O Republicanos recebeu R$ 100,6 milhões do Fundo Eleitoral nas eleições municipais de 2020, segundo o TSE.

No dia 27 de outubro, Carlos Bolsonaro publicou uma explicação no Facebook em que reafirma sua contrariedade ao Fundão. Ele afirma que, no início da campanha, foi informado que não aceitaria verba do fundo e acrescenta como prova que “nunca houve doação direta desta fonte para minha candidatura”. “Recentemente, tomamos conhecimento da origem dos recursos dos materiais doados pelo partido (adesivos e cartões de apresentação) (…). Nos mobilizamos para devolver tais recursos, mas via de regra não existe essa opção.”

Na postagem, ele ainda se compromete a destinar parte de seu salário a “entidades que promovam a caridade ou as pautas de nossos eleitores, até chegar ao valor equivalente, cerca de R$ 22 mil”.

Dois partidos comunicaram à Justiça Eleitoral a decisão de abrir mão dos recursos do FEFC para financiar as campanhas políticas de seus candidatos a prefeitos e vereadores: o Novo e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

Procurada pela Lupa, a assessoria de Carlos Bolsonaro afirmou, em nota, que “o vereador avisou ao partido através de comunicado oficial que não utilizaria verbas de fundo partidário nem do fundo eleitoral. Ocorre que na prestação de contas da primeira parcial, fomos surpreendidos com a doação de material feita pela coligação. Diante do exposto, o vereador, fez novo comunicado ao partido reiterando o primeiro. Como também se comprometeu que ao longo da próxima legislatura fará doações do valor equivalente”.

Em janeiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro pediu à população para não votar “em parlamentar que recebe Fundão”. Bolsonaro afirmou, em dezembro de 2019, que um parecer jurídico do governo recomendou que ele sancionasse o Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões. Criado em 2017, em decorrência da proibição de empresas fazerem doações para campanhas políticas, o fundo prevê o uso de dinheiro público para esse fim.

Nota da redação: O projeto Democracia Digital é uma iniciativa da Lupa, do Instituto de Tecnologia & Equidade (IT&E) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil. As checagens produzidas são distribuídas gratuitamente a rádios universitárias do país, com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

Editado por: Marcela Duarte

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