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Foto: Maxwell Hamilton
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#Verificamos: É falso que Instituto Virológico de Wuhan e Pfizer são de propriedade da GlaxoSmithKline

Editor | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.dez.2020 | 18h20 |

Circula no WhatsApp um texto que fala sobre as supostas ligações empresariais entre as farmacêuticas GlaxoSmithKline (GSK) e Pfizer, o Instituto de Virologia de Wuhan, os fundos de investimento BlackRock e Vanguard, as seguradoras AXA, Winterthur e Allianz, George Soros e Bill Gates. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O laboratório biológico chinês em Wuhan é propriedade da Glaxo [GSK]!”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

O Instituto de Virologia de Wuhan, na China, não é nem pertence a qualquer empresa privada. Na verdade, o instituto é subordinado à Academia Chinesa de Ciências — que, por sua vez, é subordinada ao governo da China. Logo, o instituto não é de propriedade da farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, ou GSK.

Wuhan foi o primeiro epicentro da pandemia de Covid-19. Desde então, o instituto é alvo de teorias da conspiração desde o início da crise. Contudo, já foi provado que o SARS-CoV-2, vírus que causa a doença, não foi produzido em laboratório. Não há evidências de qualquer relação entre o instituto e a pandemia.


“[A GSK] Que, por acaso, é proprietária da Pfizer! (aquela que produz a vacina!)”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

A GlaxoSmithKline, ou GSK, e a Pfizer são duas empresas do ramo farmacêutico distintas, ambas de capital aberto. A primeira é sediada no Reino Unido e foi fundada no ano 2000 a partir da fusão das empresas Glaxo Wellcome e SmithKline Beecham. Já a segunda é sediada nos Estados Unidos e existe desde 1849. As duas companhias, respectivamente a sexta e a segunda maior do mundo em faturamento no ramo farmacêutico, criaram uma joint venture para a produção de medicamentos que não exigem receita em 2019, a GSK Consumer Care. Contudo, elas não são a mesma empresa.


“[A Pfizer] Que, por acaso, é administrada pelas finanças do Black Rock”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

A BlackRock não “administra” a Pfizer. O fundo de investimentos americanos, um dos maiores do mundo e com participações em empresas dos mais diversos ramos de atividade econômica, é apenas um acionista minoritário da companhia, com cerca de 5% das ações.


“[BlackRock] Quem, por acaso, administra as finanças da Open Foundation Company (GEORGE SOROS FOUNDATION)!”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

Não existe nenhuma evidência de que a Open Society Foundations (e não “Open Foundation Company”, como diz o texto), instituição filantrópica liderada pelo investidor George Soros, tenha qualquer relação com o fundo de investimentos BlackRock. O fundo de investimento do bilionário tem ações da BlackRock, mas isso não significa que a empresa tenha qualquer relação com a organização não-governamental.


“[Open Society Foundations] Que, por acaso, atende a francesa AXA!”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

Não existe nenhuma evidência de que a Open Society Foundations atenda a AXA, até porque a instituição não tem essa finalidade. A organização fundada por Soros atua no financiamento de organizações que atuam nas áreas de direitos humanos, justiça e governança democrática, enquanto a AXA é uma empresa de capital aberto da área de seguros.


“Coincidentemente, ele [AXA] é dono da empresa alemã Winterthur”
Texto que circula no WhatsApp

VERDADEIRO, MAS

A seguradora francesa AXA, de fato, adquiriu o grupo Winterthur em 2006. Antes disso, a empresa era de propriedade do banco Credit Suisse, que em 1997 comprou a companhia, fundada em 1875. A Winterthur é, contudo, uma empresa suíça, e não alemã.


“[Winterthur] Que, por acaso, construiu o laboratório chinês em Wuhan!”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

A Winterthur, assim como a AXA, é uma companhia de seguros e, portanto, não está no ramo da construção civil. Não há nenhuma evidência de que a empresa tenha alguma participação na construção desse laboratório.

Em 2015, o Instituto de Virologia de Wuhan inaugurou um laboratório com nível de biocontenção 4 (P4), o mais alto possível. As instalações foram construídas pela Academia Chinesa de Ciências, em parceria com o governo da França, o Centro Internacional de Pesquisa em Infectologia, também da França, e com a Fundação Merieux. Até o momento, não há comprovação de que o instituto tenha alguma relação com a pandemia de Covid-19.

Atualização do dia 24 de junho de 2021: Na versão original, a reportagem dizia que não havia qualquer indício de que o Instituto Virológico de Wuhan tivesse alguma relação com a pandemia. Contudo, depois da publicação, algumas evidências vieram à tona, embora o caso ainda esteja sob investigação. Por isso, o texto foi atualizado.


“[O Instituto de Virologia de Wuhan foi] Comprado acidentalmente pelo alemão Allianz”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

Como explicado acima, o Instituto de Virologia de Wuhan não é de propriedade de nenhuma empresa, é uma instituição vinculada à Academia Chinesa de Ciências, que por sua vez é do governo da China.

“[Allianz] Que, aliás, tem a Vanguard como acionista. Que é acionista da Black Rock. (…) Que, aliás, é um dos principais acionistas da MICROSOFT”
Texto que circula no WhatsApp

VERDADEIRO

A Vanguard, um dos maiores fundos de investimento do mundo, possui cerca de 3% das ações da Allianz e quase 8% das ações da BlackRock. Os dois fundos de investimento estão entre os maiores acionistas da Microsoft: cerca de 8% das ações da companhia são da Vanguard, e outros 2% são da BlackRock. 


“[Microsoft] Propriedade de BILL GATES”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

Bill Gates não é proprietário da Microsoft. Ele possui cerca de 1% das ações da companhia, e presta serviços somente como consultor. Gates é, na verdade, cofundador da empresa, com Paul Allen, e foi CEO até o ano 2000, quando iniciou um processo de afastamento das atividades da companhia. Em 2008, ele deixou de trabalhar em tempo integral na Microsoft, e passou a dedicar mais tempo à Bill and Melinda Gates Foundation. Em 2014, ele renunciou ao posto de presidente do conselho administrativo. E em 2020, ele deixou o conselho para atuar somente como consultor.


“[Bill Gates] Que por acaso é acionista da PFIZER”
Texto que circula no WhatsApp

VERDADEIRO, MAS

A fundação de Gates investiu US$ 250 milhões em companhias farmacêuticas no ano de 2002, incluindo a Pfizer. Contudo, ao contrário das já citadas Vanguard e BlackRock, ele não aparece entre os maiores acionistas da companhia, segundo a CNN Money. A farmacêutica fez parceria com o instituto filantrópico do bilionário americano para o desenvolvimento de sua vacina contra a Covid-19. A ONG também investiu diretamente na companhia para o desenvolvimento de um anticoncepcional injetável de baixo custo.


“[Bill Gates] Atualmente é o primeiro patrocinador da OMS !”
Texto que circula no WhatsApp

EXAGERADO

A Bill and Melinda Gates Foundation é uma das maiores financiadoras da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas não a maior. Segundo a instituição, o governo da Alemanha é quem mais contribuiu com a organização em 2020, sendo responsável por 12,18% da arrecadação. A fundação filantrópica de Gates ficou em segundo lugar, respondendo por 11,65% da receita.

Esse conteúdo também foi verificado pela AFP e pelo site português Visão. O texto circula também em espanhol e holandês, e também foi checado pelas plataformas La Silla Vacía, da Colômbia, Maldito Bulo, da Espanha, e Knack, da Bélgica.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Marcela Duarte

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A informação está comprovadamente incorreta
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