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São Paulo SP 07 12 2020O Governador do Estado de São Paulo, João Doria, participa de 150° Coletiva de Imprensa com Área do Governo e Área da Saúde. Foto: govesp
São Paulo SP 07 12 2020O Governador do Estado de São Paulo, João Doria, participa de 150° Coletiva de Imprensa com Área do Governo e Área da Saúde. Foto: govesp

#Verificamos: É falso que jornal norte-americano ‘denunciou’ Doria por receber propina da Sinovac

Editor | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.dez.2020 | 12h59 |

Circula nas redes sociais que o jornal norte-americano The Washington Post “denunciou” o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por ter, supostamente, recebido propina da Sinovac, farmacêutica chinesa que desenvolve a Coronavac. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Doria DENUNCIADO pelo Washington Post por Receber PROPINA da Sinovac”
Título de vídeo publicado no YouTube que, até as 19h30 do dia 10 de dezembro de 2020, tinha cerca de 15 mil visualizações

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. De fato, o jornal norte-americano The Washington Post publicou uma reportagem sobre casos de suborno envolvendo a farmacêutica Sinovac, intitulada “Ao que a China se aproxima de uma vacina contra o coronavírus, há uma nuvem de propina sobre a farmacêutica Sinovac”. Contudo, em momento algum é dito que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recebeu propina da companhia.

A reportagem cita o Brasil em apenas dois trechos. No terceiro parágrafo, o texto diz: “A Sinovac agora busca fornecer sua vacina contra o coronavírus para nações em desenvolvimento, do Brasil à Turquia e à Indonésia. Embora corrupção e falta de transparência castiguem a indústria farmacêutica há tempos, poucas vezes a reputação de uma única empresa farmacêutica do país tenha importado tanto para o resto do mundo”.

Já no quinto parágrafo, é dito o seguinte: “A vacina da Sinovac, Coronavac, pode ser adotada em vários países em desenvolvimento. Autoridades no Brasil e na Indonésia — os países mais populosos da América Latina e do Sudeste Asiático — dizem que a Coronavac pode ser aprovada nas próximas semanas. No Brasil, o governador de São Paulo, João Doria, disse que [a Coronavac] é a vacina mais segura que o país testou”. Essa é a única menção a Doria em todo o texto.

Além disso, a reportagem usa uma foto de Doria segurando uma caixa da vacina como ilustração. A legenda da foto somente descreve a cena: “O governador de São Paulo, João Doria, segura uma caixa da Coronavac, vacina em desenvolvimento da Sinovac, em coletiva de imprensa”.


“Eles compram países emergentes, segundo o Washington Post, e aplicam aquela vacina na população antes mesmo de aplicar na população chinesa”
Trecho de vídeo publicado no YouTube que, até as 19h30 do dia 10 de dezembro de 2020, tinha cerca de 15 mil visualizações

FALSO

A informação analisada pela Lupa não está presente na reportagem do Washington Post. De acordo com o texto, entre 2002 e 2011, o CEO da Sinovac, Yin Weidong, pagou US$ 83 mil em propinas para Yin Hongzhang, funcionário público responsável por revisar e aprovar a produção de vacinas produzidas pela empresa na China. Em 2016, ele admitiu ter pagado esse montante. O funcionário foi preso, mas o CEO continua no comando da empresa. Há outros 20 funcionários públicos chineses que afirmaram em juízo terem recebido propinas da companhia. Contudo, na reportagem, não há uma menção sequer a pagamento de propina a autoridades em países estrangeiros ou ao uso de populações estrangeiras como “cobaias”.

Em 11 de junho, Doria anunciou que a Sinovac iria testar sua vacina em desenvolvimento no Brasil, em parceria com o Instituto Butantan. Desde então, produtores de desinformação têm espalhado a falsa notícia de que a China não testou a vacina em sua própria população e estaria usando os brasileiros como “cobaias”. A informação é falsa e já foi verificada pela Lupa. As duas primeiras fases de testes da Coronavac foram feitas em voluntários chineses.

Esse conteúdo também foi verificado pelo site Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

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