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Foto: Reprodução Post
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#Verificamos: É falso que voluntária nos EUA apresentou ‘feridas sangrentas’ após teste da vacina da Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.dez.2020 | 14h55 |

Circula nas redes sociais que uma voluntária dos testes de uma das vacinas da Covid-19, nos Estados Unidos, teve uma reação adversa grave após tomar o imunizante. Segundo a publicação, “enormes feridas sangrentas” que apareceram nos pés da voluntária a impedem de andar há quatro semanas. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“VOLUNTÁRIA DO TESTE DA VACINA COVID-19 TEVE REAÇÃO ADVERSA. […] Foi voluntária em um estudo de VACINA COVID-19 e teve uma reação adversa grave. Ela não consegue andar ou trabalhar há quase 4 semanas por causa de enormes feridas sangrantes nos pés. Essas feridas são chamadas de Erupção Fixa por Drogas para aqueles que desejam se aprofundar um pouco mais em como isso acontece […]”
Legenda de imagem publicada em post do Facebook que, até as 13h de 4 de dezembro de 2020, tinha mais de 470 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A farmacêutica Pfizer, que aplica testes da vacina da Covid-19 no Texas, confirmou, em nota, que a pessoa que aparece nas imagens do post participou como voluntária das aplicações do imunizante desenvolvido pela empresa. Entretanto, afirma que as feridas adquiridas por ela não estão relacionadas aos testes. A voluntária também publicou um vídeo no Youtube explicando que está no grupo controle – ou seja, recebeu placebo – e que as feridas são reação alérgica a um anti-inflamatório.

Segundo comunicado das empresas BioNTech e Pfizer sobre os resultados finais da fase 3 da vacina da Covid-19 – última etapa das análises –, os únicos sintomas adversos apresentados pelos voluntários foram fadiga, em 3,8%, e dor de cabeça, em 2%. “Consistente com os resultados compartilhados antes, adultos mais velhos tendem a relatar menos eventos adversos solicitados e mais brandos após a vacinação”, diz o comunicado.

Em 18 de novembro, as empresas informaram que a vacina que vem sendo testada apresentou uma eficácia de 95%. Das 43 mil pessoas que participaram dos testes, houve apenas 170 contaminações pela Covid-19, sendo 162 de voluntários do grupo placebo, que não receberam a vacina.

Vaquinha

Na internet, uma ‘vaquinha’ foi criada para ajudar no tratamento da voluntária que disse, inicialmente, apresentar uma reação adversa à vacina. Segundo o texto introdutório da campanha, ela não conseguia andar ou trabalhar há quase quatro semanas por causa de enormes feridas nos pés, supostamente por causa do imunizante. O dinheiro seria usado para cuidados infantis, despesas médicas e despesas de manutenção, “já que está desempregada e continuará sem trabalho até que as feridas cicatrizem”.

Posteriormente, a campanha foi atualizada. O texto introdutório passou a afirmar que a causa da erupção na pele é desconhecida. “Ela fará mais testes e verá novos especialistas para obter o diagnóstico e a causa correta”. Entretanto, em seu canal no Youtube, em 27 de novembro, a voluntária que tomou o imunizante explicou que a empresa fabricante a notificou dizendo que ela estava no grupo de placebo. Em 1º de dezembro, um outro vídeo foi publicado por ela, onde afirma que, após consultar um novo médico, a erupção que surgiu nos pés foi provocada por um anti-inflamatório conhecido como ibuprofeno.

A Erupção por Droga Fixa, citada no texto da publicação, surge em decorrência de uma reação alérgica, provocada pelo uso de medicamentos, a exemplo de antibióticos e anti-inflamatórios. As formas de manifestação podem ser as mais variadas possíveis, como manchas avermelhadas disseminadas pelo corpo, descamação e bolhas, que podem ser acompanhadas de sintomas como coceira.

Sobre a vacina

A vacina desenvolvida por BioNTech e Pfizer utiliza a tecnologia RNA, relativamente nova, que ainda não foi aprovada para uso comercial. Nesse tipo de imunizante, o chamado RNA mensageiro interage com as células humanas e permite que elas produzam proteínas específicas de um patógeno – que passam a ser reconhecidas pelo sistema imunológico. As companhias esperam produzir 50 milhões de doses da vacina em 2020 e mais 1,3 bilhão até o fim de 2021.

Verificação similar foi feita pelas plataformas de checagem Aos Fatos e Maldita, na Espanha.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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