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#Verificamos: É falso que Austrália recomendou uso de ivermectina para pacientes com Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.dez.2020 | 17h16 |

Circula pelas redes sociais um vídeo gravado pela médica Cecília Pimenta que diz que a Austrália recomendou e distribuiu ivermectina para sua população e, assim, conseguiu diminuir os casos de Covid-19 no país. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

 

“Então o que a Austrália fez? Ela recomendou que toda a população tomasse a ivermectina. Todos tomaram e o que que acontece, a gente pode ver no gráfico, os casos despencaram de Covid-19 e por causa disso a ivermectina já está até sendo considerada por muitos entre aspas vacina contra o Covid-19”
Vídeo compartilhado no WhatsApp com depoimento da médica Cecília Pimenta

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O governo australiano não recomendou que sua população tomasse ivermectina para tratar ou prevenir a Covid-19. Em setembro, a NPS MedicineWise, instituição sem fins lucrativos custeada pelo próprio governo australiano, publicou um texto em seu site explicando que a ivermectina foi usada de forma experimental por alguns profissionais da área de saúde, mas que ainda não há estudos revisados e publicados que confirmem ou desmintam sua eficácia contra a doença. O texto diz, ainda, que o governo australiano não autoriza o uso desse medicamento contra o novo coronavírus.

O Comitê Principal de Proteção da Saúde da Austrália (AHPPC), grupo de especialistas de saúde montado pelo governo australiano, publicou, em abril, um documento falando que diversos medicamentos ainda estavam sendo avaliados e que as drogas ainda precisam passar ainda por uma série de testes para a comprovação de eficácia. O documento sequer menciona a ivermectina.

A Therapeutic Goods Administration (TGA), autoridade sanitária australiana, também afirma que não há medicamentos eficazes contra a Covid-19 até o momento. Contudo, o órgão informa em seu site que uma série de vacinas e medicamentos estão sendo avaliados. “Quando os dados de tais estudos estiverem disponíveis, a Austrália será um membro líder de um grupo global de autoridades regulatórias que realizará uma revisão coordenada de vacinas e medicamentos relevantes com a mais alta prioridade possível”, diz o TGA.

O governo australiano confirmou o primeiro caso de Covid-19 no dia 25 de janeiro. Atualmente, o país tem um total de 27.939 casos e 908 óbitos pela doença. Os dados do Departamento de Saúde do país mostram que houve dois picos de novos casos de Covid-19, um em março e outro que durou os meses de julho e agosto, este último concentrado no estado de Victoria. O número é consideravelmente mais baixo, em números absolutos ou proporcionais, do que a quantidade de vítimas da doença no Brasil, Estados Unidos ou na maior parte da União Europeia.

Para evitar a propagação do vírus, a Austrália decretou, tanto em nível local quanto em nível nacional, medidas bastante restritivas de isolamento social, fechamento de comércios e atividades públicas, especialmente no primeiro semestre. Áreas do estado de Victoria, que foi mais afetado pela doença, entraram em lockdown a partir de junho. As medidas foram aliviadas somente em outubro. O governo australiano também adotou a estratégia de testar e monitorar a população infectada, fechou a fronteira com países onde a situação não estava controlada e, em alguns casos, estados australianos fecharam fronteiras dentro do próprio país. Uma medida que o país não tomou, porém, foi receitar ivermectina para sua população.

A Lupa procurou a médica responsável pelo vídeo, que respondeu, por WhatsApp, que não disse que a Austrália distribuiu ou receitou o remédio. “Observe bem que eu digo: A Austrália ‘recomendou’. E fiz as aspas com as mãos”, disse. “A população da Austrália usou Ivermectina desde o início e até hoje, os números de contaminados e mortos por lá são muito baixos”, complementou. Contudo, não é verdade que os australianos tenham usado o remédio de forma generalizada para controlar a doença, como é explicado acima. Veja a resposta completa (aqui e aqui).

O vídeo que circula pelo WhatsApp também foi verificado pelo Projeto Comprova.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número
+55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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