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#Verificamos: É falso que ‘malas secretas’ com votos ilegais foram encontradas na Geórgia

Editor | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.dez.2020 | 16h31 |

Circula nas redes sociais que “malas secretas” com votos foram encontradas na Geórgia, estado americano no qual o presidente eleito Joe Biden venceu as eleições por uma pequena margem de votos. Segundo o texto, as câmeras de segurança flagraram funcionários do condado de Fulton retirando essas supostas malas debaixo de uma mesa. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“EUA: Malas secretas de cédulas são encontradas na Geórgia”
Título de texto publicado no site Gospel Prime que, até as 15h do dia 8 de dezembro, tinha sido compartilhado por mais de 200 pessoas no Facebook

FALSO

As informações analisadas pela Lupa são falsas. O vídeo usado como “prova” dessa alegação não mostra “malas secretas” com cédulas ilegalmente colocadas na sala depois da conclusão dos trabalhos, como afirma o texto publicado no site Gospel Prime. Na verdade, a gravação completa mostra que nenhuma nova remessa de votos chegou ao recinto depois da saída da imprensa e dos fiscais dos partidos.

As alegações partiram do presidente Donald Trump, derrotado nas eleições realizadas no último dia 3 de novembro. Em sua conta no YouTube, ele publicou um vídeo de cerca de 90 segundos que mostra funcionários do Condado de Fulton retirando objetos debaixo de um balcão, alegando que houve fraudes e que eram “malas secretas” cheias de votos. O vídeo foi produzido pelo canal One America News Network (OANN), que recentemente foi suspenso do YouTube por disseminar desinformação.

Frances Watson, investigador-chefe da secretaria de estado da Geórgia, estado governado por Republicanos, prestou uma declaração juramentada sobre o assunto. Ele disse ter assistido o vídeo completo, e não apenas os 90 segundos mostrados pela OANN, e que em momento algum novas remessas de votos foram trazidas depois da saída dos fiscais.

Segundo Watson, por volta das 22h do dia da eleição, 3 de novembro, alguns funcionários, responsáveis por abrir os envelopes com votos, foram dispensados da contagem após a conclusão desta etapa dos procedimentos. Nesse momento, fiscais partidários e a imprensa deixaram o recinto, sem que houvesse qualquer pedido por parte das autoridades presentes. Contudo, a apuração dos votos continuou normalmente, o que, segundo o investigador, é legal.

As tais “malas secretas”, na verdade, eram caixas com rodas onde os votos não contabilizados estavam guardados. Segundo Watson, o vídeo completo mostra os funcionários guardando essas caixas de votos embaixo de uma mesa antes da saída dos fiscais.

A plataforma de checagens norte-americana Lead Stories entrevistou diversos participantes na apuração, incluindo Gabriel Sterling, responsável pela implementação do sistema de votação no Condado de Fulton — e conservador autodeclarado. Esses participantes também confirmaram não ter ocorrido nenhuma irregularidade durante a apuração.

A plataforma de checagem Politifact entrevistou também Richard Barron, diretor de eleições no condado, e ele também confirmou a inexistência de qualquer irregularidade durante o processo. Essa informação também foi checada pelo FactCheck.org.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

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