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#Verificamos: Janaína Paschoal não é autora de áudio com críticas a Moro, defesa de Bolsonaro e teoria da conspiração sobre tráfico humano

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.dez.2020 | 18h33 |

Circula por grupos de WhatsApp um áudio atribuído à deputada estadual de São Paulo Janaína Paschoal (PSL). Ao longo de mais de sete minutos, a deputada teria feito críticas ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro; anunciado uma operação militar mundial chamada Storm, que supostamente investiga “tráfico humano, de droga, tortura e satanismo com criança”; e ainda defendido o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

 “(…) O seu Moro usou a desculpa mais esfarrapada que eu já vi na minha vida. Falar que foi mandado embora um cara que pediu para ser exonerado. Isso não se faz. Isso é coisa de cafajeste, tá?”

Trecho de áudio atribuído à deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) e compartilhado em grupos de  WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há registros públicos de que Janaína tenha feito essas afirmações sobre o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro em suas redes sociais, nas sessões plenárias da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ou em entrevistas recentes.  Diferentemente do sugere o conteúdo do áudio, a deputada apoiou Moro quando ele pediu demissão. Em 24 de abril, dia em que o então ministro anunciou a saída do governo federal, Janaína escreveu no Twitter: “ele revelou crimes graves e eu acredito em todas as palavras dele.”

A jurista manifestou publicamente apoio a Moro em outras ocasiões, inclusive no caso de uma possível candidatura à presidência da República em 2022. Em 27 de julho, ela afirmou que não esconde de ninguém a admiração por ele “e a propensão de o apoiar em uma possível candidatura em 2022.”

A própria deputada afirmou que o áudio que circula nas redes sociais não é de sua autoria. Em abril deste ano, quando o conteúdo viralizou pela primeira vez, ela escreveu no Twitter: “Amados, o áudio cheio de palavrões, que gravaram usando meu nome, não é meu! A voz não é minha, as ideias não são minhas e, principalmente, o estilo não é meu! (…).” De fato, ao comparar outros discursos da deputada em sessões plenárias da Alesp, por exemplo, não são usuais palavrões em seu vocabulário.

Em 18 de novembro, quando a peça de desinformação voltou a circular em grupos de WhatsApp, ela usou a tribuna da Alesp para reafirmar que o áudio não era dela.

Procurada pela Lupa, a deputada disse, por telefone, que não consegue ver lógica nas ideias do áudio. “Para mim, é uma insanidade. Eu não sei quem fez isso aí. E o que mais me surpreende é o fato de que tem muita gente me parabenizando. Eu acho assim: dentro da loucura, as pessoas estão vendo uma lógica. Porque mistura muita coisa. Eu acho insano”, afirmou.


tendo uma operação militar mundial por conta de tráfico humano, de droga, por tortura, satanismo com criança, saindo milhares de crianças que são cativas em túneis. Muitas delas nem viram a luz do dia até hoje. Deformidades e coisas horrorosas, onde tem toda uma elite metida nisso, inclusive aí o Vaticano, Família Real Britânica, holandesa, norueguesa, Hollywood, presidentes, Obama, Hillary Clinton, o cacete, tá? Essa operação chama Storm (…)”

Trecho de áudio atribuído à deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) e compartilhado em grupos de  WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há nenhuma informação oficial da Polícia Federal ou de organizações internacionais, como a Interpol, relacionada a uma operação global e militar de combate ao tráfico humano chamada Storm. Trata-se de uma teoria da conspiração que se disseminou em fóruns de extrema direita e ganhou popularidade no Brasil em agosto deste ano.  

Segundo reportagem do UOL Tab, essa operação seria um evento global ligado ao QAnon, movimento que surgiu nas redes sociais e que dissemina teorias não comprovadas sobre uma suposta elite mundial diabólica e pedófila.

Em 2020, o FBI divulgou um alerta sobre extremismo doméstico influenciado por teorias de conspiração, e citou a QAnon como uma ameaça potencial.


“Agora, eu, pessoalmente, sou Bolsonaro até o último dia da minha vida, tá? Ele tomou uma facada e tomando lambada 24 horas desde o dia que pisou naquela merda para ta tentando salvar o meu e o seu rabo.”

Trecho de áudio atribuído à deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) e compartilhado em grupos de  WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Janaína Paschoal rompeu com o presidente Jair Bolsonaro em 2020. A advogada, que foi uma das autoras do pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e aliada de Bolsonaro na campanha de 2018, disse ter se arrependido do voto no capitão reformado do exército. Em 16 de março, durante um discurso na Alesp, ela pediu o afastamento do presidente e o criticou por ter participado de atos pró-governo em Brasília, no começo da pandemia do novo coronavírus.

Em novembro deste ano, em uma entrevista ao site Congresso em Foco, a deputada voltou a dizer que se arrepende de ter feito campanha para Bolsonaro.

Esse conteúdo também foi verificado pelo Boatos.org.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

 

Editado por: Chico Marés

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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